Poema: 'Mangue vermelho', de Daniel Moreno

A- A A+

Reproduzimos com nossos leitores e leitoras o poema enviado à Redação de AND por Daniel Moreno.


Todo encaixe é violento
Toda transição, um enfarto
e na súplica do parto
é que se fabrica a vida
pois ali se brisa um vento
que arromba toda ferida
que tanto é inseticida
quanto do novo é fermento

Vento que vem de dois ares
mas se torna num momento
um só corpo turbulento
que do firmamento erode
se te chama pra marchares
não há colo que acomode
venta até que o chão sacode
'rranca as massas de seus lares

Como o mangue é em si o rio
bem como é o mar e a lama
vêm cravados em sua mama
jacaré, uçá e pintado
Também a história é um fio
e o presente é costurado
de águas passadas de um lado
de outro, pororoca em cio

Mas não é o tempo um ossário
e não há margem que o empaque
nos golpes do tique taque
o que é dado se renova
Tudo vira o seu contrário
- e piramboia de sua cova
treme com os ecos da sova
entre as águas do estuário

(Daniel Moreno)

Arte: Coletivo Bagaço

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Matheus Magioli Cossa

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Matheus Magioli Cossa
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Matheus Magioli Cossa
Ana Lúcia Nunes
Matheus Magioli
Rodrigo Duarte Baptista
Vinícios Oliveira