Empresa israelense financiada pela Microsoft usa palestinos como cobaias para tecnologia de reconhecimento facial

Em junho de 2019, a gigante de tecnologia Microsoft chamou atenção da comunidade internacional e de jornalistas ao anunciar seu investimento na AnyVision, uma empresa israelense que pesquisa e produz tecnologias de reconhecimento facial demasiado controversa. Uma investigação feita pelo monopólio de imprensa estadunidense National Broadcasting Company (NBC) em outubro constatou que a AnyVision coletou um enorme banco de dados por meio da vigilância ilegal de palestinos que vivem em áreas da Cisjordânia ocupadas por Israel, e as disponibilizou para o governo israelense.

A investigação jornalística aponta para diversas relações promíscuas entre a empresa e o Estado de Israel, como quando, em 2018, a AnyVision ganhou o principal prêmio de defesa (da indústria bélica) do país, e foi amplamente elogiada pelo ministro da Defesa de Israel durante a apresentação da premiação, que mencionou o importante papel prestado pela empresa para as forças armadas israelenses devido ao uso de "grandes quantidades de dados", coletados estes de forma ilegal.

Segundo as fontes ouvidas pelos jornalistas, a empresa, que é chefiada por ex-oficiais de segurança das Forças de Defesa de Israel e aconselhada por oficiais do Instituto para Inteligência e Operações Especiais (Mossad), equivalentes à Agência Central de Inteligência (CIA) ianque, desenvolveu um sistema de software de “vigilância tática avançada”, o Better Tomorrow, que permite que os clientes identifiquem indivíduos e objetos usando câmeras ao vivo, como uma câmera de segurança ou um celular, e depois rastreiem os alvos. O projeto é chamado informalmente de “Google Ayosh”, em que “‘Ayosh’ se refere aos territórios palestinos ocupados e ‘Google’ denota a capacidade da tecnologia de encontrar pessoas”.


Postos de controle entre a Cisjordânia ocupada e Israel utilizam tecnologia de biometria facial apenas em palestinos. Fonte: Sebastian Scheiner/AP

O Exército israelense tem instaladas milhares de câmeras e outros dispositivos de monitoramento nos territórios palestinos que ocupa, como a Cisjordânia e a Jerusalém Oriental, e suas agências de inteligência e segurança aplicam algoritmos nas redes sociais para monitorar movimentos políticos online.

Na Cisjordânia, por exemplo, a AnyVision possui um projeto abertamente reconhecido, em que forneceu seus serviços de reconhecimento facial em 27 dos postos de controle instalados para que os palestinos sejam identificados e possam cruzar a fronteira para chegar em Israel. Esse mesmo sistema de segurança não é usado, todavia, durante a passagem de um israelense pela fronteira. Além disso, a polícia israelense já usou tecnologia da AnyVision para rastrear e capturar suspeitos nas ruas de Jerusalém Oriental, onde a maioria (três quintos) da população é palestina.

A controvérsia ligada aos investimentos da Microsoft se deu porque a empresa fundada pelo bilionário Bill Gates assumiu, em 2018, uma lista de princípios para orientar sua produção na área de reconhecimento facial, um deles ligado ao conceito de “vigilância legal”, que determina que a empresa “advogará por salvaguardas das liberdades democráticas das pessoas em cenários de vigilância policial e não implantará a tecnologia de reconhecimento facial em cenários que acreditamos colocar essas liberdades em risco”.

Uma das problemáticas que envolvem o tema é de que as tecnologias existentes de reconhecimento facial apresentam dificuldades de identificar mulheres e pessoas de cor, que não são brancas, e possuem uma alta taxa de erro especificamente na identificação de pessoas negras. As pesquisas de software para carros autônomos, que não precisam de motorista, apontam que a inteligência dos carros apresenta grande dificuldade em reconhecer pedestres negros, com uma precisão de cinco pontos percentuais mais alta para evitar atropelar pedestres de pele clara.

Devido a múltiplos dilemas éticos, são várias as cidades do USA que proíbem totalmente o uso de tecnologia de reconhecimento facial, devido ao temor de que sua utilização leve a prisões arbitrárias e identificações errôneas, em um sistema já profundamente injusto e persecutório.

A gravidade da investigação sobre a empresa está, portanto, em que o software da empresa, além de quebrar com a regulação sobre vigilância, corrobora a ocupação militar de Israel em territórios onde palestinos são submetidos a constantes agressões e abusos pelas forças da ocupação, além de aprimorar os meios israelenses de patrulhar e perseguir movimentos políticos e militantes que lutam pela libertação da Palestina e de seu povo.

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