Resistência Nacional do Afeganistão denuncia crimes do Exército fantoche com apoio da CIA contra o povo

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Ianques bombardeiam uma estrada construída pelo Talibã que levava até a cidade isolada de Walli Was, próximo à fronteira com o Paquistão. Foto: Goran Tomasevic/Reuters

Usando dados de um relatório recente da Organização Não-Governamental (ONG) Human Rights Watch (HRW), o Emirado Islâmico do Afeganistão (Talibã) tem denunciado em seu veículo oficial de notícias as agressões sistemáticas das forças do “governo” afegão, lacaio das tropas invasoras ianques, contra o povo, que operam no Afeganistão como um dos braços das operações da Agência Central de Inteligência (CIA) do USA e com apoio das forças armadas ianques e seus aparatos bélico e de inteligência.

O relatório, que levantou documentos de 14 casos diferentes em que as forças “afegãs apoiadas pela CIA cometeram abusos graves entre o final de 2017 e meados de 2019” contra o próprio povo. Para tanto, a ONG utilizou como fontes de pesquisa ativistas da sociedade civil e de direitos humanos do país, bem como profissionais da área da saúde e estrangeiros, jornalistas e anciãos da comunidade, que relataram dezenas de episódios de puro terror como parte do dia-a-dia em um país sob invasão colonial do USA.

As informações recolhidas demonstraram que a CIA desenvolveu seis ramos de atuação diferentes no país para executar operações extrajudiciais, não-oficiais: as unidades 1, 2, 3 e 4, em conjunto com as “Forças de Proteção Khost e Kandahar”, também conhecidas como “esquadrões de Zarbati”, ou, simplesmente, como esquadrões da morte.

Tais esquadrões da morte são formados por afegãos organizados, treinados, financiados, armados e liderados diretamente pela CIA; se tratam de grupos paramilitares que não são submetidos a leis internacionais, como, mesmo que precariamente e com absurda conivência, os Exércitos ianque e afegão são. Eles realizam incursões noturnas diariamente em vilas do interior do país, invadem e saqueiam casas, mascarando o terrorismo promovido pelos invasores.

A maioria dos relatos refere-se a casos em que esses grupos explodiram casas com bombas e assassinaram civis dentro de suas próprias casas, em frente aos seus familiares, bem como de sequestros e ataques a hospitais e prédios públicos, como escolas.

Oficialmente, as forças paramilitares afegãs conformam a Direção Nacional de Segurança do Afeganistão, a principal agência de inteligência do país. Segundo a HRW, no entanto, elas não se enquadram na cadeia de comando oficial da Direção, ou de qualquer outra instituição militar, tanto do Afeganistão como do USA. Usualmente, atuam junto de agentes destacados das próprias forças especiais ianques durante “operações de matar ou capturar”, principalmente da Army Rangers, ligada à CIA. A ONG também destaca que, sem o apoio logístico da CIA, as operações orquestradas pelas forças paramilitares afegãs seriam inconcebíveis.

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Desde 2017, quando Trump subiu à cabeça do imperialismo ianque, o USA autorizou as forças especiais afegãs, incluindo os esquadrões da morte, a realizar ataques aéreos utilizando a infraestrutura das tropas ianques, mesmo que sem o apoio da inteligência das forças invasoras para identificar seus alvos. Desde então, os bombardeios e ataques a drone passaram a atingir cada vez mais prédios e áreas residenciais, o que se deu em paralelo a uma redução das incursões terrestres dos soldados ianques, indicando uma guinada nas diretrizes das forças da invasão.

Em nota oficial, o Talibã pontua que, desde que Trump suspendeu as negociações então existentes com o USA, os ataques contra o Afeganistão cresceram exponencialmente, subindo para cerca de 40 por dia - no mês de setembro, houve um total de 1.110 ataques do USA no país, segundo informações oficiais disponibilizadas pelo Pentágono (sede da Inteligência ianque).

O TERROR COTIDIANO

Citando alguns casos recentes do ano de 2018, o relatório narra, dentre os múltiplos relatos de crimes de guerra recolhidos, quando em outubro daquele ano todos os cinco membros de uma família afegã foram brutalmente assassinados, incluindo uma mulher idosa e uma criança, após forças paramilitares afegãs invadirem sua casa, no distrito de Rodat, localizado na província de Nangarhar.

Em outra ocasião, no mês de dezembro, seis civis foram mortos pela chamada “Força de Proteção Khost”, durante uma operação de busca noturna na província de Paktia. Nesse caso, Naim Faruqi, um senhor de 60 anos que era uma liderança de sua tribo e também membro do conselho provincial da paz, foi executado com um tiro certeiro entre os olhos, enquanto seu sobrinho, um estudante de 20 anos, morreu após ser alvejado na boca.

Outro episódio relembrado pelo relatório é de março de 2018, quando um grupo paramilitar afegão invadiu a casa onde vivia um membro de uma ONG afegã e sua família durante a madrugada. Em uma noite de horror, eles forçaram as mulheres e os homens da família a se separarem, levaram o irmão do ativista para um quarto separado e o assassinaram, deixando seu corpo para trás. Em seguida, sequestraram outro membro da família, que jamais foi encontrado e, até hoje, o governo afegão nega o desaparecimento do homem.

Tamanhas atrocidades são indissociáveis à guerra de agressão e à ocupação ianques no país, que completaram seus 18 anos em outubro de 2019. Na nota, o Talibã reitera efusivamente que o responsável pelos crimes listados no documento da HRW é, indubitavelmente, o imperialismo ianque e seu Exército, que “estão realizando o silencioso assassinato em massa de pessoas inocentes no Afeganistão por meio da CIA e de seus mercenários afegãos”, ao que o Talibã responde à altura, levando à cabo sua guerra de Libertação Nacional.

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