Horda fascista ataca sede de grupo de humor

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A ação armada cometida pelo bando paramilitar neonazista autodenominado “Comando de Insurgência Popular Nacionalista da Família Integralista Brasileira”, na madrugada do dia 24 de dezembro, com três bombas incendiárias contra a sede da produtora do canal “Porta dos Fundos” é um claro sinal dos tempos de agudização da luta de classes pelos quais passa o Brasil.

No vídeo, através do qual o grupo assume a autoria do ataque e exibe uma filmagem do momento, o porta-voz do grupo fascista usa os jargões dos bolsonaristas. A expressão “marxismo cultural”, ou sua variante “guerra cultural”, a máxima do irracional delirante Olavo de Carvalho, foi proferida pelo menos duas vezes pelo porta-voz do bando. A bandeira do Brasil Imperial, tão ao gosto da ala mais bestialmente extremista do governo, também se fez presente no vídeo. Ao fim, ouve-se: “Deus, pátria, família”, mesmo lema usado por Bolsonaro para divulgar o seu projeto de falange chamado “Aliança pelo Brasil”, que por sua vez era o lema dos fascistas brasileiros de 1930. Durante a campanha para a farsa eleitoral, de 2018, esse mesmo “comando” fascista entrou na Universidade Federal Fluminense (UFF) e na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) arrancando e queimando bandeiras antifascistas, em benefício da campanha eleitoral do também fascista Jair Bolsonaro. Bem, estes são os fatos.

Gerado nas entranhas sombrias da intolerância, do reacionarismo, do obscurantismo e fanatismo que são o programa dos fascistas que se apoderaram da presidência da República, este grupelho deu curso ao que pregam todos os dias os seguidores de Jair Bolsonaro, inclusive seu ideólogo Olavo de Carvalho. Aliás, Bolsonaro veio do ventre desta mesma besta do fascismo, durante o regime militar. Como oficial do Exército, ele fez parte das falanges reacionárias que torturavam e assassinavam nos porões; jogavam bombas em teatros, livrarias, sedes de jornais; planejaram jogar bomba no gasômetro do Rio de Janeiro; e que, apenas por um acidente não mataram, sob o efeito de bombas, milhares de jovens no show do Rio Centro. 

É bom lembrar que Bolsonaro, por tornar público seu plano de explodir instalações militares, nos anos 1980, foi processado pelo Exército e só não foi expulso da corporação pela tradicional política de “panos quentes” que sempre aplicada pela direita militar frente às correntes fascistas em seu meio.

O motivo para o ataque foi apresentado como sendo o vídeo publicado neste fim de ano pelo “Porta dos Fundos”, autodenominado “Especial de Natal”, que faz sátiras de episódios e personagens da crença cristã. Apesar do grupo de humor apresentar uma posição crítica a toda esta onda reacionária que assola o país, não há nada de progressista neste vídeo em questão, que simplesmente zomba da fé religiosa, tão profundamente arraigada nas massas mais pobres do País e que, como consequência, só faz jogar parte delas nos braços da extrema-direita.

Aproveitando-se desta situação criada, a extrema-direita usou o vídeo como munição e subterfúgio para o ataque, cometendo este sob a bandeira falsa de defensora da família, dos valores cristãos e demagogias mais. Em suma, foi o pretexto usado pela extrema-direita para que, do fundo do esgoto, saíssem as hordas neonazistas, assanhadas com seu sinistro sonho de impor pelo terror seu império fascista e corporativo de exploração e opressão.

A moribunda Frente Integralista Brasileira, rebotalho patético do que sobrou da Ação Integralista da década de 1930, saiu à palestra para “tirar o corpo” e negar autoria do ataque. Citando seu Führer tupiniquim, o finado Plínio Salgado, afirmam que “não precisam de máscara” e que, portanto, os atacantes não seriam de suas fileiras. De onde saíram então?

O monopólio de imprensa, a centro-direita e mesmo a direita são obrigadas a bradar “não ao radicalismo!”. Claro! Eles temem que a violência às claras desses grupos bastardos da contrarrevolução desvende, ante as massas submetidas à piora das condições de vida e à violência crescente do Estado, que esse sistema de exploração e opressão é instável e tem pés de barro. O espectro de uma nova onda de protestos populares massivos como 2013/14, ainda mais radical e violenta, é o que assombra as classes dominantes e seu governo de turno.

A resistência dos camponeses, indígenas e quilombolas pela terra que lhes é negada ou roubada; a luta dos operários e demais trabalhadores contra a retirada sem precedentes de direitos duramente conquistados; a luta estudantil em defesa da universidade e escola pública; a luta por moradia, por saúde e transporte; a resistência à crescente subjugação nacional etc. farão inevitável a rebelião popular. O temor das classes dominantes e corifeus deste decrépito “estado democrático de direito”, inclusive da “esquerda eleitoreira” é que as massas passem a atuar também com sua violência revolucionária, para destruir as bases de todas as desgraças cotidianas que elas sofrem, e, a partir desta sua prática, se engajem definitivamente na luta pela destruição de toda esta velha ordem e construção do Novo Brasil.

O objetivo principal desses grupos paramilitares fascistas nem de longe é combater os que são tachados por eles mesmo de “marxistas culturais”, mas sim combater a iminente Revolução Democrática, que já desponta e toma forma na luta revolucionária popular, especialmente na luta dos camponeses sem terra ou com pouca terra, dos indígenas e quilombolas contra o latifúndio como etapa inicial da luta democrática anti-imperialista, pela libertação da Nação da espoliação principalmente ianque, e contra seu outro sustentáculo interno: as corporações monopolistas locais, serviçais do imperialismo. Fora dessa Revolução, não se pode sequer falar em “defesa do Brasil”, a não ser como figura vazia para iludir as massas visando colocá-las contra seus próprios interesses e contra os verdadeiros interesses da Nação.

Essa grande Revolução, tão ansiada e que se faz dia após dia mais próxima, mais pujante e mais necessária aos olhos dos democratas e das massas populares do campo e da cidade, faz tremer toda a reação! Os ataques desses grupos gerados nos esgotos da contrarrevolução aos seus alvos secundários são tão-somente ações de propaganda, treinamento no máximo. Seus olhos estão voltados para a Revolução de carne e osso, e é a ela que eles se preparam para combater, prestando-se ao trabalho sujo. Fracassarão as ratazanas fascistas e outras mais!

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