Paramilitares atacam quartel com cumplicidade do governo brasileiro, afirma Venezuela

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Um grupo de 12 paramilitares comandado por um oficial desertor das Forças Armadas venezuelanas invadiu uma base militar e duas delegacias no sul da Venezuela, no dia 22 de dezembro, e roubou armas e munições. O governo venezuelano acusa o velho Estado brasileiro de colaborarem com o ataque.

O ataque dos mercenários, ocorrido em Gran Sabana (estado de Bolívar, fronteira com o estado brasileiro de Roraíma), levou ainda um caminhão militar e um lote de armas. Da base militar, o grupo atacou ainda duas delegacias de polícias, de onde levaram mais armas, e entraram em confronto com militares, na cidade de Luepa. Um oficial das Forças Armadas foi morto.

O ministro da Comunicação do governo venezuelano, Jorge Rodríguez, afirmou que “os criminosos foram treinados em acampamentos paramilitares plenamente identificados na Colômbia, e receberam a colaboração ardilosa do governo de Jair Bolsonaro”.

Ainda segundo ele, os paramilitares receberam treinamento em Cali, na Colômbia, para depois serem transportados até o Peru e, posteriormente, por terra, chegaram a Manaus. Da capital amazonense os paramilitares foram para Pacaraima, na fronteira de Roraima com a Venezuela, onde ficaram em um hotel por 15 dias, recebendo instruções e detalhes do plano. O financiador do ataque seria Andrés Antonio Fernández que é, segundo o governo venezuelano, um traficante de ouro.

O governo da Venezuela afirmou que 11 pessoas foram detidas e várias armas foram recuperadas, dentre elas, pelo menos 60 granadas, 80 fuzis AK-103 e caixas de munições. As demais armas, segundo Nicolás Maduro, estão em território brasileiro.

Já em setembro de 2019 foram divulgadas fotos do autoproclamado "presidente", Juan Guaidó, marionete do USA, confraternizando com chefes do grupo paramilitar Los Rastrojos, que pratica tráfico de drogas, extorsão, sequestros e assaltos na fronteira Colômbia-Venezuela. Esse mesmo grupo ajudou Guaidó na travessia da fronteira, em fevereiro de 2018, para participar de um show de "ajuda humanitária".

‘Guerra de baixa intensidade’

A Venezuela, país semicolonial submetido à opressão do imperialismo principalmente ianque, está sendo alvo de uma “guerra de baixa intensidade” movida pelo Comando Sul das Forças Armadas do USA. É uma intervenção militar direta na forma de “guerra de baixa intensidade”.

Segundo analisou a Associação de Nova Democracia Nuevo Peru, sediada em Hamburgo (Alemanha), a “guerra de baixa intensidade” são sanções, ataques cibernéticos e eletromagnéticos visando sabotar a infraestrutura de um dado país, além das ameaças de invasões, pressões diplomáticas e ataques de grupos armados ou não-militares visando objetivos políticos e militares.

Algumas das ações dessa “guerra de baixa intensidade” foram os apagões causados por ataques eletromagnéticos contra o cérebro do sistema de produção e distribuição de energia elétrica da Venezuela, situação que gerou apagões entre os dias 7 e 12 de março.

Para o imperialismo ianque, a vantagem é que, com as ações de baixa intensidade, o campo de resistência nacional não se alarga tanto porque as ações são encobertas, enquanto que nas guerras de média ou de alta intensidade há confrontos militares de tropas que escancaram a agressão estrangeira.

A Associação analisou também que o plano do imperialismo ianque é aplicar ações de baixa intensidade, porém camufladas, que agravem a situação das massas populares e desmoralizem o governo. Com isso, os ianques pretendem gerar uma comoção e opinião pública favoráveis a um golpe de Estado encabeçado por Guaidó ou outro lacaio qualquer, que estabeleça um governo títere, favorecendo o monopólio exclusivo do USA sobre as riquezas daquele país, desbaratando a consequentemente influência russa. Caso falhar, os imperialistas passarão à invasão do país através de grupos armados lacaios, elevando gradualmente a guerra até os meios tradicionais, se necessário. A ação de grupos paramilitares é expressão do incremento da “guerra de baixa intensidade”.

‘É preciso Resistência Nacional’

Partidos e organizações maoistas, em declaração emitida em fevereiro de 2019, afirmam ainda que o governo Maduro – que sempre se submeteu ao domínio econômico e político do imperialismo ianque e agora paga o preço – deve abandonar todas as ilusões de uma “paz” com o USA. Segundo os maoistas, o imperialismo retirará o governo de qualquer forma, pois esse é o plano para a América Latina. “Por seu lado, os imperialistas ianques, através dos seus representantes, declararam que a política do USA com respeito à Venezuela está estabelecida. Aqueles que imaginam que um compromisso com os USA é possível sem que isso implique na capitulação do governo do país e na rendição da independência e soberania da Venezuela só podem viver de ilusões”, afirmam.

“O governo venezuelano tem que rejeitar a capitulação e pôr de lado qualquer política de compromisso; a situação política entrou na fase de preparação para a resistência nacional contra a agressão imperialista, tem que assumir o desafio, mobilizar e armar o povo, bem como às Forças Armadas, a fim de salvaguardar a independência nacional, a soberania nacional e a integridade territorial para aplicá-las em uma dura guerra de resistência nacional contra a agressão estrangeira”, completam.

Segundo a Associação, aos comunistas venezuelanos “corresponde ao proletariado unir todos aqueles que não querem ser escravos do USA, todos aqueles que estão por conquistar a verdadeira independência, soberania e dignidade nacional do país, todos aqueles que recusam submeter-se à intimidação, interferência, controle e agressão dos imperialistas ianques. Com todos estes é necessário unir e mobilizar contra os pedidos de conciliação, por paz ou por privilegiar as negociações antes de agir resolutamente para esmagar a agressão imperialista ianque que se desenvolveu momentaneamente sob a forma de um golpe de Estado”.

Três supostos desertores do exército venezuelano, divulgam vídeo em que assumem autoria de ataque a quartel. Foto: Reprodução.

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