Ataque ianque a comandante iraniano gera onda anti-imperialista

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Iranianos rasgam a bandeira do USA durante um dos protestos em Teerã, no dia 3 de janeiro. Foto: AFP

Um drone das Forças Armadas do USA executou, em território iraquiano, o general Qassem Soleimani e outras seis pessoas por meio de um bombardeio ocorrido dia 2 de janeiro. Soleimani era o principal chefe militar do Irã, responsável pela Força Al Quds – unidade especial da “Guarda Revolucionária” do Irã. O chefe da milícia iraquiana Forças de Mobilização Popular também foi morto no ataque. O bombardeio ocorreu sobre o Aeroporto Internacional de Bagdá, capital do Iraque.

O ataque foi diretamente ordenado pelo presidente ultrarreacionário, Donald Trump, e executado com a pretensão de matar o general. Tentando legitimar a agressão direta ao Irã, Trump afirmou que Soleimani era responsável por “mortes de americanos” (referindo-se aos soldados ianques) e que o ataque buscou evitar “novos ataques”. Nenhuma prova foi apresentada.

Após o ataque, Trump publicou na sua rede social uma bandeira ianque e provocou: “O Irã nunca ganhou uma guerra, mas nunca perdeu uma negociação!”. 

Soleimani era tido como o principal responsável pela política externa do Irã e o segundo chefe mais importante do país, ficando atrás apenas do próprio líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei. Nem mesmo o presidente do país (que no Irã é subordinado ao aiatolá), Hassan Rouhani, gozava de  influência comparável à do general.

O general também era responsável por todo o apoio militar e logístico prestado no Oriente Médio a algumas milícias, entre elas o Hezbollah, no Líbano; o Hamas, na Palestina; as milícias xiitas na Síria e Iraque; dentre outras.

Sentimento anti-imperialista é despertado

Em todo o mundo, especialmente no Oriente Médio Ampliado e no Irã, a agressão despertou o sentimento anti-USA nas massas populares.

Manifestações anti-imperialistas ocorreram na Índia, Líbano, Paquistão, no próprio USA e outros locais. Bandeiras do imperialismo ianque foram incendiadas e o repúdio à atitude colonialista dessa potência despertou novas ondas de lutas.

No Irã e Iraque, dezenas de milhares de pessoas, embuídas do sentimento anti-imperialista ianque, acompanharam o corpo do general em marchas fúnebres. Em Ahvaz, a multidão lançou consignas de Morte ao USA!, Morte a Israel! e Morte à Arábia Saudita!, estes dois enclaves serviçais do USA na região. Em Teerã, capital do Irã, a cerimônia arrastou centenas de milhares de pessoas, dentre populares e membros do regime teocrático.

Em um dos pronunciamentos, o aiatolá Ali Khamenei afirmou que “uma vingança feroz” será desatada contra os “criminosos que encheram suas mãos com o sangue desse e de outros mártires”. O presidente iraniano, por sua vez, afirmou: “O martírio de Soleimani redobra a determinação da nação iraniana e de outras nações livres da região de se opor à intimidação do USA”.

O bandido Donald Trump prossegue ameaçando o Irã. Primeiro, ele afirmou que se houver qualquer resposta direta do Irã contra alvos ianques, o Exército do USA promoverá ataques em 52 alvos estratégicos. Noutro momento, ele afirmou que pode empreender um “ataque desproporcional” contra o Irã.

Regime títere exige retirada das tropas

Frente a tamanha repercussão e pressão popular, o parlamento iraquiano – títere de ocupação colonialista do USA – exigiu, no dia 5 de janeiro, o encerramento imediato de todas as atividades de tropas estrangeiras no país, inclusive as tropas ianques. A exigência foi ratificada por votação no legislativo.

O texto que foi votado no parlamento não tem poder deliberativo, ou seja, não tem poder de lei. Porém, o primeiro-ministro, Adel Abdul Mahdi, caracterizou a execução do general e dos outros milicianos como “assassinato político”.

O governo do Iraque afirmou que o bombardeio é “uma violação flagrante da soberania do Iraque e de todas as normas internacionais que regulam as relações entre países e proíbem o uso de seus territórios para executar ataques em países vizinhos”.

Trump, em resposta, ameaçou impor sanções ao Iraque caso prossiga com a proibição de tropas ianques no país. “Vamos impor sanções a eles de modo que eles nunca viram!”, disparou o bandido. E prosseguiu: “Nós temos lá uma base aérea extraordinariamente cara. Custou bilhões de dólares para ser construída, muita antes do meu período [como presidente]. Não sairemos a menos que eles nos paguem”.

O parlamento iraquiano (que foi instituído pelo regime colonial pró-ianque como forma de legitimar a ocupação e ratifica-la por via “democrática”, parlamento com nenhum poder significativo) é, em sua maioria, ocupado por grupos de poder e milícias iraquianas que abandonaram a luta armada de resistência nacional contra o USA e, embora tenham fraseologia anti-ianque, na prática, se renderam à ocupação colonial.

Hoje, as tropas ianques estão no país sob o manto de “combate ao terrorismo” e “a convite” do governo iraquiano. Na prática, os imperialistas ianques impõem a presença de suas tropas desde que derrubaram o presidente legítimo do país, Saddam Hussein, em 2003, colocando em seu lugar lacaios e capitulacionistas que os “convidam”. Hoje, estão no Iraque pelo menos 5,2 mil soldados ianques.

O que está por trás do ataque

O ataque direto do imperialismo ianque contra o comandante militar mais importante do Irã é produto da escalada do conflito entre ambas as forças.

Desde 2018, o imperialismo ianque pressiona e promove ataques ao Irã com o objetivo de obrigá-lo a deixar de apoiar milícias xiitas no Iraque e na Síria. Neste último país, os grupos mercenários financiados pelos imperialistas ianques para desestabilizar e derrubar o regime de Bashar al-Assad (área de influência do imperialismo russo) foram derrotados graças à tríplice aliança do Exército sírio, das Forças Armadas russas e das milícias xiitas financiadas pelo Irã.

Já no Iraque, o regime iraniano – atuando de modo expansionista – exerce também influência através dessas mesmas milícias e de outros grupos de poder atuantes no parlamento e no sistema político. Tal influência cria problemas sérios ao imperialismo ianque, que não conseguiu adquirir controle absoluto sobre o Iraque desde a execução de Saddam Hussein e foi obrigado a retirar o principal contingente de suas tropas em 2011 após a ocupação escancarada alcançar um longo período de duração e alto custo.

Diante desse cenário, os ianques impuseram sanções econômicas ao Irã que se iniciaram mais avidamente desde 2018. Os primeiros alvos foram os setores do petróleo e financeiro iranianos. As sanções proibiam as empresas que realizavam esses negócios com o Irã de atuar no USA, excetuando as empresas de oito países, como China e outros. Depois, em abril de 2019, as sanções foram totais – incluindo os países antes isentos – e também incluíram o setor industrial de metais industriais iraniano.

Na época, as sanções pretendiam fazer o Irã se render a um acordo nuclear que impedisse enriquecimento de urânio, fragilizando e estrangulando o setor de produção de energia e, consequentemente, impedindo a expansão da economia iraniana, tudo como chantagem para que o regime do aiatolá deixasse de atuar na Síria e Iraque.

Em resposta à atitude colonial e arrogante do USA, as milícias xiitas iraquianas passaram a realizar maior movimentação no Iraque e Síria contra a presença ianque. Milícias que em 2014-2017 haviam se unido aos ianques para combater o Estado Islâmico voltaram recentemente a perpetrar ataques e operações contra as forças ianques.

Tendo fracassado sua política de sanções, o USA decidiu atacar o comandante Soleimani, como ultimato para que o Irã se submeta ou precipite-se em uma resposta que conduza a uma invasão imperialista ianque a curto prazo. 

Tal pressão do USA para que o Irã deixe de exercer influência na Síria e Iraque pretende remover tal obstáculo para que o imperialismo ianque prossiga sua guerra na região, visando desestabilizar os regimes submetidos à área de influência russa e substituí-los por regimes lacaios ao USA. O Oriente Médio é uma região estratégica para a economia mundial e os imperialistas disputam a dominação sobre a região, sobretudo por meio de guerras de agressão contra os povos.

O general Soleimani era o chefe militar da Força Al Quds- unidade especial da "Guarda Revolucionária" do Irã. Foto: Lefteris Pitarakis/AP

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