SP: Manifestantes protestam contra o aumento da tarifa do transporte e enfrentam repressão

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Catraca é queimada nos atos contra o aumento da tarifa em SP. 

Foto: Portal Ponte

O primeiro ato contra o criminoso aumento da tarifa do transporte público, foi realizado no dia 7 de janeiro, no centro de São Paulo. Os manifestantes protestaram contra a medida que teve início no dia 1º de janeiro, promovida pelo governador João Dória e pelo prefeito da capital, Bruno Covas, ambos do PSDB. A medida, que elevou a preço da passagem para R$ 4,40 (tarifa unitária) e R$ 7,65 ( tarifa de integração), provocou a fúria da população, que depende diariamente do transporte.

O protesto teve início em frente a sede da Prefeitura de São Paulo.. Os manifestantes seguiram em caminhada até a Avenida Paulista entoando palavras de ordem como “A cidade vai parar se o povo se unir”, “Trabalhador, presta a atenção, a nossa luta é contra o aumento do busão”, “Fecha, fecha, o terminal, pula a catraca”, “pisa ligeiro, pisa ligeiro, quem não pode com a formiga não atiça o formigueiro”. Desde o início do ato, a Polícia Militar (PM) revistava os manifestantes, deixando os escolhidos para a revista, em meio a um cerco feito de policiais.

Por volta das 20h30, uma forte chuva caiu sobre a cidade e os manifestantes tentaram se abrigar dentro da estação de metrô Trianon/Masp, na Avenida Paulista. Próximos às catracas, no entanto, estava uma linha de policiais militares. Em seguida chegou o Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia), tropa que atua no “padrão Rota”, como define o reacionário governador João Dória. Iniciou-se a agressão à diversas pessoas que estavam na estação, a PM usou artifícios como cassetetes, bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta. Em seguida a estação foi fechada. Como resposta a truculência desmedida, os vidros da estação foram quebrados. Os escudos policiais foram atingidos por tinta vermelha.

Depois da forte repressão policial, 32 pessoas foram detidas. Um ônibus do tipo fretado e sem identificação, os conduziu até o 78º DP no bairro Jardins. Três manifestantes assinaram termo de circunstanciado por desacato e dano ao patrimônio e 29 tiveram os dados pessoais coletados. Todos foram liberados na madrugada do dia 08, mais de 6 horas depois das detenções.

“Estávamos no metrô, olhando, e do nada eles [PMs] começaram a fechar a gente. Fizeram uma rota com escudos e gritaram: ‘senta!’. Mandaram um por um para revistar. Quem foi detido no busão, não fez nada. Teve gente que nem estava na manifestação”, afirma jovem que não quis se identificar por  temer represálias, em entrevista ao portal Ponte.

O advogado Marcus Lago, afirmou também ao portal que “eles escolheram três pessoas aleatórias para acusar, aquele procedimento padrão que a gente sabe que a polícia acaba fazendo principalmente no término das manifestações”. Disse ainda: “A forma com que eles tratam as manifestações, o aparato tecnológico e até o preparo físico deles aumentou muito por conta de 2013. Algo que não muda são as prisões arbitrárias, que acontecem justamente no término dos atos para intimidar e desencorajar pessoas a irem para as ruas”.

Ação truculenta da polícia no primeiro ato contra o aumento da tarifa na estação Trianon/Masp, São Paulo. 

Foto: Daniel Arroyo

O segundo ato contra o aumento da tarifa do transporte público aconteceu na tarde chuvosa do dia 9 de janeiro, na Praça da Sé,  novamente no centro da cidade de São Paulo. Centenas de manifestantes seguiram rumo à Estação República do Metrô. No caminho, queimaram uma catraca na frente da Secretaria de Transportes. Os manifestantes afirmaram que não irão aceitar mais um aumento e as centenas de cortes nas linhas de ônibus.

Antes da marcha ter início, dois manifestantes que integravam grupos antifascistas foram abordados pela PM e impedidos de levar para o ato uma bandeira com o símbolo antifascista. “Se pegar a bandeira vai para o DP”, ameaçou. Jornalistas foram revistados durante todo o ato.

Por volta das 19h30 houve uma ação da Polícia Militar contra os manifestantes próximo a Praça da República. Bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha foram atiradas, atingindo a população que usava o transporte público, dentro os atingidos estava uma criança que se perdeu da mãe em meio ao ataque. Os manifestantes responderam com pedradas. Dois manifestantes foram detidos e encaminhados para o 2ºDP no bairro do Bom Retiro. 

Outras duas manifestações estão convocadas para semana que vem, no dia 15 e 16 de janeiro, no bairro do Grajaú e no centro, respectivamente.

Primeiro ato contra o aumento da tarifa em São Paulo. 

Foto: Movimento Passe Livre

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