França: Greve e protestos fazem governo recuar ‘reforma da previdência’

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Milhões de parisienses marcham na maior manifestação da greve contra a “reforma da previdência” francesa, no dia 9 de janeiro de 2020. Foto: Le Parisien, Yann Foreix


Durante a segunda semana de janeiro, nos dias 9, 11 e 12, grandes manifestações ocorreram em toda a França exigindo o fim da nova “reforma da previdência”. Devido à grande rebelião dos trabalhadores, que acontece desde o início de dezembro de 2019, o primeiro-ministro da França anunciou, no dia 11, que recuará em pontos da “reforma” reacionária.

Trabalhadoras participam de protesto da greve contra a reforma da previdência, no dia 9 de janeiro. Foto: Le Parisien, Arnaud Dumontier

No dia 12, a 39° manifestação desde o início da greve foi fortemente reprimida pela força policial que, para dispersar os protestos, utilizou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Os manifestantes, em reação à violência policial, quebraram os vidros de uma agência do banco bilionário HSBC e atiraram pedras contra os agentes da repressão.

Já no dia 11, a manifestação coincidiu com a 61° manifestação dos “coletes amarelos” da França. O Ministério do Interior afirmou que 149 mil manifestantes protestaram na França, sendo 21 mil em Paris. Entretanto, a Central Geral dos Trabalhadores (CGT) anunciou que o número verdadeiro de manifestantes foi 500 mil em todo o país.

Manifestantes fazem um minuto de silêncio no dia 11 de janeiro em homenagem à Cédric Chouviat, trabalhador assassinado pela polícia durante um protesto no dia 3.


Durante o fim da tarde, em Paris, diante da incapacidade de conter a numerosa manifestação, as forças da repressão tentaram dar fim ao protesto, mas foram confrontados pelos manifestantes, sendo obrigados a recuar. Neste dia, 19 pessoas foram presas injustamente em Paris.

Veja um vídeo da manifestação.

No dia 9, segundo a CGT, apenas na manifestação de Paris participaram 370 mil pessoas. Nesse dia, 24 manifestantes foram presos em Paris.

Durante o final da manifestação em Paris, devido à truculência e brutalidade policial em desespero para acabar com o protesto, os manifestantes reagiram quebrando vitrine de lojas de grandes empresas, paradas de ônibus, queimaram latas de lixo e revidaram as agressões policiais atirando pedras contra as forças de repressão.

Foto: Le Parisien, Oliver Corsan

A estação de trem parisiense Gare de Lyon também foi ocupada por trabalhadores ferroviários no dia 9.

Confira aqui o vídeo da ocupação.

Em Bordeux, manifestantes ocuparam a estação de trem Saint-Jean e chegaram a bloquear os trilhos para impedir que o transporte, que já estava em greve, funcionasse parcialmente. A luz na estação também foi cortada por duas horas pelos trabalhadores da energia para impedir seu funcionamento.

De acordo com a empresa SNCF, 32,9% dos trabalhadores ferroviários estavam em greve no dia 9. Dentre eles, 66,6% dos condutores, 57,6% dos controladores e 37,4% dos sinaleiros.

Foto: Le Parisien, Oliver Corsan

Em Nantes, gás lacrimogêneo foi disparado ao meio-dia pela polícia contra manifestantes para dispersar a manifestação que há pouco havia começado. Em Chalon-sur-Saône, um vídeo divulgado na internet mostra policiais reprimindo covardemente manifestantes secundaristas que protestavam em frente a sua escola, Pontus de Tyard. Em Nanterre, advogados grevistas protestaram dentro e fora do tribunal da cidade, bloqueando a entrada para impedir o funcionamento do local.

O jornal Le Monde apurou que os protestos do dia 9 de janeiro tiveram a participação de 220 mil pessoas em Marselha, 120 mil em Toulouse, 30 mil em Rouen, 18 mil em Clermond-Ferrand, 70 mil em Bordéus e 18 mil em Nantes.

Polícia assassina trabalhador durante jornada de protestos

Vídeo mostra a polícia segurando brutalmente Cédric contra o chão. Também, no vídeo, pode-se ver suas pernas tremendo durante a ação.

No dia 5 de janeiro, um entregador de 42 anos de idade morreu após ser detido contra o chão por policiais perto da Torre Eiffel, em Paris. Cédric Chouviat, pai de cinco filhos, foi detido no dia 3 de janeiro, e veio a falecer no hospital 48 horas depois.

A polícia teria detido Chouviat porque acreditava ter visto o trabalhador olhar para o celular enquanto dirigia uma scooter. Um vídeo gravado por telefone celular mostram Chouviat sendo segurado de cara no chão pelos policiais, enquanto suas pernas tremem. A autópsia mostrou que quando ele morreu, 48 horas depois, no hospital, havia sinais de asfixia e de uma laringe fraturada.

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