GO: Polícia assassina dois irmãos em Trindade

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No dia 6 de janeiro na cidade de Trindade, região metropolitana de Goiânia, dois irmãos foram assassinados por policiais do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), sob a alegação de que “em confronto contra os “bandidos”, eles vieram ao solo”, alegou um dos policiais que fez parte dos assassinatos. O pretexto de que os "suspeitos" morrem em troca de tiros é recorrente, embora seja bastante raro notícias de viaturas ou policiais baleados.

Os assassinatos ocorreram próximo aos familiares dos jovens e de outras pessoas que passavam pela rua. Em entrevista aos monopólios de imprensa o pai de Victor de Paula Araujo, de 21 anos e Kaleb de Paula Araujo de 18, alegou que “os policiais entraram na casa atirando, não houve confronto. Meus filhos foram levados com vida, caminhando, para o fundo da casa onde os policiais os assassinaram”, disse ainda que “os policiais não permitiram que ninguém se aproximasse nem filmasse o local”, alem de que “a perícia só foi acionada depois que os policiais limparam o local”, e “depois de quase uma hora do ocorrido a ambulância foi acionada”.

Os policias relataram que foram ao local em decorrência de uma denúncia de tráfico de drogas, que “o local era usado como 'boca de fumo'” e que foram “recebidos a tiros” ao chegarem no local, disseram ainda que após o “confronto” o SAMU e bombeiros foram acionados e que os jovens foram resgatados ainda com vida pelas ambulâncias e levados ao hospital mas não resistiram e vieram a óbito, o que difere muito das falas da família e das pessoas que passavam pelo local.

No dia 11 de janeiro os familiares e amigos de Victor e Calebe juntamente com familiares de outro jovem, Breno Rodrigues Pires do Rego, morto em situação análoga à ocorrida, fizeram uma manifestação repudiando as ações da PM-GO e exigindo justiça. Os familiares  enunciam o mesmo, que não houve troca de tiros e que a vítima foi executada. Denunciam também que o local do crime foi alterado e a demora na prestação de socorro.
A polícia civil, ao investigar o caso, alegou que o local do crime foi alterado, não sabendo ainda se pelos policias ou pelos familiares. As supostas balas disparadas pelos jovens também não foram encontradas, impossibilitando o teste de balística. A polícia civil alega que ainda não é possível afirmar se houve confronto ou não. No dia 15 de janeiro foi realizada nova perícia.

Nesta foram encontrados alguns resíduos de munição que serão periciados para saber se são ou não das armas que os policiais militares entregaram para a polícia civil alegando ser dos jovens. A Ordem do Advogados do Brasil seção Goiás (OAB-GO) acompanha o caso e pede celeridade nas investigações.
Victor de Paula Araujo, de 21 anos e Kaleb de Paula Araujo de 18, irmãos assassinados pela PM em Trindade. Foto: Reprodução
Moradores e familiares protestam contra ação da PM que matou os dois rapazes. Foto: Reprodução.

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