MG: descasos contínuos provocam enchentes, destruição e mortes em mais de 100 municípios

A- A A+

As fortíssimas e sistemáticas chuvas que veem atingindo Belo Horizonte e vários municípios de Minas Gerais desde o último 22 de janeiro já causaram 53 mortes (podendo chegar a 61) e 65 pessoas feridas (dados de 30/01/20). O número de desalojados é de 44.929 e 8.259 tiveram as casas destruídas. No domingo (26/01) o governador Romeu Zema decretou estado de emergência em 101 municípios mineiros. As águas de janeiro que já havia passado a média de mais de 950 mm de água (superior ao índice de todo o ano de 2018), destruiu tudo que se pôs a sua frente. O centro da capital e os luxuosos bairros: Luxemburgo, São Bento, Belvedere, Lourdes, somados com as cidades da região metropolitana: Contagem, Betim, Sabará, Ibirité, dentre várias outras, sentiram a fúria das águas, que ainda hoje persistem.

 As autoridades, tanto do governo do estado, quanto dos municípios alegam que "o volume de água que caiu nesses últimos dias foi muito grande" e que por mais que fizessem não poderiam evitar o ocorrido e falam da violência das águas: "os rios subiram rapidamente e às águas vieram com muita violência, não tivemos como assistir as famílias, são muitas áreas de risco e o povo mora em áreas irregulares e de grande risco de abalos geológicos. Não temos efetivos para atendê-las" ou seja, além de culpar a natureza, culpam também o povo.

A fúria das águas arrastou tudo que encontrou pela frente. Esse fato nos remete a uma famosa frase do grande poeta e dramaturgo alemão Bertold Brecht: "Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem." Contudo, sabemos que a frase não foi elaborada para retratar uma enchente e muito menos justificar erros de projetos e obras superfaturadas, mas para justificar a violência das massas contra os seus algozes ao se levantarem.

De dois em dois anos, o oportunismo eleitoreiro e os demagogos de plantão, lançam mão das farsantes eleições para iludir cada vez mais as massas trabalhadoras, se apresentando como “os salvadores da pátria”. Entretanto, as massas cada vez mais se forjam na luta e diante de cada descaso não abrem mão de queimarem pneus, madeiras e tudo que for inflamável, no caso da perda de seus móveis, erguendo barricadas em chama com o resto dos móveis, colchões e etc., para expressar a revolta diante  das “autoridades”- que logo estumam os seus cães das forças auxiliares de repressão, braços armados do Estado, atacar e reprimir o povo com: bombas de gás, spray de pimenta, balas de borracha, cassetetes e etc.

O velho Estado quer culpar o povo!

Em Belo Horizonte, onde ocorreu o maior número de mortes (13), temos o caso de Maria Estela do Bairro Engenho Nogueira em BH, que após ter sido retirada pela Defesa Civil, voltou para a casa com os três filhos, de 4, 6 e 10 anos de idade. Caso emblemático que alguns devem se perguntar: o que levou essa mãe e três filhos a não aceitar ficar em uma pousada? A resposta, muitos que hoje estão desalojados pela Vale - assassina e terrorista: têm! Casos como esses, tiram o chão das pessoas e por acompanharem de perto vários exemplos ficam com medo de perder o pouco que conseguiram com muita luta e esforço e por isso não se submete a tal medida.

Com certeza, Maria Estela, tentou fazer o melhor aos seus filhos e por isso, tomou tal decisão. A tempestade que acabou com a vida dela e dos pequenos, também levou várias outras, que viviam em situação idêntica. Fatos como esse ocorre, por que o poder público acha que está fazendo favor e sempre que são cobrados, falam que estão “fazendo o possível”.

A violência das águas ceifa as vidas principalmente dos mais pobres, desaloja e destrói as casas, porque a ciência está a serviço de uma minoria, não da humanidade. Enquanto o povo é colocado para morar nos rincões desse país, ou em áreas de risco nas periferias e favelas, sem nenhuma infraestrutura, prefeitos e pretensos candidatos concentram-se em buscar frutos para as próximas eleições.

 O prefeito de Belo Horizonte, disse em 16/11/2018: “Ou se começa uma obra, ou se começa um projeto porque isso me choca, me entristece, e eu acho que é hora da gente chamar a responsabilidade. O Brasil não aguenta isso mais, demagogia que isso está assim há 20 anos, mas eu não sou igual aos 20 anos que passaram. Isso aí fica pra trás, vai ter uma solução". Essa fala comprovadamente demagógica ocorreu quando da ultima destruição provocada pelo transbordamento do córrego Vilarinho. Meses depois não foi só na Vilarinho, mas em toda cidade e passada a demagogia de Kalil, o povo segue desassistido.

Organizar e Lutar!

As massas se revoltam contra a burocracia e o jogo de empurra, pois as prefeituras além de fazer a surrada promessa de “pagar o aluguel” com míseros R$400,00 mensais não realizam as obras de infraestrutura necessárias e sequer apontam uma politica habitacional eficaz para solucionar o problema do povo. Continuam praticando a política antipovo. As massas vão se rebelar!

As massas seguindo o seu instinto de autodefesa, desencadeia a mais justa violência, para chamar a atenção da sociedade para as suas justíssimas reivindicações e é tarefa de todos os democratas e revolucionários desse país, não frear as massas e sim acelerá-las, para que cumpra o seu papel histórico de acabar com opressão e que construa uma verdadeira e nova democracia, para que a ciência atenda a humanidade e que a violência das águas, siga o seu curso natural, pois a justa violência das massas colocará abaixo todos os alicerces da grande burguesia, do latifúndio e do imperialismo, principalmente ianque.

LEIA TAMBÉM

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Matheus Magioli Cossa

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Matheus Magioli Cossa
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Matheus Magioli Cossa
Ana Lúcia Nunes
Matheus Magioli
Rodrigo Duarte Baptista
Vinícios Oliveira