GO: Marcha dos catadores de recicláveis de Goiânia e região metropolitana

A- A A+

A marcha dos catadores de recicláveis realizada na cidade de Goiânia-GO denunciou o descaso que existe por parte da prefeitura da cidade de Goiânia para com a categoria destes trabalhadores.

A marcha se concentrou na praça cívica no setor Central e seguiu caminhando pelas avenidas da cidade até o paço municipal onde se localiza a prefeitura. Cerca de 150 trabalhadores(as) e crianças  fizeram parte da manifestação, caminharam um percurso de 5km acompanhados de carro de som, entoaram canções, palavras de ordem e também vários depoimentos foram relatados pelos manifestantes denunciando o sucateamento dos galpões, a falta de verbas para ajuda de custos, a ingerência da secretaria de meio ambiente, etc.

Uma senhora denunciou que a casa que a prefeitura deu para ela morar com a família está com as paredes rachadas e um buraco se formou na frente da casa, disse que os bombeiros foram no local e condenaram a casa, disseram que a qualquer momento a casa pode desabar, a trabalhadora alegou que não tem outro lugar para morar e que sente muito medo da casa desabar em cima dela e dos filhos. Os dirigentes das associações denunciam ainda que o programa de coleta seletiva, criado e realizado pela prefeitura, utiliza as cooperativas para separar os materiais recicláveis, porém estes materiais que chegam aos locais de separação possuem mais lixo do que material reciclável, tornando a seleção dos materiais muito onerosa, demorada e sem lucratividade, pois os trabalhadores precisam fazer toda a separação e depois de separados os materiais úteis chegam a algo em torno de 30% de tudo o que chega nas associações, com isso alguns trabalhadores chegam a ganhar menos de um salário mínimo por mês. 

As reivindicações que os trabalhadores exigem da prefeitura são:

  1. Realização de uma campanha verdadeira de educação ambiental;
  2. Contratação e pagamento para as cooperativas e associação dos catadores de recicláveis pelo serviço que fazem;
  3. Galpões para estruturação de todas as estações das cooperativas;
  4. Inclusão dos trabalhadores nos programas de habitação e programas sociais da prefeitura;
  5. Retorno do convênio entre prefeitura e cooperativas que atualmente está extinto (um valor de R$2.500,00 por mês era destinado a cada cooperativa para ajuda de custos).

É obrigação da prefeitura e secretaria de meio ambiente a função de limpeza e educação ambiental na cidade.

Um dos dirigentes disse que os catadores de recicláveis trabalham de graça para a prefeitura fazendo a separação dos materiais recicláveis do lixo e a única renda da cooperativa é na venda dos recicláveis.

“As exigências ainda são pela manutenção e estruturação dos galpões visto que um galpão pegou fogo recentemente, outro galpão foi construído mas não possui carrinhos para a coleta dos materiais e muitos outros locais não possuem galpões, os trabalhadores separam os materiais debaixo de sol ou chuva porque precisam ganhar algum dinheiro para levar alimento para suas famílias”, alegou um dirigente.     

Já no paço municipal os manifestantes exigiram uma reunião com o prefeito para mostrar as reivindicações da categoria dos catadores de recicláveis. O prefeito da cidade de Goiânia, Íris Rezende Machado / MDB, não tem costume de receber manifestantes ou fazer reuniões quando estes a reivindicam, mas sendo ano eleitoral a reunião foi realizada naquele mesmo momento, participaram dela os dirigentes das associações e algumas secretarias da prefeitura, mas o prefeito não participou.

Na reunião foram apresentados os problemas pelos quais a categoria passa, a situação das cooperativas e a situação dos catadores nas ruas. Estes são vistos com desdém por parte da população, que não compreende e não reconhece o papel e a necessidade destes trabalhadores, já que parte do que iria para o aterro sanitário é reciclado graças ao trabalho da categoria, ocasionando assim um maior tempo de vida útil do aterro. Os catadores reivindicam a contratação das cooperativas, querem galpões definitivos para as cooperativas, exigem assistência social e moradia para os catadores, porém a SEMAS (Secretaria de Moradia e Assistência Social) não esteva presente na reunião (como se os catadores não precisassem de nenhuma assistência social).

Os representantes da prefeitura disseram que foi o prefeito que começou essa coleta seletiva e que eles estão dispostos a ajudar. Os representantes dos catadores deram um período de 30 dias para a prefeitura dar uma resposta definitiva para as reivindicações da categoria, deram ênfase no convênio que existia entre a prefeitura e as cooperativas e que foi extinto, além de um valor para ajuda financeira das cooperativas, por exemplo para pagar o aluguel dos galpões. A prefeitura disse ainda que fará reuniões entre as secretarias e o prefeito para dar a resposta do que irão ou não fazer.

A categoria deixou claro para a prefeitura que “se em 30 dias a prefeitura não der respostas eles não vão parar”, disse um dirigente, se referindo as manifestações, que “a população está sabendo, pois passou na imprensa, as casas tudo vão saber do que os catadores estão reclamando do prefeito, parou o transito e muita gente viu na rua e esse ano é eleitoral e eles (prefeitura) estão preocupados com isso, mas se não tiver nada de real, concreto para oferecer, nada de real pra melhorar a vida dos catadores nós vamos continuar em marcha”, concluiu o dirigente.

A categoria deixou patente que “mesmo sem uma resposta concreta agora, vamos dar 30 dias e se nada acontecer vamos continuar mobilizados e organizados e já teremos um ato programado para qualquer resposta por parte da prefeitura. Faça chuva ou faça sol, nós vamos marchar”, finalizou o dirigente.

 O Comitê de Apoio ao AND - Goiânia esteve presente apoiando o ato. Foto: Comitê de Apoio ao AND - Goiânia

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

LEIA TAMBÉM

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Victor Costa

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Matheus Magioli Cossa
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ana Lúcia Nunes
Rodrigo Duarte Baptista
Vinícios Oliveira

Ilustração
Taís Souza