RJ: Prefeito culpa povo por alagamentos na periferia e é atingido por lama em protesto

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A cidade do Rio de janeiro sofre mais uma vez uma “tragédia” que já é rotineira. Novas chuvas deixam quatro mortos, um desaparecido, milhares de desabrigados, 21 ruas alagadas, escolas fechadas e casas destruídas.

No dia 1 de março, a chuva que atingiu a cidade deixou, até o momento da publicação desta nota, cinco mortos, diversas casas destruídas, alunos sem aulas, e prejudicou o atendimento nas unidades de saúde. As regiões da cidade mais atingidas são os bairros da zona Oeste e da Baixada Fluminense. 

Em Realengo, 14 carros foram arrastados pela chuva para dentro de um córrego. Foto: Julia Arraes/GloboNews.

Vítimas fatais

 A primeira morte ocorreu no Tanque, Zona Oeste, onde Flávio Silva, de 40 anos, foi retirado já morto dos escombros de um imóvel que desabou após deslizamento de terra.

Na Taquara, uma mulher foi encontrada morta no cruzamento da Rua Apiacás com a Estrada do Tindiba. Ela foi identificada como Vânia Nunes, de 75 anos. A suspeita é que a idosa tenha sofrido uma descarga elétrica ao encostar em uma banca de revista durante alagamento.

Em Mesquita, na Baixada Fluminense. Misael Xavier, 62 anos, morreu em um desabamento na Estrada Feliciano Sodré.

Na Zona Norte, moradores de Acari informaram que um homem de 44 anos morreu afogado no bairro. Segundo a Defesa Civil, a vítima foi levada por moradores para o Hospital Ronaldo Gazzolla, no mesmo bairro. A secretaria de Saúde do Rio ainda não informou a causa da morte.

Em Queimados, na Baixada Fluminense, o jovem Mateus Souza Oliveira, de 21 anos, morreu afogado após ser arrastado pela correnteza do Rio Abel, no bairro Dom Bosco.

Outro desabamento de imóvel foi registrado em Magé, na Região Metropolitana, deixando duas pessoas feridas. As vítimas foram identificadas como Maria R. Mendes, de 22 anos, e Flávio A. Pereira, de 27 anos. Ambos foram levados para o Hospital de Magé. O estado de saúde deles não foi informado.

Transtornos

Segundo informações dos monopólios de imprensa foram registradas 349 ocorrências. As principais demandas foram por desabamento de estrutura (121), ameaça de desabamento de estrutura (63) e deslizamento de barreiras (79) e imóveis com rachadura e infiltração (31). Os bairros de mais atingidos foram Realengo (62 ocorrências), Taquara (36), Campo Grande (31), Bangu (17) e Deodoro (14), todos na Zona Oeste. Em Guaratiba na zona Oeste, a estrada do Piaí segue interditada por causa de alagamentos.

Foram feitos ainda, até a manhã do dia 2 de março, 16 interdições de casas pela Defesa Civil, fato que deixou vários moradores desabrigados.

Em Realengo, zona Oeste, a força da água arrastou tudo que estava pela frente, fazendo com que casas fossem destruídas e 14 carros fosse parar dentro de um córrego, arrastados pela água.

Na favela do Rola, a associação de moradores local informou que 500 famílias tiveram que deixar suas casas.

No Jardim Maravilha o Rio cabuçu-Piraquê transbordou, fazendo com que ficasse difícil diferenciar a rua do leito do rio. 

Ainda na zona Oeste, O museu Casa do Pontal alagou pela oitava vez, e funcionários tiveram que colocar as obras em pontos mais alto para salvar os acervos.

Baixada Fluminense

Na Baixada Fluminense, cinco rios transbordaram o que deixou diversas regiões alagadas.

Na cidade de Mesquita, na baixada, diversas ruas ficaram debaixo d’água e até a sede da prefeitura foi danificada.

Seropédica foi outra cidade afetada pelas chuvas, após diversas ruas terem ficado inundadas os moradores tiveram que se locomover através de botes.

Prefeito coloca a culpa no povo

Como se já não bastasse todas as calamidades que atinge o povo pobre da cidade, a população carioca ainda teve que escutar em entrevista coletiva, o prefeito Marcelo Crivella (PRB) dizer que a própria população é culpada pelos transtornos causados pela chuva no Rio de Janeiro. 

“A culpa é de grande parte da população, que joga lixo nos rios frequentemente” — afirmou cinicamente Crivella, em entrevista ao vivo em Realengo, um dos bairros mais atingidos pela chuva. 

Porém no mesmo momento em que dava entrevista ao vivo para o monopólio de imprensa, Crivella foi atingido no rosto por uma bola de lama atirada por um morador revoltado com o desdém do prefeito.

Crivella já tinha se manifestado, no dia 1 de março, mesmo dia em que as chuvas atingiram a cidade, o prefeito disse em uma rede social que as pessoas preferem morar em encostas e áreas de risco, porque, segundo ele, assim elas gastam menos para comprar tubos para colocar cocô e xixi.

Moradores perderam vários móveis por causa das enchentes. Foto: Julia Arraes/Globonews.

Saneamento básico do Rio é um dos piores do país

O Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UERJ estima que só 35% do esgoto gerado no Rio de Janeiro é tratado. 

No relatório divulgado, dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento – SNIS – de 2019 informam que mais de 100 milhões de brasileiros não conta com coleta de esgoto e 35 milhões sequer têm acesso a água potável. São muitas as doenças e impactos ambientais provocados pela falta de saneamento básico.

De acordo com estudo realizado pela Casa Fluminense, organização que analisa dados oficiais da Região Metropolitana do Rio, mais de 2.200 internações foram registradas em 2018 em virtude de doenças ocasionadas pela falta de saneamento básico.

Cinco municípios da região da Baixada Fluminense estão entre os piores do país na qualidade dos serviços de água e esgoto. São eles: Belford Roxo; São Gonçalo; Duque de Caxias; São João de Meriti; e Nova Iguaçu.

Todos esses municípios estão sob os cuidados da Cedae, menos em São João de Meriti, onde a companhia atua apenas na distribuição de água. Nas outras cidades, a empresa é responsável pelos serviços de água e esgoto.

A cidade de Seropédica, na Baixada Fluminense foi tomada pela água. Foto: TV Globo.

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