Colômbia: Professores e estudantes travam grande greve combativa

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Estudantes enfrentam o Esquadrão de Choque colombiano. Fonte: Ruptly

Grandes protestos estudantis foram desatados na Colômbia na última semana do mês de fevereiro. No dia 25, ocorreram massivos enfrentamentos entre estudantes e a tropa de choque da polícia em diversas cidades do país, incluindo a capital, Bogotá. Os protestos foram uma continuação da greve da educação de 48 horas, que se iniciara no dia 20 de fevereiro.

Em 25 de fevereiro, estudantes e o Esquadrão Móvel Antidistúrbios (Polícia de Choque colombiana, conhecida como Esmad) entraram em confronto na cidade de Soacha (em Cundinamarca), Bogotá (Capital) e Popayán (em Cauca). Em Soacha, estudantes da Universidade de Cundinamarca e da Universidade Minuto de Dios bloquearam algumas das principais estradas da região, queimando pneus e galhos, por volta do meio-dia. Os estudantes protestavam contra o sucateamento das universidades, demissão em massa de professores, e em apoio à greve dos trabalhadores em educação iniciada no dia 20 do mesmo mês.

Com a chegada truculenta da Esmad para dispersar o protesto, os estudantes contra-atacaram com pedras e as chamadas “papa bombas” ou “bombas de batata” (amontoados de pólvora, misturada com outros componentes químicos, enroladas em papel alumínio, que parecem batatas assadas).

Já em Bogotá, perto da filial La Macarena da Universidade Distrital, cerca de 100 estudantes bloquearam a passagem ao longo da Avenida Circunvalar. Sem sucesso, a polícia do Esmad chegou ao local para dispersar os alunos.

O envio das forças da repressão foi o estopim para que se desatasse violentos confrontos entre os estudantes e os agentes de repressão da Esmad. A polícia lançou gás lacrimogêneo e utilizou armas atordoantes, enquanto os jovens responderam arremessando pedras e tijolos. Devido aos enfrentamentos a Avenida Circunvalar ficou bloqueada durante cerca de três horas.

Em Popayán, perto da Faculdade de Educação da Universidade de Cauca, estudantes bloquearam estradas na região e também foram registrados enfrentamentos com a polícia da Esmad.

Enfrentamentos na Universidade de Cauca en Popayán . Foto: Cortesía José Marulanda 

No dia 21 de fevereiro, desde às 15h da tarde, após uma assembleia universitária, os estudantes da Universidade Distrital enfrentaram as tropas policiais que foram lançadas para desmobilizar os jovens. Enquanto alguns jovens resistiam à investida das forças de repressão a partir do edifício de engenharia da instituição, atirando pedras, garrafas e paus, outros respondiam aos ataques em enfrentamentos diretos travados na rua.

Os policiais, por algum momento, conseguiram dispersar os manifestantes, entretanto esses se reorganizaram e voltaram a enfrentar os agentes do velho Estado. Um manifestante e um policial ficaram feridos.

Mais tarde, no mesmo dia, os manifestantes bloquearam a Avenida Caracas em ambas as direções. Alguns veículos foram atacados pelos estudantes revoltados e, pela terceira vez no dia, houve enfrentamentos contra as forças da repressão.

Vários manifestantes, alguns deles feridos, foram detidos.

No dia 20 de fevereiro, data em que começara a greve de 48h, também os professores protestaram contra o assassinato de um trabalhador da educação, repudiaram as ameaças lançadas a mais de 200 profissionais de ensino, além dos assassinatos de líderes de movimentos populares e a imobilidade do velho Estado para punir os agentes da repressão responsáveis pelas mortes. 

Em Bogotá, cerca de 800 professores marcharam até o Ministério do Trabalho.

Apenas no ano de 2019, 14 professores foram mortos por grupos criminosos e mais 900 ameaçados, sendo que em 30 anos, 1.004 professores foram assassinados na Colômbia, de acordo com a Federação Colombiana de Trabalhadores da Educação (Fecode).

Segundo a Fecode, cerca de 340.000 professores participaram da greve exigindo também que o governo cumpra os acordos feitos para aumentar o financiamento da educação e melhorar as condições de trabalho para os educadores.

Esmad adentra território de universidade

No dia 20, a Esmad foi autorizada a intervir, pela primeira vez em oito anos, dentro do espaço ocupado pela Universidade de Antioquia, em Medellín, apesar de o reitor não ter sido consultado. A imoral intervenção ocorreu após estudantes tomarem um setor da cidade universitária, bloqueando estradas, fazendo pichações contra o descaso com a educação pelo governo de turno, e confrontando a Polícia Nacional, que, mesmo sem autorização já havia invadido o território universitário, sendo prontamente rechaçada pelos estudantes.

De acordo com as informações fornecidas pelos “órgãos oficiais” do aparato de repressão e pela prefeitura de Medellín, três pessoas ficaram feridas após a entrada do Esmad: dois oficiais de polícia, um deles que foi atingido por uma “bomba de batata” e precisou ser operado devido à gravidade dos ferimentos, e outro que foi atingido na cabeça com um golpe de bastão; além de um estudante.

"O Esmad entrou e atrás deles estavam policiais de vigilância e quadrantes próximos, além de policiais com cães da unidade anti-bomba", disse o secretário de governo de Medellín, Esteban Restrepo, em um tweet.

O próprio reitor da universidade questionou a “eficácia” da medida de força e assegurou que a prefeitura jamais consultou ele sobre a decisão: “quero deixar claro que em nenhum momento fomos consultados, em nenhum momento autorizamos", disse John Jairo Arboleda Cespedes.

Perguntado sobre se apoiava ou não a intervenção por força na universidade, o reitor afirmou categoricamente: "A resposta sempre foi não, porque não é eficaz, não é eficiente, e também gera este tipo de coisa que você viu". A presença do Esmad gera riscos até para os próprios membros do Esmad. Parece-nos que estas perseguições não geram os resultados que se procuram, a medida não impede, não corrige e, além disso, não diminui os efeitos do que se está a tentar combater".

Os alunos, membros da Assembléia de Estudantes realizada no dia 21/03, denunciaram que os agentes da Polícia exerceram uso indiscriminado da força e, no final da Assembleia pronunciaram-se contra o protocolo do governo local para este tipo de evento, exigindo o fim do Esmad e que o governador de Antioquia, Aníbal Gaviria, se pronunciasse a respeito das covardes agressões contra estudantes e professores.

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