Residentes da saúde fazem paralisação nacional por reajuste nas bolsas e relações de trabalho

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Residentes multiprofissionais em Saúde realizaram paralisações e atos em todas as capitais do país e em algumas cidades do interior contra as precárias condições de trabalho e por reajuste nas bolsas, no último dia 03 de março.

Além das reivindicações, os estudantes denunciam o abusivo aumento da contribuição previdenciária da categoria de 11% para 14% após os cortes de direitos aplicados com a draconiana “reforma” da previdência do governo dos generais  Bolsonaro. 

As bolsas dos residentes da saúde não são reajustadas desde a última greve nacional em 2015. Dados do Ministério da Saúde indicam que no país atuam hoje cerca de 14 mil residentes na área de saúde. O movimento foi organizado pelo Fórum Nacional de Residentes em Saúde (FNRS).

Em Brasília (DF) os estudantes realizaram um ato na frente da sede do Ministério da Saúde. Com palavras de ordem e cartazes denunciaram as precárias condições do ensino e do Sistema Único de Saúde (SUS).

Uma das lideranças do FNRS denuncia que essa situação acaba proporcionando uma superexploração: “São 60 horas semanais. É um abuso. Essa precarização nos faz assumir o serviço de servidores. São agravos nas nossas condições de vida e moradia, porque temos que sair das nossas cidades para fazer a residência em outros territórios”.

Já em Rondonópolis (MT) foi realizado um ato na Universidade Federal. O psicólogo residente, Leonardo de Aguiar, relata que a alta carga horária de trabalho imposta aos residentes acaba prejudicando o atendimento à comunidade: “A reavaliação dessa carga horária também é uma das reivindicações, porque ela é excessiva e acaba por prejudicar o atendimento de qualidade, já que as condições de trabalho não são as ideais. Além disso, alguns serviços não conseguem sequer oferecer todas essas horas.”.

Kátia Moreira, residente em enfermagem, relata que a falta de uma política nacional para as residências também indica as condições precárias enfrentadas pelos estudantes: “Outro ponto é a criação de uma Política Nacional de Residências em Saúde, já que hoje existe somente uma resolução, e não há muita segurança, já que resoluções podem ser dissolvidas facilmente”.

Em Natal (RN), cerca de 80 residentes realizaram um ato com cartazes denunciando a alta carga horária de trabalho a que são submetidos. Valtercio Moreira, um dos residentes, denuncia que apesar de não receberem salários houve aumento na contribuição previdenciária, logo após a contrarreforma da previdência: “Mesmo sendo bolsistas, a gente paga contribuição do INSS. Agora a gente vai pagar 14%, antes era 11%. A comissão da multi está paralisada, nós não temos controle nenhum. Se amanhã quiserem acabar com o programa de residência, a gente não vai poder fazer nada.”.

No Rio de Janeiro a manifestação foi realizada no Largo da Carioca, centro da capital fluminense, e em Campos dos Goytacazes, norte do estado, onde os médicos residentes também paralisaram suas atividades. 

No norte fluminense, o ato foi realizado em frente ao Hospital Plantadores de Cana, com cartazes que também denunciavam a precarização da residência e do SUS.  Kiara Braga, médica residente, relata que o protesto atende a convocação nacional e conta também com apoio dos sindicatos: “Decidimos protestar e seguimos a convocação de greve nacional. Contamos com a adesão de todos os residentes do HPC e obtivemos apoio de sindicatos e conselhos ligados à medicina.”.

Uma das lideranças sindicais dos médicos, José Crespo, relata que mesmo o trabalho do residente sendo muito importante para o funcionamento do SUS o valor das bolsas está cada vez mais defasado: “Esta é uma luta nacional. A bolsa do residente está muito baixa. Ele mora praticamente no hospital. É uma mão de obra importante para o funcionamento das instituições. É preciso valorizar esses profissionais que têm no ideal a formação e a qualificação. Porém, o governo ao longo dos anos, tem diminuído o valor das bolsas. Isto contribui para profissionais mal-formados”

Em Recife (PE), os estudantes interditaram a movimentada Avenida Agamenon Magalhães, no bairro do Derby. Em Belém (PA), os manifestantes se concentraram na frente do Núcleo Estadual do Ministério da Saúde.

A Residência Multiprofissional em Saúde é uma dentre as várias metodologias de formação em saúde, ou seja, uma pós- graduação. Sua principal característica é realizar-se através do trabalho em saúde,  contudo o avanço da precarização do SUS também tem se refletido nos residentes que estão cada vez mais tornando-se força de trabalho subvalorizada em substituição dos profissionais que deveriam ser empregados. 

Em Natal (RN), cerca de 80 residentes realizaram um ato com cartazes denunciando a alta carga horária de trabalho a que são submetidos. Foto Anthony Medeiros

Em Recife (PE), os estudantes interditaram a movimentada Avenida Agamenon Magalhães, no bairro do Derby. Foto: Redes Sociais

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