MG: Barricada é erguida em protesto contra execução de coordenador de ocupação pela PM

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Moradores revoltados com a execução de Daniquel, fecharam a BR-050 e 365. Foto: MTST

Moradores de ocupação urbana de Uberlândia (MG) atearam fogo em pneus e bloquearam o trecho entre a BR-365 e a BR-050 em protesto de repúdio ao assassinato de Daniquel Oliveira dos Santos, coordenador da ocupação Fidel Castro, dia 05 de março.

A manifestação ocorreu no mesmo dia da confirmação da execução do militante popular que tinha 41 anos e há três era coordenador da ocupação, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST).

Durante a manifestação, o Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM) atirou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os moradores ferindo três pessoas..

Segundo informações, Daniquel foi alvejado por policiais militares após subir em um poste de uma das casas da ocupação, na madrugada do dia 5.

Jairo dos Santos Ferreira, que é coordenador regional do MTST e morador da ocupação, contou em depoimento ao Ministério Público que estava com Daniquel no momento em que a PM chegou ao local.

Segundo ele, um grupo de quatro moradores estava fazendo a manutenção da rede de energia, quando os policiais chegaram atirando: “A gente tem certeza que ele (Daniquel) foi assassinado pela polícia. Ele teve que saltar da escada e teve que sair correndo porque a polícia já chegou atirando. Em nenhum momento abordaram ou pediram para descer da escada. Já chegaram atirando. A gente está reivindicando justiça, porque a gente não aguenta mais essa polícia que serve para reprimir e matar o povo pobre", afirmou o morador.

Jairo ainda denuncia que a PM mudou a versão sobre o assassinato de Daniquel: “Cada vez mais a gente confirma que Daniquel foi assassinado. Os trabalhadores não portavam armas. Eles só tinham a escada e alicate para arrumar a energia. Além disso, quando a gente chegou na delegacia para falar com o companheiro que foi preso, ele não sabia onde Daniquel estava. Dá a entender que cada um foi levado para um lado pela PM.".

Além da comprovação do crime de execução, o relato de Jairo leva à crer que antes de ser assassinado, Daniquel foi barbaramente torturado.

Jairo contou que quando foi ao Instituto Médico Legal (IML) para reconhecer o cadáver de Daniquel o corpo estava com dentes quebrados, hematomas no rosto e abdômen, parte da orelha decepada e marcas circulares nos punhos que pareciam compatíveis com algemas.

- A polícia alega que foi troca de tiros. Se fosse troca de tiros, o corpo estaria lá no acampamento. Não tem nenhuma marca de sangue lá. O corpo foi achado como indigente de manhã. Ele estava no poste, desceu, correu e foi pego pela polícia. Certamente foi executado fora de lá, pois não tem marca de tiro lá, não tem sangue no local. Tem marca de algema no braço", afirmou o advogado da Comissão Pastoral da Terra em Uberlândia, Igino Marcos.

 Moradores montaram barricadas e queimaram pneus. foto: Diário de Uberlândia/Divulgação

MTST usou as redes sociais para homenagear Daniquel, que foi executado pela PM. Foto: MTST

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