Milhares de migrantes são atacados na fronteira entre Turquia e Grécia; refugiados são assassinados

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Migrante fica em frente à segurança da fronteira turca/grega enquanto policiais utilizam bombas de gás

Milhares de imigrantes se aglomeram em condições subumanas na fronteira entre a Turquia e a Grécia, após o governo do ultrarreacionário Erdogan anunciar que não impediria mais os migrantes de atravessar a fronteira turca, desde o dia 29 de fevereiro. 

Sofrendo constantes abusos e repressão dos agentes do velho Estado da Grécia, um homem morreu após o disparo de arma de fogo contra os migrantes, e uma criança afogou-se durante a travessia pelo Mar Mediterrâneo, segundo dados oficiais. De acordo com relatos dos migrantes e “autoridades” turcas, o número de refugiados feridos por arma de fogo poderia chegar até cinco.

Migrantes tentam atravessar a fronteira turca/grega no dia 29 de fevereiro

As “autoridades” gregas declararam haver cerca de 32 mil pessoas ao longo da fronteira terrestre greco-turca no dia 4 de março. Afirmaram ainda que, entre os dias 29/01 e 04/03, haviam impedido 27.832 tentativas de travessia da fronteira e, um total de 231 pessoas (majoritariamente afegãos) que conseguiram atravessar haviam sido presas.

O velho Estado grego comunicou ainda que os presos foram transportados para centros de internação e os condenados por entrada ilegal transferidos para “instalações correcionais”. Os tribunais gregos estão sentenciando os migrantes que ultrapassarem a fronteira a severas penas de quatro anos de prisão sem possibilidade de liberdade condicional, além de uma multa de 10.000 euros (11.163 dólares), conforme registram os documentos publicado pelo governo.

Pessoas resgatam migrantes que tentavam atravessar o rio Evros, durante temperaturas negativas, no dia 1° de março

A proibição da entrada dos migrantes tem motivado grandes protestos na fronteira, os quais têm sido barbaramente reprimidos pelas forças da repressão gregas com gás lacrimogêneo, bombas atordoantes e canhões de água.

O site investigativo Bellingcat denuncia ainda que os projéteis de gás lacrimogêneo lançados pelas forças de repressão gregas são de longo alcance, ou seja, deslocam-se mais rapidamente e têm formatos pontiagudos, características essas que aumentam a letalidade dessas armas.

Como consequência da bárbara repressão, na manhã no dia 2 de março, uma criança morreu após um barco que transportava migrantes ter virado nas águas próximas da ilha grega de Lesbos. Acredita-se que esta teria sido a primeira morte registrada desde que a Turquia anunciou a abertura das suas fronteiras com a Europa, na última semana de fevereiro.

Um barco transporta refugiados entre a fronteira Grécia/ turquia

O barco improvisado transportava 48 pessoas e estava acompanhado pela guarda costeira turca quando entrou nas águas gregas. Segundo comunicado das “autoridades” gregas, os passageiros teriam "derrubado o barco" propositalmente ao serem abordados pela guarda. Nesta mesma declaração também alegam cinicamente que esta seria uma "tática comum" usada pelos migrantes para “forçar um resgate”. 

Entretanto, diversos vídeos mostram a guarda costeira grega atirando contra migrantes em barcos, e empurrando-os com barras de ferro.

Dos passageiros, 46 foram "recuperados ilesos" e duas crianças inconscientes foram levadas ao hospital em Lesbos, uma das quais morreu mais tarde.

Polícia detém um jovem migrante após enfrentamentos no campo de refugiados de Moria, na Grécia, considerado o com as piores condições do mundo.

Já durante confrontos no do dia 04/01, os repórteres que registravam os protestos do lado grego da fronteira, perto da passagem de Kastanies, relataram ter ouvido disparos de armas de fogo e, logo em seguida avistaram um grupo de migrantes carregando um pessoa enrolada em um cobertor, até um posto fronteiriço turco. Pouco tempo depois, ambulâncias foram ouvidas. 

Repórteres que atuavam do lado turco da fronteira registraram pelo menos quatro ambulâncias saindo do local.

O chefe dos serviços de emergência do Hospital Universitário Trakya de Edirne, Burak Sayhan, relatou aos jornalistas que seis pessoas tinham dado entrada no departamento de emergência no dia 04/03, incluindo uma que já havia chegado sem vida. O médico informou ainda que uma das pessoas atendidas tinha sido baleada na cabeça, duas tinham ferimentos de bala nos membros inferiores e superiores e uma quarta tinha fraturado o nariz.

Um dos feridos, Adel Jaberi, do Irã, denunciou à Reuters: "Atiramos-lhes pedras [forças gregas] porque eles não abriram a fronteira. Então eles atiraram gás lacrimogêneo. Como o gás lacrimogêneo não era eficaz, eles pegaram os fuzis e atiraram em nós com os fuzis".

Migrantes tentam atravessar a fronteira turca/grega no dia 2 de março.

Três homens (migrantes do Afeganistão e Senegal) denunciaram, em entrevista à emissora do monopólio britânico BBC, que as forças gregas tinham assassinado a tiro dois sírios no dia 03/03. Também dois oficiais turcos declararam à Reuters que as forças gregas haviam assassinado um homem sírio perto da cidade fronteiriça turca de Enez, no dia 02/03. 

O governo grego do reacionário Prokopis Pavlopoulos classificou essas denúncias de "notícias falsas".

Enquanto isso, no dia 04/03, as forças de repressão turcas dispararam gás lacrimogêneo contra a polícia grega, fazendo jus à declaração hipócrita do arquirreacionário presidente turco Recep Tayyip Erdoğan, que afirmou: “Os gregos tentam todo o tipo de métodos para manter os imigrantes longe dos seus países [Europa] - desde afogá-los no mar à atirar contra eles com balas - não devem esquecer que um dia podem precisar de ter a mesma misericórdia".

Homem descansa após conseguir sobreviver a travessia da fronteira entre turquia e Grécia

Um oficial do exército grego detém imigrantes na aldeia de Ardanio, na fronteira greco-turca, na quarta-feira, 4 de março de 2020.  Foto: AP Photo/Giannis Papanikos.

Um bebê chora enquanto migrantes se reúnem ao lado de um rio em Edirne, na Turquia, perto da fronteira greco-turca, na quarta-feira, 4 de março de 2020. Foto: AP Photo/Darko Bandic.

Entendendo a crise

A Turquia abriga, atualmente, 3,7 milhões de refugiados expulsos de seus países de origem pela guerra imperialista na Síria. 

Após a “crise de imigração” na Europa ocorrida em 2015, o governo turco assinou um acordo com a “União Europeia” (UE), o qual permitia a recepção de imigrantes em território turco com o objetivo de diminuir o fluxo migratório para Grécia, porta de entrada para a Europa. 

No acordo, a Turquia recebeu milhões de Euros. Entretanto, em declarações emitidas pelo ultrarreacionário Erdogan sobre a decisão de abrir a fronteira turca, afirmou no dia 2/03: “Está feito, os portões estão abertos",  "Vocês [Europa] terão a sua parte deste fardo agora.".

Em contrapartida, a Comissão Europeia elogiou a Grécia como "o escudo" nas fronteiras da Europa, em meio a diversas denúncias de abusos e atrocidades cometidas pelas forças de repressão gregas.

Migrantes se abrigam em condições miseráveis no posto de fronteira de Pazarkule.

Migrantes se reúnem na fronteira de Pazarkule quando tentam entrar na Grécia vindos da Turquia, em 29 de fevereiro.

Refugiados na Turquia embarcam em autocarros que vão para a fronteira com a Grécia, no sábado, 29 de fevereiro.

A sina expansionista turca

Mapa da fronteira entre Grécia e Turquia

Erdogan, presidente do governo de turno na Turquia, como representante das classes dominantes do país, leva à cabo seus objetivos expansionistas ultrarreacionários de retomar a posição turca como uma “grande nação”, contando com a sina fascista em reviver os tempos do antigo Império Otomano. 

A abertura de suas fronteiras serve não somente para pressionar o bloco europeu (UE) à prestar mais apoio ao país e sua grande quantidade de imigrantes, mas também para colocar a Grécia (que há tempos se vê em uma profunda crise) como alvo de seu expansionismo, visando agudizar ainda mais as contradições no país europeu com o envio de massas de migrantes miseráveis. 

Há muito tempo Erdogan se posiciona militarmente contra seus vizinhos Grécia e Chipre, no Mediterrâneo Oriental, perfurando na Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do Chipre com o apoio da sua Marinha, ou violando regularmente o espaço aéreo da Grécia.

Exemplos dessa posição agressiva expansionista de Erdogan contra seus vizinhos não faltam. Em conversas internas com seus constituintes, o ultrarreacionário tem afirmado repetidas vezes que, como algumas ilhas gregas estão a uma “distância auditiva” da Turquia, deveriam pertencer ao domínio turco. 

O governo de turno de Erdogan chegou ao ponto de, inclusive, criar um mapa da "Pátria Azul", o qual inclui como parte do território turco partes da Grécia e dos Balcãs, mais da metade das ilhas gregas e um grande pedaço da Síria.

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