Crise do capitalismo burocrático: África do Sul entra na segunda recessão em dois anos

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Moradores caminham entre os barracos da favela de Diepsloot, um dos bairros mais pobres de Joanesburgo na África do Sul. Foto: Melanie Stetson Freeman/The Christian Science Monitor/Getty Images

A África do Sul entrou em sua segunda recessão em dois anos, no último trimestre do ano de 2019, segundo pesquisas divulgadas no dia 3 de março. A Statistics South Africa disse que a economia diminuiu 1,4% no quarto trimestre, após uma contração de 0,8% no terceiro trimestre. A agricultura caiu 7,6%, os transportes 7,2%, a construção 5,9%, a eletricidade 4% e o varejo 3,8%, mostram os dados.

Mesmo grandes burgueses na África do Sul, também, têm cada vez mais encontrado dificuldades em escoar a produção e aumentar seus lucros, uma vez que as massas empobrecidas gastam sua renda apenas com alimentos, deixando setores como a eletrônica sem mercado.

Entretanto, como em toda a crise, são os pequenos e médios proprietários (que perdem seus negócios durante a crise, incapazes de concorrer com os monopólios) e os pequenos comerciantes (geralmente empurrados ao trabalho informal) que mais sofrem. “É difícil”, disse Lesley Nkosi, de 62 anos, ao monopólio de imprensa Reuters. A senhora, que vende frutas e verduras na calçada de uma rua a poucos quarteirões do Union Buildings de Pretória (capital da África do Sul), prossegue: “Desde o ano passado, tenho notado que as pessoas não estão comprando tanto quanto costumavam comprar. Elas não têm dinheiro”.

Os bancos no país, um dos causadores da crise, também têm feito manobrar para aumentar seus lucros e estão cada vez mais tendo que transferir seus negócios para outros lugares da África para manter seu desempenho. O Nedbank (NEDJ.J), um dos quatro maiores bancos da África do Sul, relatou no dia 03/03 uma queda de quase 7% no lucro do ano anterior e reviu uma meta-chave de rentabilidade, à medida que o agravamento da economia empurra à inadimplência e reduz o seu lucro.

Na semana passada, o Tesouro Nacional reduziu sua previsão de crescimento econômico para 2020 para 0,9%, e disse que iria diminuir os salários dos funcionários públicos para “conter um déficit orçamentário crescente”.

A semicolonialidade e o impacto na economia

A receção no país manifesta a sua condição semicolonial em relação aos países imperialistas, sendo a maioria dos produtos exportados pelo país o ouro, diamante, platina e outros metais e minérios brutos. Em contrapartida, os produtos mais importados pelo país, devido à dominação sobre a indústria local, são maquinários, equipamentos, produtos químicos, derivados de petróleo, instrumentos científicos e alimentos. 

Devido a essa relação comercial semicolonial, as exportações do país atingem o valor de 69.1 bilhões de dólares, enquanto que as importações batem o valor de 73.7 bilhões de dólares (dados de 2016), quadro que agrava o estrangulamento da economia nacional e sua fragilidade.

Dados de 2012 também mostram que, entre muitos “parceiros comerciais”, a África do Sul mais importa do que exporta: com a China, o país importa 14,4%, e exporta 11,8%; com a Alemanha, exporta 5,7% e importa 10,1%; entre outros.

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