Mulheres guaranis: Governo é exterminador e capitalismo 'não interessa ao nosso povo'

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I Encontro Nacional das Mulheres Indígenas Guarani Yvyrupa reuniu mais de 300 mulheres, em Santa Catarina. Foto: Kunhangue Yvyrupa

Mais de 300 indígenas de diversos estados brasileiros realizaram no litoral de Santa Catarina, entre 5 e 8 de março, o 1º Encontro Nacional das Mulheres Guarani. Com o tema Kunhangue Arandu Rupi Nhemboejerovia, que significa “Nosso Território é Nossa Mãe”, o evento reuniu a pauta internacional do dia de luta das mulheres (Dia Internacional da Mulher Proletária, domingo, 8) com os movimentos de resistência da tribo. Jovens e anciãs de SC, RS, PR, SP, RJ, ES e MS vivenciaram palestras, rezos, cantos sagrados e troca de saberes (incluindo intercâmbio de sementes variadas e de plantas medicinais).

Ao final da assembleia foi elaborado um Manifesto, cujos trechos principais, resumidos e adaptados, são: “(...) O jeito como vive o juruá (a pessoa não-indígena, o branco), com a ganância capitalista, colocando o dinheiro na frente do próprio ser humano, tratando nossa terra e suas mulheres como mercadoria, não nos interessa. (...) Sabemos de nosso direito de acesso à justiça e exigimos que seja cumprido, mas não acreditamos que o sistema de justiça dos juruá possa, sozinho, ser a solução para nossos problemas. Precisamos de mais instrumentos nessa luta, precisamos fortalecer nossas falas. (...)embora honremos a Lei Maria da Penha, nas aldeias ela costuma ser ineficaz (na prática cotidiana dessas comunidades, não funciona). Não fomos ouvidas para pensar esta Lei. Nossas dificuldades (específicas) não foram levadas em conta. (Queremos aqui) manifestar nosso repúdio à legislação anti-indígena que tem sido criada pelo governo ruralista de Jair Bolsonaro, militarizando os órgãos indigenistas como a FUNAI e precarizando os serviços oferecidos a nós. (...) O Estado brasileiro tem agido para exterminar nosso povo e nossa terra, anunciando seu apoio explícito ao agronegócio, que envenena nossas terras e nossos corpos. (...) Contra esse tipo de violência continuaremos resistindo. Nós que sempre cuidamos da Yvyrupa (Terra/TerritórioTradicional) não compactuamos com este governo de destruição. (...) Saímos desse Nhemboaty (Encontro) mais fortes e conscientes de que (ele)marca uma longa caminhada que continuaremos a fazer juntas: a luta é urgente e para agora, é pelas mulheres que vivem hoje mas é também pelas que estão por vir. Viva o Povo Guarani! Demarcação Já!”.   

LUGAR DE BATALHA

O evento foi realizado na Tekoa Jataí Ty, aldeia localizada no município de Balneário da Barra do Sul, no bairro Conquista. A escolha teve uma simbologia. Primeiro porque aquela comunidade costuma enaltecer o papel de uma líder exemplar, a cacica Arminda Ribeiro. Em segundo, porque a aldeia de Conquista envolveu muito empenho para existir como área indígena.

Usando a surrada tática de colocar povo contra povo, o velho Estado jogou várias famílias humildes contra os guaranis no momento de legalizar a aldeia. Aquela zona, no litoral norte de SC, teve antiga presença indígena, porém no correr do tempo foi ocupada por outros supostos “donos”, como foi o caso da empresa Stein. Acusada em ação trabalhista, a Stein viu um de “seus” terrenos, em Barra do Sul, receber famílias não-índias, necessitadas de moradia, enquanto a FUNAI dava andamento ao estudo e legalização da terra indígena, no mesmo local.

Em junho de 2010 o Ministério da Justiça, através da portaria 953, reconheceu e demarcou ali a terra dos guaranis. E em 2014 a FUNAI obteve licença de despejar 63 moradores brancos. Embora todos fossem receber indenizações do governo federal houve descontentamento e a polêmica colocou parte da população do bairro contra os índios.

As mulheres Guarani reunidas entre 5 a 8 de março na Tekoa Jataí Ty em Conquista, Balneário Barra do Sul (SC). Foto: Kunhangue Yvyrupa

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