Economia mundial rumo à depressão: coronavírus esconde a crise do imperialismo

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Foto ilustrativa

A produção industrial e as bolsas de valores do mercado financeiro desabaram no início de março em praticamente todo o mundo. O estopim, segundo propagandeia o monopólio de imprensa mundial, é a expansão do coronavírus. Porém, na verdade trata-se da crise de superprodução relativa de capital.

Só o coronavírus não poderia causar tamanho impacto na economia mundial. A razão da paralisação da reprodução do capital é o próprio capital. O portal Crítica da Economia, citando jornais da própria reação, observou que o coronavírus é hoje menos letal do que a gripe. “Dados internos da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, neste ano de 2020, a popular gripe da temporada (seasonal flu) já causou muito mais vítimas fatais (76.537 mortes) que o novo coronavírus (2.812 mortes); ou seja, nossa conhecida e familiar gripe de cada dia já matou 2.720% mais pessoas que o misterioso novo coronavirus”.

O principal afetado pela pandemia e pela superprodução é o social-imperialismo chinês. Várias regiões do país estão em quarentena e algumas indústrias, segundo notícias veiculadas pelos monopólios de imprensa mundiais, fecharam completamente suas atividades. A paralisação da produção afeta em consequência as encomendas dos comércios e o consumo das famílias, ocasionando queda nos preços e prejuízo aos capitalistas chineses e aos demais. Porém, antes mesmo da epidemia, no segundo trimestre de 2019, a economia chinesa já havia tido o menor ritmo em quase três décadas. Prova de que o vírus não é a causa da crise, apenas agrava, sendo o causador da crise o próprio capital.

O principal afetado pela pandemia e pela superprodução é o social-imperialismo chinês. Várias regiões do país estão em quarentena e algumas indústrias, segundo notícias veiculadas pelos monopólios de imprensa mundiais, fecharam completamente suas atividades. A paralisação da produção afeta em consequência as encomendas dos comércios e o consumo das famílias, ocasionando queda nos preços e prejuízo aos capitalistas chineses e aos demais. Porém, antes mesmo da epidemia, no segundo trimestre de 2019, a economia chinesa já havia tido o menor ritmo em quase três décadas. Prova de que o vírus não é a causa da crise, apenas agrava, sendo o causador da crise o próprio capital.

Já a produção de smartphones deve cair pelo menos 12% no primeiro trimestre de 2020 se comparada ao mesmo período de 2019, segundo relatório da empresa de análise Trendforce. Esse será o pior resultado da produção do ramo em cinco anos para o primeiro trimestre.

Outros ramos semelhantes, como produção de notebooks, monitores, televisões etc. também devem sofrer redução de produção em milhões de unidades.

Imperialismo gera caos e desordem

Grandes monopólios internacionais já emitiram alertas sobre quedas na massa de lucro.

A Apple, por exemplo, afirmou que não alcançará a meta de faturamento estipulada para o primeiro trimestre e atribuiu tal fato ao coronavírus.

Mastercard, United Airlines, Toyota, Danone e outros monopólios fizeram alertas semelhantes.

A Petrobras, no Brasil, afirmou que terá dificuldades no primeiro trimestre em razão da queda no preço internacional do petróleo, puxada pela concorrência entre Rússia e Arábia Saudita e pela baixa na demanda industrial.

Só no dia 12/03, as ações da Petrobras tiveram uma queda de 19,1%

Indústrias instaladas no Brasil, como a fábrica da LG em Tatuapé (SP) e da Samsung e Motorola, em Campinas, paralisaram a produção por falta de componentes eletrônicos provenientes da China, como chips, circuitos integrados e outras peças.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), metade das empresas relataram ter problemas para receber os insumos e componentes vindos do social-imperialismo chinês.

Outros monopólios locais sentem já a crise. A Gol, por exemplo, teve queda de 29,3% em suas ações na Bovespa (B3). A Latam, por sua vez, reduziu em 30% a circulação de aviões pela baixa na demanda.

O governo Bolsonaro/generais já discute um “pacote de socorro”, com isenção fiscal generosa, enquanto ignora o fato de as massas populares estarem sujeitas a uma grande piora nas suas condições de vida.

Já o preço internacional de outras importantes commodities para o capitalismo burocrático brasileiro também está em queda livre. A soja, que representa mais de 30% das exportações para a China, é uma das mercadorias com forte queda nos preços, juntamente com o minério de ferro (21% das exportações).

Crise de superprodução

A ocorrência do coronavírus é apenas um fato que agrava a economia. Porém, atrás desse fato já há uma superprodução relativa de capital latente.

A crise de superprodução relativa de capital ocorre quando a produção de capital extrapola em demasia a capacidade de consumo da sociedade definida, em última instância, pela contradição entre o caráter social da produção e a apropriação capitalista do produto.

Para se ter uma noção, o desemprego no USA atingiu um recorde de baixa: 3,5% de desemprego em outubro de 2019, o que equivaleu praticamente a “pleno emprego”. Foi o menor índice dos últimos 50 anos, puxado pela diminuição na taxa de juros, que impulsiona o crédito para a produção. Porém, em outubro, a criação de novos postos de trabalho na indústria diminuiu pela primeira vez em seis meses, embora a produção tenha crescido 1,1% em novembro. É um aumento enorme da produção global, que cresce desproporcionalmente ao acréscimo da capacidade de consumo global. A crise de superprodução é a consequência inevitável. Prova disso é que todos os economistas preveem que a economia ianque vai desacelerar a curto prazo, isto é, não encontrará mercados para continuar sua expansão.

Dando sinais disso já no dia 12/03, a bolsa de Nova Iorque (Dow Jones) teve forte queda de 8,4%.

Isso, porém, não é tendência só no USA. No Japão, especificamente, o PIB despencou em 6,3% no trimestre outubro-dezembro de 2019. Alemanha, uma das mais poderosas economias, desabou em 7% sua produção industrial no ano passado (antes do coronavírus). A queda da economia real é que determina a queda na bolsa.

Como reflexo, no dia 12/03, importantes bolsas do mundo (Londres, Paris e Frankfurt) tiveram quedas violentas: 10,8%, 12,28% e 12,24%, respectivamente.

A B3, no Brasil, chegou a perder 14,4% apenas nesse dia. Em pouco mais de um mês, comparando o período entre a última máxima histórica e o dia 12/03, a queda é de 40%, muito pior do que a da crise de 2008.

Aos povos, a crise trará desemprego massivo, grande queda salarial, maiores jornadas e outras mazelas. Isso empurrará grandes massas à luta e pode abrir um período de radicalização da luta de classes espontânea e consciente.

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