PR: Indígena Avá-Guarani é covardemente assassinado em emboscada

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No dia 8 de março, o indígena Avá-Guarani Virgínio Benites, de 24 anos, foi assassinado e Lairton Vaz, de 18 anos, Felix Benites e Everton Ortiz, de 20 anos, foram gravemente feridos depois de uma emboscada feita por pistoleiros na Vila Ponte Nova, município de Diamante do Oeste no Paraná. 

Após participarem de uma partida de futebol na cidade vizinha a Ponte Nova, os jovens da comunidade Avá-Guarani de Añetete e Itamarã foram atacados por volta das 20h quando se retiraram da região do evento.

Um grupo de pistoleiros formado por cinco pessoas já identificadas pelos Avá-Guarani e uma desconhecida, trancaram a estrada, derrubaram os jovens das motos e iniciaram um ataque covarde com um facão, duas facas uma espingarda, porretes e pedras. Dois dos jovens levaram golpes de facão no crânio e um deles foi continuamente atingido por facada nas costas. Os outros dois conseguiram se defender com o antebraço, porém levaram golpes no abdômen. Um dos jovens atingido com uma pedra na cabeça, foi parar a UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) e terá que se submeter a cirurgias. A moto de Virgínio foi roubada após o assassinato.

Video: https://cimi.org.br/wp-content/uploads/2020/03/morte_virginio.mp4?_=1

De acordo com a afirmação das lideranças, ao Observatório da Temática Indígena na América Latina (OBIAL), o objetivo do ataque era matar os Guaranis, não importando quem. Durante os dias seguintes ao assassinato e tentativas de assassinato, o mesmo grupo cercou e infligiu diversas intimidações e ameaças às testemunhas e toda à comunidade. Na noite de 14 de março, tentaram um ataque armado sobre a comunidade, as famílias fugiram e se esconderam na mata e casas nas redondezas.

O papel do velho Estado

Uma liderança Avá-Guarani afirma em entrevista ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi): “Os policiais foram até a casa onde estavam os agressores. Depois foram embora, mas os indígenas os chamaram de volta. Pediram para ajudar os feridos. O Samu levou quase 1 hora e meia para chegar. O Virgínio faleceu logo após chegar ao hospital”.

O processo que deveria ser encaminhada pela Polícia Civil de Santa Helena, está estagnado há mais de dez dias e segundo o delegado responsável o motivo é a falta efetivo. Nenhuma prisão preventiva foi emitida.

Perseguições, ataques e assassinatos e a luta pela terra

Os ataques se intensificaram aos indígenas, especialmente na região do oeste do Paraná desde 2004 quando os Avá-Guarani retomaram as terras em Guaíra e Terra Roxa. Neste ano também foi fundado o Tekoha Marangatu nas margens do rio Paraná, em território que foi posteriormente reivindicado como área de preservação pela Usina de Itaipu. Existem mais de 14 tekohas nestes municípios.

As aldeias Itamarã e Añepepe são terras destinadas às comunidades indígenas desalojadas e expulsas pela construção da usina hidrelétrica Itaipu Binacional. 

Conforme relatado pelo AND, um indígena Avá-Guarani foi assassinado a pauladas e pedradas em Guaíra. Outro jovem da mesma etnia foi atacado por paramilitares na mesma região após sair de uma reunião com a Coordenação Técnica Regional da Fundação Nacional do Índio (Funai).

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Enterro de Virgínio, jovem Avá-guarani assassinado covardemente dia 8 de março. Foto: Povo Avá-Guarani

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