Um milhão de pessoas na Amazônia vivem sem energia elétrica, afirma estudo

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Um estudo organizado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), realizado ao longo de 2019, constatou que cerca de 1 milhão de pessoas na Amazônia Legal ainda vivem sem acesso a energia elétrica. O instituto utilizou uma metodologia analítica georreferenciada que permitiu um panorama de povos indígenas, povos quilombolas e camponeses.

No Pará são cerca de 400 mil pessoas sem acesso a energia elétrica em todo o Estado, enquanto no Amazonas são cerca de 160 mil pessoas. As cidades de Breves (onde a pesquisa constata que mais da metade do total da população vive sem energia elétrica), Portel, Curralinho, Melgaço, Ponta de Pedras, Limoeiro do Ajuru e Bagre localizadas na Ilha de Marajó no Pará foram constatadas com a maior população sem acesso a energia elétrica. No Amazonas foi constatada a cidade de Coari, no Acre Sena Madureira enquanto em Rondônia foi Guajará – Mirim.

Um dos pesquisadores, Vinícius de Sousa, relata que a energia elétrica provoca grande impacto de melhoria na qualidade de vida de todas as pessoas, mas principalmente dos camponeses da Amazônia, inclusive em questões de saúde pública. “O acesso à energia elétrica tem impacto significativo na qualidade de vida das comunidades, pois pode permitir a ampliação de atividades produtivas, além de trazer benefícios como refrigeração de vacinas, medicamentos e alimentos, bombeamento de água potável, iluminação para estudo noturno, uso de computadores em escolas, entre outros”

Essa é mais uma pesquisa que constata as condições semi – feudais vivenciadas pelos trabalhadores e camponeses da Amazônia que se agravam mais ainda no interior. Dentre as cidades paraenses citadas, Curralinho e Melgaço são apontadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na lista das cidades mais miseráveis do país. Já a cidade de Coari (AM), apesar de ser o único polo de exploração de petróleo na Amazônia, tem camponeses vivendo em condições de pobreza muito semelhantes às demais. Contexto de pobreza este que também não muda tanto nas demais cidades citadas, conforme constatam diversos indicadores de saúde e educação do IBGE.

Ao longo dos anos o Velho Estado vem transformando a Amazônia em uma região de grande produção de energia elétrica. As usinas hidrelétricas são consideradas com um dos grandes projetos da Amazônia e iniciaram durante os governos civil – militares, mas se intensificaram durante os gerenciamentos oportunistas. Atualmente estão presentes na região as maiores usinas hidrelétricas nacionais. A usina de Tucuruí no Pará produz cerca de 8.370 MW, já a usina de Belo Monte no Pará funciona desde 2018 com sua capacidade total, cerca de 11233 M. A usina de Jirau em Rondônia produz cerca de 3750 MW e Santo Antônio em Rondônia produz 3568 MW, além dessas outras usinas hidrelétricas de menor porte também foram construídas na região. Em comum todas fornecem energia aos grandes projetos de mineração na Amazônia, além de também abastecer demais regiões do país.

Camponeses e trabalhadores lutam contra os grandes projetos

Conforme já noticiado pelo AND, o velho Estado gerenciado pelo oportunismo montou uma verdadeira operação de guerra para a conclusão de Belo Monte, houve intensa repressão aos camponeses, povos indígenas, quilombolas e aos trabalhadores da própria usina.

Durante a construção das usinas em Rondônia o cenário foi semelhante, apesar da intensa repressão os trabalhadores e camponeses travaram lutas contra as usinas.

Cerca de 15743 MW são produzidos apenas na Amazônia, contudo grande parte dos camponeses e trabalhadores ainda vivem sem energia elétrica.

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