Crise mundial imperialista gera onda de demissões no USA

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Buscando contrarrestar a crise cíclica de superprodução que já se iniciou, Donald Trump e o Senado ianque aprovaram um pacote de 2 trilhões de dólares para estimular a economia. 

Na semana do dia 16 de março o número de pedidos de seguro-desemprego no Estados Unidos (USA) atingiu 3 milhões e indica o fim do ciclo de expansão da economia imperialista ianque após a crise de 2008 e o início da mais nova crise cíclica de superprodução em meio à crise geral de decomposição.

Uma semana antes de atingir esse número, o seguro-desemprego constava apenas 282 mil solicitações. O crescimento do pedido de seguro-desemprego, em uma semana, cresceu aproximadamente 1.063%, segundo dados do monopólio de imprensa mundial Reuters.

Tal volume de novos pedidos de seguro-desemprego em uma semana já supera o número de pessoas que atualmente recebem. Hoje, no USA, praticamente 2 milhões de trabalhadores recebem seguro-desemprego e, se forem aprovados os pedidos dos novos desempregados, tal valor saltará a cerca de 5 milhões.

O número de novos pedidos também supera o recorde anterior. Em 1982, em uma semana durante uma das crises de superprodução em meio à crise geral, 695 mil novas pessoas pediram ingresso no programa, número até então recorde.

O aumento de pedidos de seguro-desemprego reflete as demissões que ocorrem na economia real, em queda devido à crise catastrófica de superprodução de capital em meio à crise geral de decomposição, crise mundial precipitada pelo coronavírus que paralisou boa parte da circulação do capital.

No entanto, a crise de superprodução relativa de capital é resultado do crescimento desproporcional da produção capitalista (orientada para o lucro e não às necessidades) muito além da capacidade de consumo social, problema resultante da contradição entre a socialização da produção e a apropriação capitalista do produto.

As mercadorias socialmente produzidas e o capital acumulado não encontram, devido à apropriação privada capitalista, mercados para se expandir, contradição que só pode ser parcialmente resolvida através das crises e da destruição de forças produtivas (capital, fábricas, ferramentas e destruição, pela fome e pela pauperização, de parte dos próprios trabalhadores desempregados), para logo reaparecem, após poucos anos, na forma de uma crise ainda mais profunda e aguda.

Buscando contrarrestar a crise cíclica de superprodução que já se iniciou, Donald Trump e o Senado ianque aprovaram um pacote de 2 trilhões de dólares para estimular a economia. Tal pacote será destinado a créditos para as empresas (das pequenas às grandes, principalmente às monopolistas) e de “mesada” para as famílias de aproximadamente 1,2 mil dólares com acréscimo de 500 dólares para cada filho, tentando, infecundamente, equilibrar o consumo e re-impulsionar a expansão da economia ianque.

Crise bate às portas dos monopólios

Um dos mercados que já sofre retração acelerada é o de smartphones. As vendas globais dessa mercadoria caíram 14% em fevereiro de 2020, segundo a Counterpoint Research, em relatório de 26/03. Essa queda é apenas o começo, pois não contabiliza a retração agudizada em março. “O pior ainda está por vir”, disse Jean Park, analista sênior da companhia.

No Brasil, a monopolista burocrática Petrobras anunciou no dia 26/03 que reduziu os investimentos programados para 2020, além de que cortou também a produção devido à queda brusca da demanda. A companhia também incluiu tomada de mais empréstimos, adiamento do pagamento de dividendos (parcela dos lucros aos acionistas) para dezembro e adiamento de novas contratações pelo menos nos próximos 90 dias. A queda dos investimentos foi de 3,5 bilhões de dólares. A previsão de investimento, que era de 12 bilhões de dólares, foi para 8,5 bilhões.

Segundo o Monitor do Comércio Mundial, da consultoria Capital Economics, de Londres, o comércio capitalista internacional perderá, neste ano, 25% de sua atividade, número superior à perda comercial durante a crise imperialista mundial de 2008. Ademais, segundo a revista Valor Econômico, o fluxo global de Investimento Estrangeiro Direto cairá de 30% a 40% em 2020.

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