Moclaspo: 'Governo militar de Bolsonaro/generais deixa população à mercê do coronavírus!'

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GOVERNO MILITAR DE BOLSONARO-GENERAIS DEIXA A POPULAÇÃO A MERCÊ DO 

CORONAVÍRUS! SÓ A LUTA DEFENDERÁ A VIDA DO POVO! 

A epidemia de coronavírus, grave ameaça à vida da população, principalmente mais idosa e com doenças já existentes, vem se somar às já precaríssimas condições de saúde da população brasileira principalmente a mais pobre. Será um fator a mais que agrava as péssimas condições de funcionamento do SUS que, não tendo sido nunca valorizado desde sua criação em 1988, tem passado nos últimos anos por uma clara destruição. Ou a população não sabe que Crivella acabou com muitas equipes de Saúde da Família, mandando embora 5000 trabalhadores desde 2017? E que Bolsonaro/generais sucatearam os hospitais federais do Rio como Bonsucesso e INCA, onde faltam profissionais de saúde, medicamentos e insumos? Falta de leitos e UTIs já são uma realidade no SUS. 

O governo brasileiro não foi pego de surpresa. Desde final de dezembro a epidemia de coronavírus já existia em países com amplo contato de passageiros com o Brasil como a Itália e os Estados Unidos. O governo de Bolsonaro e dos generais estabeleceu controle da entrada de passageiros? Isso foi muito tarde, com a epidemia já se alastrando e ainda mantém a fronteira aérea livre com os Estados Unidos. Os interesses mesquinhos do setor de turismo falaram mais alto. Afinal de contas, era Carnaval. 

O governo se preparou para fazer testes na população como tem recomendado a Organização Mundial de Saúde? Não, o ministro Mandetta diz que não tem empresas vendendo no mercado internacional. Mentira! Está alegando não ter dinheiro. Tira dos juros da dívida, exija sacrifícios dos banqueiros, dos grandes empresários, dos latifundiários, taxação das grandes fortunas! 

Os governos Bolsonaro, Witzel e Crivella se prepararam comprando Equipamentos de Proteção Individual/EPI para quem trabalha na saúde? Não, estão obrigando esses trabalhadores a atender as pessoas sem máscaras adequadas, avental e luvas, quando se sabe que em outros países a cota da doença nos trabalhadores da saúde foi alta. Sabemos que não vai haver EPIs suficientes quando aumentarem absurdamente a cada dia os casos suspeitos do COVID-19. Além disso, não haverá testes suficientes nem para os casos mais graves! Há estados do Brasil que não fizeram um teste sequer, pois não possuem os testes disponíveis. O que será das pessoas com outros problemas graves de saúde que precisarem de UTI? Infartados, pessoas com câncer, AVC? Serão deixados para morrer, como na Itália já está acontecendo. 

Agora, implantam um verdadeiro estado de sítio, prometem combater o “vírus”, mas de fato preparam nova escalada da sua guerra contra os pobres. Hipócritas! Mandam a população ficar em casa, mas não dão condições para ela sobreviver: 

 Autorizam empregadores despedir empregados e reduzir seus salários; 

 O governo e o Congresso, Rodrigo Maia e Paulo Guedes à frente, vão aprovar medidas que sempre quiseram fazer como a redução dos salários dos servidores públicos e botar a culpa no sacrifício necessário para combater o coronavírus; 

 Crivella autoriza o corte de 40% da frota de ônibus (afinal, os empresários não podem ter prejuízo). 

Resultado: os ônibus continuam cheios, facilitando a transmissão do vírus; 

 As medidas higiênicas que eles preconizam não levam em conta as precárias condições de vida da maioria da população, que vive em casas de um cômodo, com um banheiro precário, e de comunidades em que até a água falta! A isso vem se somar a perda de rendimentos de trabalhadores informais, que passarão fome, pois os R$ 600 que foram aprovados pela Câmara, no andar da carruagem chegarão tarde e a burocracia impedirá que seja para todos. Bolsa família não dá nem para álcool gel, que teve seu preço disparado. O Ministro da Doença quer trancafiar favelados que 

necessitem de isolamento num navio. Porque só favelados? Se não for para todo mundo que precise, certamente é uma política genocida, como outras tantas implantadas desde 2019 de fazer matanças nas favelas. 

Saudamos os trabalhadores da saúde que tem desdobrado esforços para enfrentar essa situação. Não aceitem trabalhar sem proteção! Rebelar-se é justo! 

E, no final, Bolsonaro recomenda que se saia da quarentena sob a desculpa de falência de negócios e falta de renda para os informais. Diz que o Coronavírus é uma gripezinha. Crivella, seu aliado de primeira hora, já fala em “retomar as atividades”. Não se prepararam para a epidemia, fizeram uma quarentena atabalhoada, sem testes e sem proteção a população, renda para ela ficar em casa e agora saem atabalhoadamente dizendo que os jovens não serão afetados. O que eles não dizem é que os jovens não morrerão se tiverem atendimento, coisa que eles não estão se preparando para oferecer. Onde estão os hospitais de campanha que o exército poderia estar fazendo ao invés de se preocupar com reprimir a população? Seu recado foi claro: os pobres que morram, a “economia” (leia-se: o enriquecimento escandaloso de meia dúzia de milionários) não pode parar por causa disso. 

Situações duras estão por vir. Temos que nos manter mobilizados tomando as precauções necessárias e protegendo os mais vulneráveis. Não caiamos no individualismo que o governo e a grande mídia recomendam para enfrentar a epidemia. Sejamos solidários, ajudemos aos que vivem em nossas comunidades e tomemos decisões coletivas. Querem colocar a polícia para impedir o povo de se manifestar contra as dificuldades que surgirão. Os nossos inimigos estão a postos e temos que defender a nossa vida: 

Não aceitemos, em hipótese nenhuma, que as pessoas passem fome. Qualquer medida que o 

povo tome para que isso não aconteça é justa! 

Exigimos que o governo Bolsonaro dê no mínimo o que a lei diz ser o mínimo: salário mínimo 

para os trabalhadores sem renda. 

Exigimos que os governos Witzel e Crivella disponibilizem álcool gel e máscaras de graça para as famílias assim como obrigue todos os estabelecimentos de terem – como supermercados, transporte público. 

Exigimos que todos os governos disponibilizem Hospitais de Campanha, respiradores, leitos e UTIs suficientes para todos os doentes que precisarem. Se for necessário, que estatizem o setor privado. 

Exigimos que haja equipamentos de proteção individual para os trabalhadores da saúde. Que o governo coordene os esforços de todas as fábricas que produzem EPIs e outros matérias médicos no Brasil, para que elas aumentem sua produção com turnos noturnos e tudo o mais que for preciso. 

Saiamos dessa crise mais fortes e mais conscientes de que só uma sociedade verdadeiramente democrática, onde não impere o interesse mesquinho do lucro, onde o Estado de fato seja dirigido pelo povo, pode enfrentar tão duros problemas! Tomemos nosso destino em nossas mãos. A atitude de todos os governantes – Bolsonaro, Witzel, Crivella – por mais demagogia que façam, será insuficiente. O Estado é dos ricos e as principais medidas que tomarão será para protegê-los: darão compensações às grandes empresas, mas os trabalhadores informais ficarão à míngua; garantirão leitos nos hospitais privados, mas a população mais pobre ficará sem recursos. 

Não vamos permitir que o plano do governo de militarizar a nossa vida dê resultado. Essa militarização será para reprimir os justos protestos que ocorrerão quando as pessoas não conseguirem atendimento para seus familiares. Será para os políticos fazerem demagogia barata, traficando com o acesso 

aos programas de emergência que estão sendo planejados. Organizemos, de forma independente, a mobilização para a autoajuda e a resistência nos locais de trabalho e nas comunidades. Não nos calarão! 

MOCLASPO – Movimento Classista em Defesa da Saúde do Povo 

Manifestação dos agentes comunitários de Saúde e funcionários do Hospital Albert Schweitzer na porta da unidade, no Rio de Janeiro em dezembro de 2019. Márcia Foletto / Agência O Globo.

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