Perseguição: Médico transferido por denunciar caos na saúde de Rondônia

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Médico Emergencista que se destacou em estudo sobre Covide-19 é transferido da Unidade por perseguição política. O secretário estadual quer esconder o caos na saúde de Rondônia.

A transferência do Médico Vinícius Ortigosa Nogueira, Ex-Coordenador Médico da Urgência e Emergência do HEPSJPII (Pronto socorro João Paulo II) trata-se de uma retaliação pelas críticas feitas às medidas ineficientes do Secretário Estadual de Saúde Fernando Máximo. O médico Vinícius Nogueira, também é Professor Auxiliar de Medicina de Emergência da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e nos últimos meses se destacou por apontar os impactos da pandemia do Covide-19 na saúde pública de Porto Velho. O Secretário Estadual de Saúde, Fernando Rodrigues Máximo, de forma sumária, sem qualquer diálogo com o profissional, o transferiu do Pronto Socorro João Paulo II para o Hospital de Medicina Tropical de Rondônia – CEMETRON.

O médico Vinícius Ortigosa Nogueira, havia apresentado uma análise que contribuiu para Plano de Contingência do COVID-19, junto ao Tribunal de Contas do Estado de Rondônia – TCE/RO e ao Conselho Regional de Medicina de Rondônia – CREMERO. Ao destacar a letargia do poder público estadual em prover seguranças e ações efetivas de enfrentamento à pandemia e criticando governistas que afirmam se tratar de uma “gripezinha”, feriu o ego do Secretário Fernando Máximo e do gerente estadual Marcos Rocha, asseclas de Bolsonaro.

Nogueira, defendeu, publicamente, que era preciso, “Garantir provisionamento de máscaras (cirúrgica e N-95), luvas, aventais impermeáveis, gorros, óculos de proteção suficientes para os profissionais e pacientes; Garantir de imediato, a proporção de 1 ventilador mecânico para leito novo habilitado (verificar VM em estoque, ventiladores de transporte e carros de anestesia em cada hospital); Garantir bombas de infusão e equipos, monitores multiparamêtricos, com capnógrafo, sistemas de aspiração fechado, cateter venoso central, sonda nasoenteral e vesical, cateteres venosos centrais; cateter nasal e máscara com reservatório”. Denunciou ainda que, com uma população de 519 mil habitantes, Porto Velho tem apenas 124 leitos de UTI e por fim defendeu a necessidade de “Trazer profissionais de outras especialidades e áreas para que atuem em força tarefa junto a equipe de UTI, em especial os médicos-emergencistas; Avaliar abertura de processo seletivo emergencial para médicos, enfermeiros, técnicos, fisioterapeutas e nutricionistas; Garantir treinamento prévio e EPI´s para as equipes assistenciais”. Estas medidas contrariam o viés privatista que orienta a política do governo federal e do governo estadual de entrega do Sistema Único de Saúde para a iniciativa privada.

TRANSFERÊNCIA DE SERVIDORES, EXONERAÇÕES DE CARGO DE CHEFIA E INTERESSES POLÍTICOS.

Nada de “nova política”, mas o velho toma-lá-dá-cá com a ocupação de cargos comissionados e de chefia por apadrinhados políticos sem qualquer qualificação. Foi assim, com a advogada, Paola Ferreira da Silva Longhi Neiva, nomeada como diretora do Laboratório Central de Saúde Pública de Rondônia (LACEN). Paola é namorada do filho do Deputado Estadual Ezequiel Neiva (PTB), já está recebendo o salário de R$ 6 mil reais, onde nunca desempenhou nenhuma atividade no ramo da ciência e pesquisa. Sua nomeação foi apenas acordo da velha política entre o Governador Marcos Rocha, o Secretário Fernando Rodrigues Máximo e o Deputado Ezequiel Neiva.

De modo similar, a enfermeira Sandra Maria Petillo Cardoso, cedida pelo Município de Porto Velho, já estava à disposição do secretário estadual de saúde e foi agraciada com nomeação de cargo de Diretor-Geral Adjunto, do Hospital de Pronto Socorro João Paulo II, conforme Decreto de 15/01/2020, a contar de 8 de janeiro de 2020, com uma gorda remuneração de Cargo de Direção Superior, símbolo CDS-12, de R$7.173,80. Inúmeros profissionais, contudo, atestam a incapacidade técnica de tal enfermeira, que foi agraciada pelo compadrio e que, às cegas, seguirá as orientações do secretário estadual de saúde. As mudanças em diversos cargos de direção, nomeações e transferências, agraciam os que congregam no obscurantismo religioso, como a Assessora Aurea Pinheiro Scarponi, inclusive para fazer uso ao bel prazer de cartões corporativos do Estado.

Há inúmeras transferências de servidores, troca de chefias que visam, ao que apuramos, esconder as reais condições precárias da saúde pública estadual, bem como restringir o acesso às informações acerca da pandemia do Coronavírus em Rondônia. As medidas tomadas pelo Secretário Estadual de Saúde Fernando Máximo e o governador Marcos Rocha, como a restrição de informações e a comunicação ao estilo Bolsonaro de se comunicar por “lives”, visam apenas a promoção pessoal para se capitalizar eleitoralmente, menosprezando os impactos da pandemia que atingirá, sobretudo, a população mais pobre.

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