Chile: Moradores exigem terra e moradia

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Na edição de março de 2020 do jornal popular chileno El Pueblo, os jornalistas democráticos expõem, entre outras notícias, a luta dos moradores contra o seu desalojamento, nas comunidades de Pichicautin e San Valentín (cidade de Temuco) e, no campo, a luta pela terra dos povos Mapuche para recuperar sua terra ancestral do Fundo Ranquilco.

Moradores de comunidades em Temuco lutam contra o despejo de suas casas. 

Em Temuco, moradores lutam contra o desalojamento

Na cidade de Temuco, durante o mês de março, protestos foram feitos, ruas foram fechadas e barricadas foram erguidas contra o despejo de 50 famílias da comunidade de Pichicautín e na comunidade de San Valentin. No dia 23 de março, em específico, foram realizados protestos em diferentes cidades do país pelo direito à moradia.

Cerca de 2 mil famílias organizadas em comitês habitacionais esperam há mais de 15 anos uma solução do Serviço de Habitações e Urbanismo (SHU) para o seu problema de moradia. De acordo com o El Pueblo, “É por isso que, cansadas de esperar, várias famílias optaram pela tomada da terra. Na comunidade há pelo menos 15 invasões distribuídas em diferentes setores.” 

Em uma reunião com as “autoridades”, após o acontecimento dos despejos e a ebulição da rebelião popular, o SHU falou de um suposto plano de emergência que só daria uma solução em mais um ano, ou seja, em março de 2021 e apenas para 1.000 famílias.

Mapuche enfrentam a repressão e recuperam terra ancestral

Povos mapuche recuperam terra ancestral no Fundo Ranquilco, Chile. Foto: La tribuna

Apesar da repressão policial, da intimidação de grandes latifundiários e do assédio das grandes empresas, a Comunidade Likankura atravessou o território do rio Renaico, tornando-se um avanço do movimento mapuche para o norte do país. As comunidades Peñi e Lamngen do Likankura lutam há cerca de uma década na fronteira que divide o rio Biobío com o norte da região de Araucanía, e conseguiram se estabelecer no Fundo Ranquilco após extensa luta popular. 

No final do ano de 2019, e início de 2020, os mapuche recuperaram suas terras ancestrais, após reivindicarem por elas há cerca de 15 anos, sem resposta ou mobilização do velho Estado nesse tempo. Diante do descaso das “autoridades”, em 2017, os povos nativos realizaram a tomada do local, enfrentando a repressão.

De acordo com o El Pueblo, durante as primeiras semanas de fevereiro de 2020, foram organizadas Brigadas de Apoio Populares (trabalho voluntário), para conter o assédio policial: Os grupos Wenüy de diferentes territórios juntaram-se a elas para forjar uma prática revolucionária, visando a união do povo que vive no Chile para derrotar um inimigo comum, o velho Estado chileno, servil ao capitalismo burocrático baseado nas relações semi-feudais impostas pelo antigo ou novo tipo de latifúndios florestais ou agrícolas, que estão fortemente enraizados no campo de todo o país, incluindo no território mapuche.”

O jornal conta que no Fundo Ranquilco há mais de 1.000 hectares de terra arável, dos quais os indígenas foram despojados quando a Wallmapu (nação mapuche) foi invadida na "Guerra da Pacificação" (durante o século XIX), e que artefatos mapuche haviam sido encontrados nas terras, dessa forma, comprovando o pertencimento delas como território ancestral. Desde então, dizem eles, o velho Estado, junto ao latifúndio e as grandes empresas, tentam ameaçar os povos com seus “cães de guarda” (agentes e pistoleiros) armados, cometendo todo tipo de atrocidades. Mas o rancho não foi desocupado sem antes resistir. 

“Apesar deste retrocesso temporário, a comunidade não recuou na recuperação do seu território ancestral e, no final de 2019, ocupou um terreno pertencente à Forestal Mininco, localizada na margem norte do rio Renaico. Esta recuperação responde a um avanço estratégico em direção à Fazenda Ranquilco, além de elevar a demanda histórica por terras que pertencem ancestralmente ao povo mapuche, já que estão cansados de esperar as migalhas do Estado, [...] decidem tomar o caminho da luta diante da necessidade de terra para viver, cultivar e persistir, abandonando o caminho burocrático que só procura extinguir a luta, antagonizando as massas revolucionárias e democráticas com aqueles que erroneamente tomam idéias que, em última instância, só favorecem os latifundiários e a grande burguesia.”

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