USA: Tratamento a coronavírus custa 40 mil dólares; pobres morrem sem acesso

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Atualmente, o Estados Unidos (USA) concentra o maior número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus no mundo (164 mil casos). Ao mesmo tempo, o país, que não conta com um sistema de saúde gratuito, vê as camadas pobres e médias do povo deixando de buscar tratamento por medo das gigantescas dívidas hospitalares. Essas pessoas enfrentam a infecção sozinhas, ou morrem à míngua.

O exemplo de Danni Askini, cidadã americana que pagou ao total 34,9 mil dólares pelo seu tratamento do coronavírus, expõe o que as classes trabalhadoras no país estão tendo de enfrentar. A paciente conta que esse valor foi resultado de uma consulta com seu médico oncologista (que havia tratado seu linfoma), no início dos sintomas: três idas a postos emergenciais de saúde (em que numa vez os médicos lhe disseram que era provável que ela estivesse com pneumonia, e a mandaram para casa), um teste (já no sétimo dia da infecção), e uma vez em que os médicos a ajudaram a lidar com os sintomas. Como outros 27,9 milhões de estadunidenses, Askini não tinha um plano de saúde, e teve de arcar com todos os custos. 

Dados mostram que, em 2017, o “cidadão estadunidense médio” pagou 1,1 mil dólares em despesas de saúde, bem acima da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). E, apesar dos altos custos, os estadunidenses também visitaram o médico muito menos: quatro vezes, em média, em 2017, em comparação com a média de 6,8 visitas por ano da OCDE.

Um relatório de 2019 da Gallup e West Health revelou que 26% dos adultos estadunidenses disseram ter adiado o tratamento nos últimos 12 meses devido ao custo dos serviços hospitalares, e 19% adiaram a compra de medicamentos. Dois quintos das pessoas relataram ter renunciado aos cuidados de emergência ao longo do ano passado. Quase metade disse estar “preocupada” ou “extremamente preocupada” que uma crise de saúde em sua família possa levar à falência.

Acrescentando aos dados alarmantes, são 44 milhões as pessoas subseguradas no USA. O Fundo da Commonwealth define “subsegurado” como adultos cujos cuidados de saúde são iguais a 5% ou mais da sua renda, ou cujos custos de saúde no último ano foram 10% ou mais da sua renda.

Dentro do sistema de saúde estadunidense os cidadãos que não têm acesso ao plano de saúde são aconselhados a não frequentarem os hospitais, mas sim a procurar consultar médicos em clínicas particulares, tendo em vista que a maioria das despesas são as hospitalares. No caso de Askini, sua primeira ida para a emergência do hospital em Boston, em 29 de fevereiro, foi cobrada 1,8 mil dólares, e outros 3,8 mil dólares por “serviços hospitalares”.

Uma nova análise da Kaiser Family Foundation estima que o custo médio do tratamento Covid-19 para alguém com plano de saúde do empregador (e sem complicações) seria de cerca de 9,7 mil dólares. Alguém cujo tratamento tem complicações pode ver as contas dobrarem: 20,2 mil dólares. Os investigadores chegaram a esses números ao examinar os custos médios de admissão hospitalar para pessoas com pneumonia.

No dia 18 de março, após grande protesto popular, o Congresso ianque aprovou o Families First Coronavirus Response Act, que garantiu as folgas remuneradas de 14 dias para trabalhadores com o Covid-19 e cobre os custos dos testes a serem realizados, mas não diz nada quanto ao custo do tratamento. 

Até recentemente, apenas os Centros de Controle e Prevenção de Doenças podiam distribuir kits de teste, mas as “autoridades” dizem que o USA está se preparando para afrouxar os regulamentos sobre quem pode testar, permitindo que empresas privadas entrem no processo. 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, aqueles que precisam ir para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) provavelmente arcarão com altas contas, independentemente do plano que tenham. 

Coronavírus agudiza crise e expõe miséria no país

Com a rápida disseminação do vírus no país, entre os mais afetados estavam os trabalhadores que não tinham direito à licença remunerada em caso de doença, um grande grupo dos trabalhadores do país. 

De acordo com o Bureau of Labor Statistics, 33,6 milhões de trabalhadores não têm acesso a esse direito. Se tratando de trabalhadores com a menor renda, mais de 50% não têm. Assim, esses trabalhadores se vêem entre faltar ao trabalho por estar doente e não receber, tendo ainda que pagar um alto preço pelos cuidados médicos.

Muitos desses trabalhadores ainda não receberam folga ou licença em meio a pandemia, enquanto as escolas já se fecharam e muitos filhos do povo dependem da merenda para se alimentar, e do cuidado dos professores enquanto seus pais trabalham.

Outro caso alarmante é o dos idosos no país. No USA o número de pessoas com 65 anos ou mais é maior do que 52 milhões, e elas estão numa condição especialmente fragilizada, uma vez que recebem bem menos que o restante da população, como constam os dados do Pension Rights Center, sendo assim mais afetadas pelos custos de saúde exorbitantes.

Outro grupo exposto ao vírus são os moradores de rua, que somam mais de meio milhão. Além da falta de recursos sanitários, não podendo lavar as mãos e tomar medidas de higiene propícias para evitar o vírus, eles vivem sem renda, geralmente dividindo os mesmos ambientes em albergues lotados e insalubres para comer, dormir e ir ao banheiro.

As aglomerações são ainda maiores se tratando de prisões. Com a maior população carcerária no mundo, mais de 2 milhões, as prisões do USA são locais com superlotação, onde todos passam pelos mesmos corredores, comem nos mesmos lugares, dormem em proximidade, entre outras coisas, no seu dia a dia. De acordo com Josiah Rich, professor de medicina e epidemiologia na Brown University, "não há seis pés [dois metros] entre eles no prédio para os separar, simplesmente não é possível".

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