Camponeses da Baixada maranhense prosseguem luta em defesa de suas terras

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Sob a consigna de O povo organizado luta e vence!, a luta pela terra na Baixada maranhense se torna cada vez maior. Os povos tradicionais que vivem na região (camponeses, indígenas, ribeirinhos, quilombolas) buscam a permanência e retomada dos campos inundáveis da região, território que vem sendo saqueado ao longo dos anos pelo latifúndio através das cercas de grilagem impostas pelos senhores de terras. A região é composta por amplas porções de terras públicas ou devolutas onde em conluio com o velho Estado a prática da grilagem do latifúndio se perpetua.

Em meio à campanha de criminalização da luta e perseguição dos camponeses, prisões políticas foram decretadas e uma intensa e vitoriosa jornada de lutas liderada pelo Fóruns e Redes de Cidadania do Maranhão percorreu grande parte do ano 2019 visando a libertação de presos políticos de Flávio Dino/PCdoB, governador do Maranhão que atua em benefício do latifúndio. Em janeiro de 2020 dois camponeses, Celino Fernandes e Wanderson Fernandes, pai e filho, foram assassinados dentro da sua residência por pistoleiros fortemente armados e disfarçados de policiais civis.

Dois meses depois dos covardes assassinatos, os camponeses seguem demonstrando disposição e determinação por garantir suas terras e desenvolvem diversas ações.

Ocupação do pátio do Fórum da Comarca de Anajatuba

No dia 4 de março, dezenas de pessoas das comunidades Assutinga, Ladeira, Ilha dos Tesos, Flexeiras, Flores e Perimirim, todas pertencentes ao movimento Fóruns e Redes de Defesa de Anajatuba (município que compõe a baixada ocidental maranhense) ocuparam o Fórum da Comarca de Anajatuba.

O fato ocorreu devido à intimação emitida pelo juiz Bruno Chaves de Oliveira acatando uma denúncia de latifundiário José do Carmo Sanches Barbosa (Zequinha), que alegou ter sofrido “dano” em sua “propriedade”. Os intimados foram as lideranças quilombolas José da Cruz, presidente da União de Moradores do Quilombo Assuntiga, e Benedito Costa, presidente da Associação Quilombola do Povoado Fleixeiras. 

Durante a audiência os camponeses ocuparam o pátio do fórum cantando e proferindo palavras de ordem; o juiz Bruno Chaves acionou a polícia e seguranças do edifício, tentando impedir a ação. Durante a noite se reuniram na praça central da cidade e entoaram várias músicas de lutas.

O Fórum de Redes e Cidadania denúncia em seu portal que “na verdade, esse é mais um caso de criminalização de lideranças quilombolas, visto que isso é parte de uma campanha orquestrada por grileiros e latifundiários, pelo sistema de polícia do governo Dino, de agentes do Ministério Público e do Poder judiciário, pois, o que está em jogo são centenas de hectares de terras pertencentes ao estado do Maranhão”

8 de março na Baixada maranhense

No dia 8 de março, o coletivo de mulheres do Fórum de Redes e Cidadania se reuniu em plenárias regionais em Urbano Santos, Anajatuba, São Mateus, São Bernardo e Arari com o objetivo de intensificar a luta feminina de base. Ao todo 110 mulheres se reuniram para debater e tratar da temática feminina, segundo o coletivo, levando em consideração o papel da mulher na atual sociedade almejando construir a sociedade socialista e democrática.

Em nota, o coletivo afirma que “as mulheres do nosso movimento entendem que essa situação de violência e opressão só mudará com a destruição completa da sociedade capitalista, centro de todas as injustiças e com a construção de uma sociedade socialista e democrática, na qual a mulher será verdadeiramente emancipada tendo os seus direitos garantidos e respeitados.”

Plenárias populares na luta pela Nova Democracia

Em 15 de março, no Povoado Flexeiras, em Anajatuba/MA, dezenas de pessoas realizaram uma Plenária Popular com objetivos principais de realizar avaliações e planejamento das lutas. A atividade foi realizada na escola do Povoado Flexeira, fruto de luta travada pelos trabalhadores para que os estudantes do povoado tivessem uma instituição de ensino.

Estavam presentes pescadores, camponeses, quebradeiras de coco, donas de casa, quilombolas e estudantes das  comunidades de Afoga, São Benedito do Afoga, Mato Grande, Sede, Fomento, Flexeiras, Flores, Perimirim, Coco e Assutinga. Segundo o Fórum a plenária foi muito dinâmica, animada pelas muitas músicas populares e cânticos da luta.

Na avaliação do movimento a luta do povo organizado de Anajatuba foi fundamental para que fossem retidos quilômetros de cercas dos campos públicos inundáveis, garantindo liberdade e dignidade à vida dos moradores dos povoados.

Ao final da atividade, o movimento afirmou que “ainda que o governo Bolsonaro e Flávio Dino ataquem os trabalhadores e trabalhadoras, principalmente os camponeses e os mais pobres, a nossa organização entende que o momento agora é de intensificar a luta e as mobilizações”, e “de ocupar as ruas, local da cidadania para juntos construirmos a nova democracia”.

Plenária Popular em Arari

No dia 17 de março as comunidades quilombolas, Cedro e Taboa, localizadas na Baixada ocidental maranhense, município de Arari a 170 km de São Luís, realizaram outra Plenária Popular.

Os camponeses Celino Fernandes e Wanderson Fernandes, covardemente assassinados, faziam parte da comunidade do Cedro. A comunidade afirma que passados mais de 70 dias a Polícia Civil do governo Flávio Dino/PCdoB ainda não elucidou o crime.

As massas denunciaram a ação da desembargadora Angela Salazar e do delegado de polícia José Henrique que invadem terras quilombolas. Denunciaram também que a desembargadora, junto ao seu marido Carlos Santana, perseguem os quilombolas das comunidades Cedro e Taboa, inclusive os proibindo de construírem suas próprias moradias, fato segundo o movimento de amplo conhecimento do governo e de todas as autoridades. 

Durante a plenária popular, os quilombolas afirmaram que irão lutar até o fim para que suas terras não sejam roubadas, mas sejam garantidas aos seus legítimos donos que há séculos nela vivem, trabalham e se reproduzem culturalmente.

Comunidades realizam trabalho de topografia 

As comunidades quilombolas de Cedro e Taboa, município de Arari, realizaram um trabalho de levantamento topográfico a fim de provar que trata-se de terra pública.

O latifúndio, que além de grilar as terras criam gado bubalino, gado branco, colocam cercas elétricas e promovem desmatamento, foram beneficiados em vários processos no judiciário local e no Tribunal de Justiça, sob o argumento de que são terras particulares após grilagens. Porém, é sabido que são terras devolutas e públicas.

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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