Turquia: Artista presa política morre durante greve de fome

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A artista popular turca, Helin Bolek, morreu no dia 3 de abril após 288 dias de greve de fome. Bolek lutava fazendo greve de fome juntamente a Ibrahim Gokcek, ambos membros da mesma banda, Grup Yorum, que tinham sido presos por razões políticas, devido à sua arte popular e democrática, tendo entre suas demandas o fim da perseguição do velho Estado aos artistas do povo e a liberdade de outros dois membros, que continuam presos.

Helin Bolek morre durante greve de fome pela libertação de seus colegas artistas populares. (Fonte: Free Grop Yorum)

O Grup Yorum se tornou famoso por suas músicas elevando a luta popular na Turquia. Trata-se de um grupo folk com membros rotativos e estava banido de tocar desde 2016, quando alguns de seus membros foram presos por motivos políticos. 

O velho Estado turco acusou, sem provas, o Grup Yorum de ter conexão com o Partido da Frente Libertação Popular Revolucionária (DHKP/C). O grupo é considerado uma organização terrorista pelo governo de turno turco, pelas “autoridades” ianques e pela União Europeia. 

Ibrahim Gokcek, guitarrista da banda, e cinco outros membros foram colocados na lista de “terroristas mais procurados” do velho Estado turco. Há uma recompensa de 300 mil lira turca (46 mil euros) por cada um deles. Gokcek esteve preso por quase dois anos com base em declaração de uma "testemunha secreta" e sem qualquer acusação ou audiência judicial. 

Ele e Bolek começaram uma greve de fome na prisão e foram soltos em novembro de 2019, mas seguiram a greve. As demandas eram as seguintes: que os membros da banda fossem soltos e os processos abandonados, o fim das invasões policiais no Centro Cultural İdil, que foi invadido dez vezes durante dois anos, a remoção das listas de "terroristas procurados" do Ministério do Interior sob membros do Grup Yorum e simpatizantes, e a remoção do banimento de concertos de locais para o Grup Yorum.

Bolek e Gokcek em greve de fome (Fonte: Free Grup Yorum)

Em 11 de março, Bolek e Gokcek foram sequestrados por “autoridades” e forçados a comer, algo que foi denunciado como tortura na internet e nas ruas, amplamente por simpatizantes da causa.

Ibrahim Gokcek segue na greve de fome em luto após a morte da companheira, que ele afirma que o velho estado matou. Suas demandas vão seguir firmes (incluindo a liberdade de sua esposa, que é uma dos dois membros do grupo ainda presos).

Helin Bolek, grande exemplo de resistência da cultura popular, dizia: “a luta de classes tem dois sentidos. Se um ocorre com o rifle, o outro é no campo da arte e da cultura”.

Ativistas na Alemanha: Helin Bolek é imortal (Fonte: Free Grop Yorum)

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