Liga dos Camponeses Pobres: 'A guerra do governo não é contra o vírus! É contra o povo!'

A- A A+


Publicamos a seguir nota da Comissão Nacional das Ligas dos Camponeses Pobres sobre a pandemia do coronavírus.


A pandemia do Coronavírus que se espalhou pelo mundo já com mais de um milhão de infectados, ameaçando a vida principalmente das populações mais pobres, demonstra cabalmente que o cadáver insepulto do imperialismo, fase superior e última do capitalismo, não tem mais lugar na humanidade. Basta! Soaram as trombetas de grandes tempestades e transformações sociais, políticas e ideológicas!

Absolutamente nenhum dos mantras utilizados nos últimos 50 anos para tentar falsear a brutal exploração da grande maioria dos seres humanos por um punhado de biliardários, donos das armas, do dinheiro, das terras e dos meios de comunicação, foi capaz de impedir que uma simples mutação de um vírus já conhecido causasse tanto estrago, mortes, miséria, fome, repressão e Estado de Guerra.

“Globalização”, “neoliberalismo” versus social-democracia (incluída toda a esquerda oportunista eleitoreira), democracia liberal versus fanatismo religioso e terrorismo, ultraliberalismo acompanhado de fascismo e reacionarização do Estado, nada, nada deu certo. E todos os arrogantes, falastrões, fascistas, intelectualóides e o “mercado”, arautos deste sistema podre, da noite para o dia, de poderosos tigres viraram gatinhos de “madame”, incapazes de explicar como esse mundo tão desenvolvido onde eles eram os maiorais caiu de joelhos diante da pandemia do Coronavírus.

Faltam hospitais, respiradores e remédios nos países chamados ricos, imperialistas; e também, em escala milhões de vezes superiores, nas colônias e semicolônias, os chamados países pobres. As pessoas morrem, os corpos saem em caminhões militares, seus entes queridos e parentes não podem se despedir.

E eis que em completo alvoroço e descontrole os líderes mundiais deste imperialismo podre que sobrevive manu militari* principalmente pela rapina da grande maioria dos povos dos países oprimidos e explorados (em troca das sobras dos vultosos lucros que açambarcam para as classes dominantes locais suas lacaias), anunciam a liberação de trilhões de dólares e euros para mitigar as devastadoras conseqüências econômicas desta pandemia.

Onde estava esse dinheiro que agora apareceu? E a crise que “obrigava” os governos europeus e norte-americano a nos últimos 30 anos cortarem sucessivamente uma série de direitos sociais (trabalhistas, saúde, educação, previdência), conquistados pela população destes países principalmente após a derrota do nazi-fascismo na segunda guerra mundial?

A verdade nua e crua é uma só: a pandemia do Coronavírus escancarou a crise geral do capitalismo (crise de superprodução relativa - mais mercadorias do que gente em condição de comprar), expôs a crueldade deste sistema que propagandeia tudo, mas onde mais de 90% da população mundial não tem nada e sobrevive em condições piores do que quando a humanidade havia desenvolvido menos conhecimento científico. A desigualdade social é astronômica, 1% da população (os mais ricos) detém 67% de toda a riqueza mundial. Se não fosse a pandemia, esta crise iria estourar de uma forma ou de outra, mais cedo do que tarde.

A pandemia do Coronavírus no Brasil

Foram os ricos que trouxeram o Coronavírus para o Brasil. Negociantes ou turistas em viagens ao exterior. E a responsabilidade pela pandemia aqui é toda do governo militar de fato dos generais do alto comando das forças armadas reacionárias e do fascista Bolsonaro que segue insistindo que é exagero o “isolamento social”, que todo mundo vai morrer um dia e outras sandices.

Todo mundo se lembra do drama que foi para retirar brasileiros isolados na China, o que só fizeram depois dos protestos se espalharem na internet. E depois disso, a ANVISA, comandada por um almirante neonazista que até hoje defende que a terra é plana, não tomou nenhuma providência para fazer testes nos aeroportos e portos (por onde entram estrangeiros vindos da Europa e dos USA no Brasil). E o maior dos crimes: não suspenderam o carnaval. A grande maioria dos brasileiros contaminados foi nesse período.

No Brasil falta tudo. Máscaras de proteção, álcool gel, hospitais, UTI`s, aparelhos respiradores, transporte público, moradia, emprego, saneamento básico, água potável, e a falta de testes de Coronavírus leva a qualquer pessoa minimamente informada a considerar que o número de brasileiros infectados é infinitamente maior do que o informado pelo monopólio da imprensa e pelo governo. Sem contar que doenças já conhecidas, que têm cura, prevenção, e em países coloniais e semicoloniais como o Brasil matam mais do que o Coronavírus, como as epidemias de dengue e H1N1, a malária e a tuberculose, persistentes ano após ano, principalmente entre o povo pobre no final do verão e começo do outono (os ricos também são acometidos por estas síndromes, mas com acesso à saúde e vacinas, o número de mortes é bem menor), não são contadas como mortes que poderiam e deveriam ser evitadas.

Diante de crise de tamanha magnitude, a grande burguesia, o latifúndio e o imperialismo aceleraram seus planos de guerra contra o povo no Brasil, tentando salvar o sistema, as grandes empresas, o latifúndio exportador, os bancos. Todas as medidas tomadas até agora vão nesse sentido.

Por mais que neste momento o certo é que todas as pessoas fiquem em casa, evitando os riscos de contágio, esta medida necessária teria de ser acompanhada da garantia, pelo Estado que extorque o povo com impostos, de salário para os trabalhadores com carteira assinada, garantia de renda para os milhões de trabalhadores informais (mais de 40% dos brasileiros hoje, sem nenhum direito, trabalhando como escravos, vendendo o almoço para comprar a janta), distribuição de alimentos e testes para todos, na ordem de prioridades: profissionais da saúde, as atividades essenciais que não podem parar, testes nos locais de trabalho e para os milhões de moradores das favelas e concentrações urbanas nas grandes cidades, distribuição de produtos de limpeza, máscaras e álcool gel para todo o povo, transporte em horário alternado garantindo as condições de distância entre as pessoas no transporte público…

Qual o sentido do isolamento social no Brasil? Impedir que as massas cobrem seus direitos, façam testes, tenham atendimento médico, esconder o tamanho gigantesco da exploração e da falta de condições mínimas de sobrevivência, com Coronavírus ou sem Coronavírus. Por mais que queiram aparecer como defensores da saúde do povo, o monopólio de imprensa com a Globo à frente, o assassino e terrorista Witzel no Rio de Janeiro e o carrasco de Paraisópolis Dória em São Paulo (como o conjunto dos gestores públicos com mandato graças à farsa eleitoral), estes que defenderam o congelamento de gastos na saúde e na educação, a reforma da previdência, sabendo que milhões iriam morrer por estas medidas, não têm nenhuma moral para posar de “humanistas”, preocupados com a saúde do povo. São responsáveis pelas mortes da pandemia e não só dela, e nada do que fizerem agora vai apagar isto.

Por outro lado o fascista, mentiroso e demagogo Bolsonaro não quer salvar o emprego de ninguém. Quer salvar o seu salário de Presidente. Quando copia a tese do “isolamento vertical” de seus amos estrangeiros da extrema direita de Trump “et caterva”, está querendo ganhar tempo para não gastar os trilhões que o Brasil têm guardado para pagar juros para a banqueirada que o financiou.

É falso o “debate” entre confinamento vertical ou horizontal. É mentira que temos que escolher entre morrer de doenças causadas ou agravadas pelo vírus ou morrer de fome!

Bolsonaro não defende os caminhoneiros, os vendedores de churrasquinho, os pequenos comerciantes. Quando ele diz que a economia não pode parar, morra quem tem de morrer, o que ele pretende é aproveitar a pandemia para fazer o que ele não conseguiu ainda com a reforma da previdência, mas só por questão de tempo: matar os idosos para aliviar as finanças de um Estado falido e em putrefação. Se tivesse condições, este mau caráter e fascista organizaria comandos de suas “milícias” para assassinar logo quem pudesse contrair o vírus e ter que ficar internado, algo como a purificação de raça levada a cabo por Hitler, e qualquer semelhança não é mera coincidência.

Até hoje o governo não liberou nenhum tostão para o povo, e o grosso de seus programas prometidos vão endividar ainda mais os trabalhadores (ele está adiantando FGTS e seguro desemprego, direitos já adquiridos, dinheiro do trabalhador). E os famosos R$600,00 para os informais, além de ser ridículo, é uma forma de sacramentar que as pessoas conseguem sobreviver com menos do que o já miserável salário mínimo estabelecido, de em torno de R$1.050,00.

Quanto ao alto comando das forças armadas reacionárias, americanófilas e anticomunistas até a raiz, que é quem de fato governa o Brasil, esta acende uma vela para Bolsonaro, de quem precisa para reprimir o povo sem se sujar quando começarem os saques (palavras deles), e outra para a grande burguesia e o latifúndio, que embora prefiram não precisar de seus porcos serviços repressores para continuar reinando, não se furtam de recorrer às armas quando estão ameaçados seus privilégios, luxos e usura desbragada, pelo que a corporação de armas, seus oficiais de alto coturno, são regiamente pagos e reverenciados.

A declaração de guerra de Bolsonaro contra os camponeses pobres, indígenas e quilombolas no início de seu governo, denunciada pela Liga dos Camponeses Pobres, diante da crise se eleva a uma guerra contra todo o povo brasileiro.

A base de todas as agruras do povo: o imperialismo, o latifúndio e o capitalismo burocrático

Mas é preciso ir à raiz do problema. As crises oferecem esta oportunidade.

Porque as grandes cidades brasileiras estão sobrecarregadas de gente morando espremidas, dormindo mal, comendo mal, passando a noite na rua por não ter dinheiro para pagar o transporte? Porque tanta mendicância, tanta delinqüência, tanta gente drogada vivendo como zumbi? Porque tem gente vendendo marmita por R$5,00 para ganhar um troco, alugando carro para ser motorista de UBER, andando quilômetros de bicicleta para entregar uma refeição de R$7,00 ou R$8,00, tanta gente vendendo bala ou fazendo pirueta no sinal? Por que tanta gente amontoada nas favelas e bairros pobres, 6, 7, 10 por barracos de um, dois ou três cômodos? Porque as enchentes escolhem essa gente para matar e desabrigar? Porque quando o Coronavírus espalhar por estes que estamos falando, esse governo de burgueses, latifundiários, generais e agentes do imperialismo não vai ter como segurar?

Porque o latifúndio é base do imperialismo para a reprodução deste capitalismo burocrático no Brasil. Se não fosse pela manutenção, preservação e estímulo à reprodução do latifúndio, a ameaça do Coronavírus não seria tão drástica e mortífera. Se tanta gente não tivesse sido expulsa do campo, e em que pese o processo secular, este foi levado ao extremo durante a ditadura militar de 64 a 85. Quem são os que morrem nas enchentes? Os camponeses recém chegados nas cidades grandes. Qual o maior patrimônio da Vale multinacional assassina e terrorista, entregue por FHC a preço de banana? Seria a excelência no processo de extração do minério de forma segura? Então porque Brumadinho? O patrimônio da Vale são as riquezas do subsolo brasileiro, pelo que roubam as terras dos camponeses pobres, indígenas, quilombolas e da União!

Como seria controlar o Coronavírus em pequenas cidades, todas produzindo alimentos, com saneamento básico e hospitais, as pessoas conhecendo umas às outras, se solidarizando, ajudando, protegendo? Milhões de vezes mais fácil!

Sem contar que, embora um processo natural, a mutação virótica também é conseqüência do tanto de antibiótico, venenos e outros processos agressivos utilizados em animais e plantas, posto que a essência do agronegócio é produzir em países coloniais e semicolonias para exportação de produtos primários e no caso, de ínfima produção de frutas e outros alimentos, para os países principalmente os imperialistas, pelo que estes produtos têm que ter aparência e agüentar longo tempo até sair do produtor para chegar ao consumidor final. A qualidade? De há muito o capitalismo é só aparência, um fetiche!

Pandemia do Coronavírus: a saída está nas mãos do povo pobre!

Só o povo pobre, os camponeses, os operários, os trabalhadores da cidade, os intelectuais honestos, os pequenos comerciantes, os verdadeiros patriotas, podem conjurar a pandemia. O imperialismo, a grande burguesia e o latifúndio já reconheceram o seu fracasso: como incapazes que são de mover as forças produtivas, o máximo que almejam é “achatar a curva” da propagação da doença. A esquerda oportunista eleitoreira que centra em Bolsonaro como se fora ele a causa de todos os males, glorificam o governo dos generais. As declarações patéticas do governador do Maranhão, Flávio Dino do PCdoB, deixa isto claro ao pedir a substituição de Bolsonaro pelo general Mourão como forma de assegurar o funcionamento da corrupta farsa eleitoral. Os imperialistas estão de joelhos! Na superpotência hegemônica, os USA, o número de mortes diárias ultrapassou as registradas na China social-imperialista. E pasmem: um tratamento particular custa até R$200.000,00 (duzentos mil reais) nas terras do Tio Sam. Acabou, senhores!

O povo vai conjurar a pandemia organizando os Comitês Sanitários de Defesa do Povo contra a Pandemia do Coronavírus. Por rua, por prédios e conjuntos, por quarteirão, por vilarejo, por pequenas cidades. Elegendo representantes populares, identificando os infectados, ajudando a conquista de alimentos, produzindo e distribuindo máscaras e luvas, apoiando o isolamento dos companheiros e companheiras idosos ou que têm doenças que os coloquem nos grupos de risco, realizando treinamento e formando nossos jovens para que possam exercer a condição de agentes de saúde. A experiência dos camponeses na luta pela terra, as manifestações organizadas em colunas e distanciamento um dos outros, são experiências que agora serão muito úteis para nossos irmãos das cidades grandes.

Organizar estes Comitês, esta é a tarefa. Dar abrigo aos que desejam se proteger no campo. Vamos vencer esta pandemia. O povo pode. As massas podem. Este governo das minoritárias grande burguesia e latifúndio, serviçais do imperialismo, não!

E ao declarar guerra ao povo com o subterfúgio de combater o vírus, este governo, que já havia declarado guerra aos camponeses pobres, jogou milhões no mesmo barco!

O povo vai conjurar a pandemia do Coronavírus e cobrará dos governantes!

Viva a Revolução Agrária!

Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres, abril de 2020

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Fausto Arruda

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Matheus Magioli Cossa
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ana Lúcia Nunes
Rodrigo Duarte Baptista
Vinícios Oliveira

Ilustração
Taís Souza