A justeza da análise e o golpe militar que nem todos previram

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Generais do Alto Comando do Exército. Foto: Banco de Dados AND

Após a posse de Bolsonaro e, mais especificamente nas últimas semanas, diversas siglas da falsa esquerda eleitoreira e revisionista esbanjam análises falando sobre um tal golpe militar em marcha. O que hoje está claro, não o estava ontem, embora já existisse. E, aqueles que munidos da ciência, já haviam previsto o fenômeno antes de seu aparecimento evidente.

No Editorial As vestais do velho Estado, 2ª quinzena de setembro de 2017, AND denunciou já a planificação de um golpe de Estado, enquanto todas as forças oportunistas escaramuçavam-se em torno da farsa eleitoral que só chancelaria o que os generais conquistassem com seu manejo. Em tal Editorial afirmou-se:

“Nenhuma reforma política possível de ser aprovada neste congresso poderá salvá-lo de sua bancarrota, tampouco a intervenção militar que se planifica como saída última do imperialismo em nome da ‘ordem e do patriotismo’ o poderá, já que as Forças Armadas são a medula desse genocida Estado” (nessa e nas seguintes citações os negritos são nossos).

Na edição seguinte (1ª quinzena de outubro), no Editorial A lei dos donos e os donos da lei, no contexto da intervenção militar no Rio de Janeiro, afirmou-se: “O ambiente de total repulsa popular a toda essa podridão da política oficial e de insegurança frente à delinquência generalizada é tomado como pretexto pela milicada reacionária para submeter a Nação à sua bota e baioneta. Mas é a violenta revolta popular que está fermentando contra toda esta velha ordem que faz com que as classes dominantes movam os altos mandos das forças pretorianas do sistema de exploração e opressão. Já põem as unhas de fora através do general Hamilton Mourão, que prega abertamente a intervenção militar sob o silêncio de um fantoche ministro da defesa, que gasta o seu precioso tempo batendo boca com o chefe de polícia do Rio de Janeiro”.

Na quinzena seguinte, AND aprofundou sua denúncia. Sistematizou-se a situação de golpe militar como crise militar, devido ao desenvolvimento e aparição pública de alguns fatos através do qual pôde-se, conhecendo as leis da sociedade em questão, tirar previsões científicas mais profundas.

O Editorial Crise militar e a completa falência das instituições afirmou: “Promovidas e difundidas por pardacentas entidades tipo maçonaria, lions club e associações israelitas, além de sinistras páginas da web, as declarações do general Mourão a respeito de uma possível intervenção militar – acendendo o fogo reacionário de milicos recalcitrantes e civis, vivandeiras de quartéis – mostram que, mais do que o pronunciamento de um boquirroto, as declarações são expressão de uma vontade das cúpulas e setores das Forças Armadas. A confirmar esta constatação, temos a leniente reação do ministro da Defesa e do comandante do Exército para não falar do alheamento de Temer”.

E, aprofundando na denúncia do próprio conteúdo do golpe militar que se destrinchava, afirmou-se: “Advogam ainda a desenxabida tese de que as instituições são boas, os políticos é que as achincalharam e, assim, o que se coloca é uma intervenção militar para efetuar uma assepsia nas instituições”.

Em março de 2018, quando as condições já permitiam, o Editorial de AND 205 estampava: Intervenção militar e golpe de Estado. A denúncia, mais robusta, foi assim desenvolvida: “O decreto federal de intervenção militar no Rio de Janeiro, abrangendo toda a esfera da segurança, incluindo polícia civil, bombeiros e sistema carcerário, é um passo a mais na direção do golpe de Estado militar contrarrevolucionário preventivo à uma futura e inevitável insurgência popular que já atormenta o eixo Washington-Brasília. Em última instância, é balão de ensaio na preparação da opinião pública nacional e internacional para o mesmo”.

E prossegue, apontando a relação da Operação “Lava Jato” com os altos mandos militares, tendo sido o desatar da ofensiva contrarrevolucionária: “Desde o início da Operação ‘Lava Jato’ temos afirmado a ação de uma ‘mão oculta’ manejando a campanha anticorrupção, no objetivo imediato de limpar a fachada das principais instituições do Estado, desgastadas e desmoralizadas na opinião popular, e salvar seu sistema do rechaço completo pelo povo, como a crescente abstenção eleitoral (além dos votos nulos e brancos) atesta, transformando-se em subversão aberta. Tal manejo operado pelo Ministério Público e Judiciário, secretamente centralizado por determinada seção do Alto Comando das Forças Armadas., é inspirado pela Embaixada ianque e conta com as trombetas da Rede Globo”. “O alto mando das Forças Armadas buscou a intervenção militar após o esvaziamento da Operação ‘Lava Jato’, cuja onda de delações arrolou os três poderes da República e as cúpulas das siglas do Partido Único...”.

Na edição seguinte, 2ª quinzena de março de 2018, AND apontou o caráter gradual e ampliado da intervenção, isto é, seu modo de impor-se diferente de 1964. “Os militares vieram trabalhando em silêncio a intervenção militar planificada, a qual continuará a ser ampliada até que surjam as circunstâncias e condições consideradas adequadas e convenientes para se consumar o completo golpe de Estado”, expôs o Editorial O golpe militar e a intervenção militar ampliada.

Nesse mesmo Editorial afirmou-se também, de forma clara, tal como fica plenamente evidente somente hoje para boa parte do oportunismo, que a situação correspondia a “um Plano do Estado Maior, em que os militares assumirão poderes cada vez maiores na tentativa de fazerem uma assepsia nas instituições para dar uma nova fachada ao velho ‘Estado democrático de direito’, no objetivo de recuperar sua credibilidade e legitimidade”.

E, sua relação com a “Lava Jato”: “O fracasso da Operação ‘Lava Jato’, ao deixar livre a nata da politicalha nacional, inclusive a quadrilha de Temer, e após usá-lo para aprovar as ‘reformas’ antipovo e vende-pátria, fez passar ao ‘plano B’, com os militares assumindo cada vez mais a centralização do poder”.

Sobre as eleições que ocorreriam meses depois, AND deixara claro, já àquele momento, que seriam apenas chancela, e nada a mais, ao plano dos generais. “A realização de eleições neste quadro revelará cabalmente o seu caráter farsante, coisa que há muito tem feito parte da consciência das massas, através do marcante repúdio da abstenção, do voto nulo ou branco”. Com a impugnação do oportunista-mor Luiz Inácio, a facada no Bolsonaro e as declarações dos altos mandos sobre a ilegitimidade do pleito caso o resultado não fosse aceitável deixaram ainda mais inquestionável a correção da análise.

Na edição 208, na 2ª quinzena de abril de 2018 (momento o qual, apesar de mil evidências, o oportunismo e outros não levantaram sequer rumores de protesto contra os militares por seu evidente processo de tutela e intromissão) AND assim denunciou em sua capa: Em marcha golpe de Estado contrarrevolucionário!, constando na foto uma reunião do Alto Comando do Exército.

O Editorial, intitulado Golpe militar de Estado como prevenção à justa rebelião das massas, afirmou: “Chegado a um estágio tal de inevitável putrefação, a luz vermelha do establishment acendeu-se frente ao descrédito e falta de legitimidade que amplos setores da sociedade demonstram em manifestações patentes de repúdio. Nesse contexto, a Operação ‘Lava Jato’ foi lançada para fazer uma assepsia geral nas instituições do velho Estado por salvar seu sistema de exploração decantado como ‘Estado Democrático de Direito’. Assumindo destacado papel político, a ‘Lava Jato’ passou a atuar de forma seletiva para atender aos interesses do imperialismo, de determinados grupos de poder das frações das classes dominantes locais e dos altos mandos das Forças Armadas. Porém saiu do controle, dada a gravidade da crise estrutural desse capitalismo burocrático vigente, atingindo todas as esferas da política oficial, agudizando ainda mais a luta pelo controle da máquina de Estado entre seus grupos de poder”.

E mais: “Mirando o fracasso da operação de limpeza nas aparências das carcomidas instituições desta velha ordem burguesa semicolonial e semifeudal – a condenação e prisão de Luiz Inácio e as de mais um punhado de larápios, os últimos pegos em flagrante delito, não salva este carcomido sistema da sua bancarrota, ao contrário, agravou formidavelmente sua crise –, os reacionários põem em marcha o seu golpe de Estado contrarrevolucionário preventivo à inevitável e violenta rebelião das massas frente ao incremento da exploração, desigualdades e opressão levado a cabo por este sistema e seu velho Estado. Tal como a intervenção militar golpista, as labaredas da rebelião popular se alastrarão por todo o país. Quem viver verá!”.

A essa altura, na luta política com diversas forças que atuam nos movimentos populares, não era incomum aos que difundiam o AND ouvir rejeições ou reclamos, dizendo tratar-se de anacronismo, ou de “teoria da conspiração”. Os fatos falaram por si.

Depois já com a eleição e posse da chapa Bolsonaro/Mourão, conformada como uma imposição deste como vice-presidente (assim analisou AND), este órgão evidenciou a tutela exercida pelos generais enquanto alguns apenas viam convergência entre eles.

O Editorial Quem governa o país, da 2ª quinzena de fevereiro e 1ª de março, assim afirma: “Os primeiros 30 dias de governo evidenciaram em fatos toda a inconsistência de Bolsonaro e sua camarilha, ao tempo que se comprova ser seu governo um biombo constitucional donde oculta-se o golpe militar contrarrevolucionário preventivo, desatado pelo Alto Comando das reacionárias Forças Armadas. Os meses seguintes tratarão de deixar patente que Bolsonaro só pode desempenhar o papel de máscara de proa, e ainda assim, até onde e enquanto for útil”.

E prossegue: “O general Mourão das declarações na Maçonaria – em que pregou golpe militar, defendeu uma nova constituição elaborada por notáveis e outras pérolas do reacionarismo, como apoiar uma intervenção militar na Venezuela – repentinamente deu lugar a um Mourão moderado e comedido. Tal transmutação só cabe ser concebida como produto de importante orientação, ou melhor, de uma ordem. É mais um passo ofensivo na usurpação do governo Bolsonaro pelo Alto Comando militar, medida em prol de minimizar estragos que poderão desgastar, mais cedo que se imagina, o iniciante governo”.

“Sete ministros de Bolsonaro são militares, e quando o ministro é civil há um militar como secretário geral do ministério. Áreas estratégicas do Estado e, particularmente, postos chaves da operacionalidade de governo estão sob o controle absoluto do Alto Comando das Forças Armadas. O golpe militar contrarrevolucionário preventivo foi desatado bem antes do processo eleitoral, se instalando neste governo (que não foi de sua escolha) como produto das circunstâncias e transitoriamente tomando a forma de um governo sufragado nas urnas da farsa eleitoral. Trata-se de necessidade imperiosa das classes dominantes e do imperialismo, pela salvação do secularmente vigente sistema de opressão e exploração do povo e de subjugação nacional, ameaçado em seu funcionamento pela grave crise econômica, política, moral e social”, assim arrematou este Editorial, o primeiro após a posse da chapa.

Sem mais avançar no conteúdo dos demais Editoriais de AND daí em diante – embora fosse interessante fazê-lo para demonstrar a profundidade e justeza das análises e das previsões materialistas científicas –, fica já bastante claro o poder da ciência do proletariado manejado por esse instrumento da luta do povo.

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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