Companheiro Diquinho, presente na luta!

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Na madrugada do dia 14 de abril, Nilton Gomes Pereira, conhecido como Diquinho, liderança comunitária e bravo revolucionário, sempre atuante no movimento de favelas do Rio de Janeiro, faleceu por causa “indeterminada”. 

Há cerca de três semanas apresentou sintomas de gripe e não vinha se sentindo bem. Chegou a ir à UPA do Complexo do Alemão, acompanhado por companheiros. Lá, o receitaram remédios que o fizeram perder até mesmo a audição. Nesta segunda, 13 de abril, foi encontrado desacordado pelos companheiros que não tardaram em o levar ao hospital. Foi encaminhado à UPA de Manguinhos, e não foi realizado nenhum teste ou exame, retornando para casa. 

Na noite de segunda, por volta das 22h, Diquinho sentiu fortes dores nas costas e começou a sentir intensa falta de ar. Os companheiros que cuidavam dele não tardaram em ligar para a emergência. Percebendo a demora, tentaram socorrê-lo por conta própria, mas Diquinho não resistiu e faleceu. A ambulância chegou 10 horas depois. 

Cabe aqui denunciar que sua morte foi devida ao descaso do serviço de saúde, serviço esse duramente atacado pelo velho Estado. Diquinho, mesmo tendo problemas cardíacos, mantinha vigor e saúde. 

Ainda jovem, se mudou para o Complexo do Alemão, vindo do interior de Minas Gerais. Integrou o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) no final dos anos 1970, temperando sua militância nos duros anos do regime militar fascista. Era responsável pelo trabalho de favela do movimento, principalmente no Complexo do Alemão. Diquinho teve destaque na organização da ocupação do Morro da Baiana, lutando implacavelmente pelo direito à moradia e contra os ataques do velho Estado ao povo. Foi presidente da Associação de Moradores da Grota, organizando diversas lutas populares, e vice-presidente da Federação das Associações de Favelas do Rio de Janeiro (Faferj). 

Diquinho rompeu com o MR-8 e passou por diversos partidos políticos como PDT, PT e Psol, inclusive se candidatando a cargos eleitorais. Entretanto, percebendo a insuficiência do cretinismo parlamentar em resolver a vida do povo nas favelas, rompeu com todos eles a seu tempo, desiludido com a farsa eleitoral. Diquinho, revolucionário marxista-leninista convicto e defensor ferrenho da Revolução Proletária, construiu o Conselho Popular em 2010, como forma de lutar pelos direitos do povo e difundir a teoria marxista-leninista na favela. Confiava inequivocavelmente nos princípios revolucionários de que a maior arma do proletariado é sua organização. Em conjunto a companheiros de outros movimentos populares, criou também a Escola do Conselho Popular e Pré-vestibular Social na laje de sua própria casa. 

Seu Zé Maria, morador do Complexo do Alemão e grande amigo de Diquinho, comenta: “Sempre foi uma pessoa muito boa, pessoa do povo mesmo, ajudava quem precisava. Posso dizer que foi um dos meus melhores amigos. E que o conselho popular ajudou muita gente a conquistar o direito de estudar. Era um conselho que era feito para ajudar o povo, sem nenhum político envolvido”. 

Diquinho completou 71 anos no dia 12 último, e mais de 40 anos de sua vida foram dedicados à luta do povo, de forma totalmente abnegada e incansável, mantendo um estilo de vida simples e labutador. Lutou até o fim de sua vida pela organização do povo nas favelas e se manteve firme nos momentos mais difíceis ao lado dos moradores do Complexo do Alemão, sem hesitar em nenhum momento. Incentivou e apoiou o movimento de juventude da região, tendo convicção que a luta é o único caminho possível para se transformar a realidade do nosso povo, falando com paixão inconfundível de um revolucionário sobre a luta do povo e a revolução. 

Diquinho foi um bravo lutador do povo brasileiro. Mesmo doente em seu último dia de vida, não hesitou em ceder sua laje para a organização de solidariedade popular em meio à pandemia da Covid-19. Manteve até o final a fibra que somente um revolucionário comunista pode ter. Seu exemplo seguirá vivo na luta para mudar essa velha ordem, e a luta à qual dedicou toda sua vida não foi e não será em vão. Seu exemplo de fibra e ânimo comunistas arrastará milhares de massas para a luta proletária e seu trabalho árduo inspira a juventude a seguir adiante. Diquinho sempre será memória viva nas lutas do povo do Complexo do Alemão. 

Companheiro Diquinho, presente na luta!

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