África do Sul: Moradores de favelas travam lutas combativas por comida, água e moradia

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Povo da Cidade do Cabo enfrenta a polícia da áfrica do Sul, exigindo auxílio alimentar do velho Estado durante a crise sanitária e econômica vigente.

Moradores de favelas na Cidade do Cabo e  outras cidades, durante o mês de abril e o final do mês de março, desafiaram o novo coronavírus e lutaram bravamente pelos seus direitos mais elementares, protestando contra o descaso do velho Estado com a alimentação do povo, contra a falta d'água nas favelas em plena crise sanitária, assim como a resistência contra o despejo de suas moradias.

No dia 15 de abril, diversas lojas foram saqueadas pelo povo faminto, logo após um protesto contra a espera pela entrega de kits de alimentos que haviam sido prometidos pelo governo de turno. Os moradores ergueram várias barricadas com pneus e pedras em chamas nas estradas, sendo que os policiais que tentaram reprimir as massas enfurecidas foram combatidos a pedradas. Três pessoas de 16, 18 e 20 anos foram presas por “violência pública”.

Enquanto isso, no bairro Gatesville, um grupo de 16 pessoas invadiu um supermercado e fugiu do local com cinco caixas registradoras e produtos alimentícios e de higiene. Nesse caso, a polícia prendeu quatro pessoas com idade entre 21 e 24 anos. 

Em Manenberg, dois supermercados atacadistas foram arrombados e produtos alimentícios tomados. 

A polícia também atacou moradores furiosos reunidos em uma escola no bairro de Alexandra, em Joanesburgo, que quebraram as regras de toque de recolher, fazendo fila para receber pacotes de alimentos. Um dia atrás, pessoas haviam ido ao local para entregar pacotes de alimentos e prometeram voltar ao lugar, mas não o fizeram.

"Estamos com fome", gritavam os moradores.”O bloqueio precisa acabar, queremos voltar ao trabalho", disse um morador à imprensa. "Precisamos vender nossas frutas e verduras novamente". O nosso estoque está apodrecendo porque não estamos vendendo".

Policiais atiram contra manifestantes

No dia 13 de abril, policiais atiraram contra moradores de favela que protestavam contra a demolição de suas moradias em Empolweni e Khayelitsha, em pleno domingo, informou a imprensa GroundUp. 

Cerca de 60 manifestantes resistiram aos oficiais, que começaram a repressão desmedida, atirando com balas de borracha e munição de fogo contra os moradores.

De acordo com as mídias locais, os conflitos entre o velho Estado e os ocupantes das terras se intensificou naquela semana. No dia 9 de abril, foram demolidos dezenas de barracos. No dia 11 e 12, houveram mais conflitos.

O ativista Bonga Zamisa, da Social Justice Coalition (SJC), que coletou as balas de borracha no local se deparou com munições de arma de fogo. Outro ativista, Axolile Notywala disse que também viu um dos agentes da lei sacar sua arma e colocá-la de volta rapidamente quando percebeu que estava sendo gravado.

Uma moradora, Thandiwe Cebisa, disse que os oficiais a feriram enquanto destruíam sua barraca: os oficiais tentaram arrastá-la para fora do barraco, mas ela resistiu mesmo quando os agentes do velho Estado derrubaram-na enquanto ela ainda estava lá dentro.

"O telhado me atingiu na minha pélvis enquanto ele caía e agora minha pélvis dói", disse ela.

‘Lavar as mãos com o quê?’

Moradores da cidade de Khayelitsha protestam contra a falta d’água

Mais de 40 moradores da cidade de Khayelitsha protestaram no Centro Cívico da Cidade do Cabo e carregando baldes vazios e cartazes, exigiram ao presidente Cyril Ramaphosa a resolução do problema de falta d’água nas favelas da cidade, no dia 25 de Março de 2020.

Algumas favelas não têm qualquer acesso à água. E muitos estão lutando com a pressão lenta da água e não têm torneiras que funcionem o suficiente.

"Onde vivemos, já estamos em maior risco de sofrer muitos outros males sociais que afetam nossas comunidades", disse um dos manifestantes.

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