Amazônia: Cansados de esperar pelo auxílio emergencial trabalhadores protestam

A- A A+

Trabalhadores que demoram para receber auxílio emergencial tem respondido ao descaso interditando as principais avenidas em Belém (PA) e Manaus (AM).

Durante o mês de abril protestos já eram registrados em várias cidades do interior paraense. A Caixa Econômica registrou até o dia 3 de maio cerca de 96 milhões de pedidos do auxílio.

Em abril trabalhadores protestam por todo o Pará

Em Viseu, distante cerca de 350 Km de Belém, trabalhadores derrubaram a porta da única agência lotérica da cidade, por conta da demora para o recebimento do Bolsa Família e do auxilio emergencial, no dia 16 de abril. O dono do local utilizou até seu cachorro e junto com a polícia, atacou os trabalhadores que estavam formando aglomerações.

Por conta da demora no pagamento do auxilio trabalhadores invadem a única lotérica de Belém (PA).  Fonte: Banco de Dados AND

Em Icoaraci, distrito de Belém, distante cerca de 20 Km da capital paraense, na manhã do dia 22 de abril, os trabalhadores interditaram a Avenida Lopo de Castro, umas das principais vias do distrito. Com barricadas de pedaços de madeira, pneu e lixo, eles protestavam contra a demora na liberação e pagamento do auxílio emergencial. As longas filas na agência bancária já vinham ocorrendo durante todo o mês de abril.

No dia do protesto as filas estavam formadas desde a madrugada, porém os trabalhadores só foram avisados que a agência estava fechada e só voltaria a funcionar no dia 27/04, após a abertura da agência na manhã do dia 22.

Trabalhadores interditam avenida em Maritubai com barricadas. Fonte: Banco de Dados AND

Em Breves na Ilha do Marajó, distante cerca de 240 Km de Belém, trabalhadores formavam longas filas ao longo de todos os dias. No final da tarde do dia 22 de abril as centenas de pessoas tentaram invadir a agência da caixa em protesto contra o descaso e a falta de informação sobre o pagamento do auxílio emergencial.

No dia 13 de abril trabalhadores interditaram a Avenida Governador José Malcher, em Belém, em frente a uma das agências da caixa, devido falta de senhas para atendimento. Em entrevista ao monopólio Diário do Pará, dia 27 de abril, a trabalhadora Luciana Nogueira, relata que o horário de funcionamento deveria ser alterado para melhor atender os clientes. Ela estava na longa fila da agência da Caixa no bairro da Pedreira desde a madrugada. Acho que poderia começar mais cedo o atendimento, evitaria esse tanto de gente na fila. Mesmo assim a gente tem que vir, eu estou contando com esse dinheiro para pagar minhas contas, fazer compras e, se der, economizar para o próximo mês” declarou.

Sábado de protestos na região metropolitana de Belém

No dia 02 de maio houve abertura de algumas agências da Caixa no Pará. Sem quaisquer informações de quais unidades estariam funcionando, mais uma vez os trabalhadores se aglomeraram na frente das agências e, em resposta a negligência, interditaram avenidas em toda a região metropolitana de Belém no mesmo dia.

Em Marituba (PA), município da região metropolitana de Belém, durante a manhã cerca de 100 trabalhadores interditaram uma via da BR 316. Com barricadas feita de pedaços de madeira, pedaços de árvores, pneus e lixo os trabalhadores protestaram contra a falta de informação sobre o funcionamento da agência. As filas no local já estavam sendo formadas durante a madrugada.

Em Belém, também durante a manhã de 02/05 cerca de 50 trabalhadores ergueram barricadas com pedaços de madeira e lixo e interditaram um trecho da rodovia Augusto Montenegro, no Parque Verde. Já no bairro da Sacramenta, cerca de 70 trabalhadores interditaram a Avenida Pedro Álvares Cabral, uma das principais vias da capital. Novamente longas filas já se formavam desde a madrugada em torno das agências.

Em entrevista ao monopólio TV Liberal, a trabalhadora autônoma, Liana de Fátima, denunciou que o auxílio não é favor:  — Tô aqui direto na fila esperando R$600 que parece que é esmola, mas não é. A gente paga nossos impostos todo dia nesse país e nós queremos nosso dinheiro!

O trabalhador autônomo Carlos César relatou que ainda na madrugada de 02/05 a fila já era grande na agência da caixa no bairro da Campina. Ele saiu do local por volta das 13h. "Cinco horas da manhã eu cheguei aqui e já tinha 100 pessoas na minha frente, consegui o dinheiro com muita luta, muito esforço"afirmou Carlos.

A trabalhadora Elene Moraes, que saiu de São Francisco do Pará e foi até Castanhal, nordeste paraense e distante cerca de 80 Km de Belém, relata que a demora no pagamento piora ainda mais a situação da família "Tudo bem que é um dinheiro pra ajudar a população é, mas eu to pegando dinheiro emprestado pra mim vim, quando eu receber vou fazer o que ? Vou só pagar o dinheiro que peguei emprestado pra tá aqui!

O trabalhador autônomo, Nazareno Raiol, relata que ninguém queria estar passando por isso "Ninguém aqui gostaria de estar passando por isso. Temos nossas necessidades, contas a pagar e sustentar nossas famílias, além da necessidade de comprar remédio se a gente contrair essa doença. Infelizmente não disponibilizaram um sistema do banco pra evitar essa situação. Então, estamos passando por isso.

Trabalhadores das agências bancárias também denunciam as condições humilhantes das longas filas

Uma das lideranças do sindicato dos bancários do Pará e trabalhadora da Caixa, Tatiana Oliveira, relata que essa situação caótica também causa o adoecimento dos trabalhadores da categoria "Infelizmente nossos colegas estão adoecendo, seja com o vírus ou psicologicamente, aqueles que arriscam a vida diariamente para atender a população que também precisa". E aponta "A medida do Governo Federal, com o auxílio emergencial, que deveria ser para ajudar, levou milhares de pessoas às agências bancárias, expondo mais ainda a categoria. A maioria dos atendimentos é despachada do lado de fora, são coisas que podem ser resolvidas pelos canais alternativos, mas quem realmente precisa, sequer tem telefone celular para acessar os aplicativos. Já são 4 agências fechadas por conta de casos confirmados, nossos colegas estão adoecendo, e se nada for feito, a tendência é de mais unidades também fecharem. São pessoas que atendem, que tem família, a Caixa e o Governo Federal precisam melhorar estratégias de atendimento a população urgente”

Outra liderança sindical, Rosalina Amorim, relata que o banco deveria melhorar a comunicação "a Caixa deveria, no mínimo, ter feito o aviso nos veículos de comunicação, única forma mais rápida de alcance de uma mensagem que precisa ser veiculada urgentemente".

Em Manaus longas filas se repetem, trabalhadores interditam avenida e polícia reprime

No dia 28 de abril cerca de 200 trabalhadores interditaram com barricadas com pedaços de madeira  e lixo a Avenida Autaz Mirim, em frente a agência da Caixa na  Zona Leste de Manaus. Os trabalhadores, entoando palavras de ordem “queremos senha!”, protestavam contra a demora do pagamento do auxílio emergencial. Crianças e idosos também estavam presentes nas filas.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, os trabalhadores denunciavam a falta de senhas para atendimento e a violenta repressão da polícia contra o protesto. "Estamos perto da bola do produtor, na Caixa. A população tá querendo senha e não tem senha. Fecharam a Caixa. A população tá todo aglomerada aqui na rua e a polícia tá aqui querendo embaçar".

O trabalhador Domael Queiroz denunciou o covarde ataque da polícia contra os trabalhadores "Sou pai de família, tenho filhos para criar e nunca estive em nenhuma delegacia. É inadmissível os policiais lançarem spray de pimenta sobre nós, que só queremos ter um atendimento digno que é nosso direito".

Outro trabalhador, que preferiu não se identificar, denunciou a falta de informação que favorece a formação das filas "Nós estamos aqui há 4 dias sem receber nada, nem informação. Quando chega aqui na frente, eles dizem que acabou a ficha. Cadê as 300 fichas?".

Aos trabalhadores demora, aos bancos rapidez.

A burocracia imposta aos trabalhadores para recebimento do “auxílio emergencial” é bem diferente da imposta aos bancos conforme vem denunciando o AND, tudo para os ricos governo libera R$ 1,2 trilhao para os bancos.

Ainda no início da pandemia no Brasil, no mês de março, o Banco Central anunciou a liberação de cerca de 16% do PIB ao bancos, valor cerca de 10 vezes maior em comparação aos valores liberados na crise financeira de 2008. 

Enquanto a negligência e desprezo pelas condições de vida do povo provocam as enormes filas e aglomerações nos bancos e casas lotéricas, que estão se tornando cada vez mais comuns em todo o país, os trabalhadores vêm reagindo cada vez mais com combatividade contra essa situação humilhante.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Fausto Arruda

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Matheus Magioli Cossa
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ana Lúcia Nunes
Rodrigo Duarte Baptista
Vinícios Oliveira

Ilustração
Taís Souza