RJ: Forças policiais sequestram, torturam e matam no Alemão; dez moradores foram executados

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Moradores do Complexo do Alemão transportam corpo após operação policial — Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Em meio à pandemia de coronavírus, a Polícia Militar (PM) do Rio de Janeiro realizou uma operação de guerra no Complexo do Alemão, no dia 15 de maio, deixando um rastro de mortes e destruição. O saldo da operação é de dez pessoas mortas, uma pessoa ferida, espancamento de moradores, carros de moradores destruídos, lojas arrombadas e mercadorias roubadas pelos militares.

A operação, que contou ainda com atuação da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil em conjunto com o Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM, começou por volta das 6h da manhã. Utilizando pelo menos cinco veículos de guerra blindados, os policiais promoveram terror.

Em um vídeo que circula na página do Facebook do jornal Voz da Comunidades, cinco pessoas aparecem mortas no chão enquanto moradores e familiares choram desesperadamente. Os moradores foram cercados em casa, torturados e executados friamente. Seus corpos tinham marcas de facadas e tiros; os moradores tiveram ainda suas pernas e maxilares quebrados nas sessões de tortura. 

Os moradores ainda denunciaram que foram eles que tiveram que descer os corpos, pois os militares se recusaram em fazer a retiradas dos cadáveres. Enquanto os familiares e amigos cuidavam dos corpos, que foram levados por eles mesmos até a entrada da Nova Brasília, um bando de dez policiais militares foi ao local tumultuar, armados com granadas de mão, e com covardia insultaram os familiares.

Moradores do Complexo do Alemão transportam corpo após operação policial, no Rio de Janeiro — Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Moradores do Complexo do Alemão transportam corpos após operação policial, no Rio de Janeiro — Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Por meio de redes sociais, os moradores das comunidades da Grota, Fazendinha, Loteamento, Alvorada e Nova Brasília demonstraram sua indignação com mais uma manhã de terror. Uma moradora, via internet, também expôs a sua revolta: “Ao mesmo tempo que não se pode aglomerar como prevenção ao coronavírus, aqui na favela a realidade é tentar aglomerar todo mundo no cômodo mais seguro da casa para se proteger da guerra. Tá rolando operação do Bope desde cedo aqui no Complexo do Alemão".

Em outro vídeo aparece um beco destruído que, segundo moradores, foi produto de uma explosão de uma granada lançada pelos militares. Várias cápsulas de fuzil pelo chão do beco podem ser avistados.

“Uma pandemia dessas, um estresse enorme, e agora essa operação. As pessoas já apavoradas e agora tendo que lidar com todos esses tiros”, disse uma moradora ouvida pelo jornal Extra.

Os moradores também denunciam que os policiais arrombaram um bar e consumiram mercadorias do estabelecimento. “Aqui na rua 2 eles quebraram o cadeado do bar no Joselino e entraram, ainda consumiram mercadorias”, disse um morador.

Moradores ainda denunciaram que o carro blindado da PM, o “Caveirão”, arrastou e destruiu vários carros de moradores que estavam estacionados nas calçadas, dando um enorme prejuízo material aos trabalhadores.

Se não bastasse todos esses transtornos e sofrimentos que os moradores do Complexo do Alemão são obrigados a passar, eles ainda ficaram sem energia elétrica, após um tiro atingir um transformador da região.

Vários carros foram destruídos pelo Caveirão da PMs. Foto: Banco de Dados AND

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