Camboja: Mais de 600 trabalhadores protestam contra perda de salários

No dia 11 de maio, segundo relatado pelo Khmer Times, mais de 600 trabalhadores da fábrica têxtil chinesa Sepia, em Phnom Penh, capital do Camboja, protestaram contra salários não recebidos e atrasados. O protesto ocorreu no distrito de Por Senchey, em frente à fábrica.

Agitações na frente da fábrica (Fonte: Khmer Times)

Sok Kha, trabalhador protestando em frente da fábrica, disse que eles exigiam o salário do dia 1° ao 17 de abril. Ele disse que a empresa prometeu pagar os trabalhadores no dia 9 de maio, mas que até dia 11 não haviam recebido nada. Son Kha adicionou que ele e muitos outros estão tendo dificuldades em pagar aluguel.

Hay Chansophea, outro trabalhador, disse que a fábrica não pagou os dias trabalhados em abril após fechar suas operações depois do dia 17/04 por falta de demandas. 

Trabalhadores protestam em frente à fábrica (Fonte: Khmer Times)

A Sepia, que não se trata de uma fábrica pequena ou média, mas sim de uma grande fábrica chinesa, se aproveita da ruína que toma conta das indústrias nacionais cambojanas para tentar conquistar isenções. 

O chefe da administração da Sepia, Kong Sambar, que não pagou seus funcionários, disse que os donos de fábricas "não têm dinheiro para pagar seus aluguéis”, referindo-se aos pequenos e médios proprietários, para tentar arrancar benefícios, utilizando da crise agudizada pelo coronavírus para aprofundar a exploração dos trabalhadores, precarizando-os o trabalho e os arrancando seu salário.

Benefícios aos monopólios, falência aos pequenos

Segundo a Associação de Manufatura de Roupas de Camboja (GMAC, no original), que representa a burguesia compradora, os monopólios no país, atualmente 180 indústrias já pararam de operar, com mais 60 estando próximas do mesmo, o que está arruinando a renda de mais de 150 mil proletários. A grande maioria são pequenas e médias.

A GMAC, por sua vez, ao contrário de exigir apoio do governo para salvar as indústrias pequenas e médias, tem defendido menores salários aos trabalhadores por um período de três a seis meses.

Sem fazer distinção entre uma fábrica de capital nacional e uma grande indústria estrangeira (como a Sepia), o velho Estado Cambojano, ao contrário de ajudar os pequenos proprietários do país na crise (com medidas como a isenção do aluguel das pequenas fábricas, evitando o desemprego) e manter a renda dos proletários, tem feito o oposto. 

A única medida do governo para "proteger os trabalhadores" é um pagamento de 70 dólares norte-americanos por mês, sendo 40 pagos pelo governo e 30 pelo proprietário da fábrica. Medida qual as grandes empresas podem cumprir, quanto às pequenas as leva à falência.

Além disso, o velho Estado tem agido para que os sindicatos e direitos trabalhistas sejam reprimidos.

De acordo com reportagens da Clean Clothes Campaing, o Ministério do Trabalho e Formação Profissional autorizou a empresa têxtil Roo Jsing Garment Co. a demitir sem justificativa três membros da Aliança Cambojana de Sindicatos (CATU). O Departamento de Disputas Trabalhistas permitiu que Ek Sarun, vice-presidente do sindicato local das fábricas, Sok Kong, secretário do sindicato local das fábricas e Kon Soch, assistente de administrador e ativista sindical local fossem demitidos alegando que os três se encontraram dia 09/04 para permitir que os trabalhadores comemorassem o Ano Novo cambojano.

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