Crise econômica: Capitalistas do USA destroem produção enquanto as massas passam fome

A- A A+

O avanço da crise de superprodução agudizada pela pandemia do novo coronavírus obrigou, nos últimos meses, os grandes capitalistas agrários no Estados Unidos (USA) a destruir suas plantações devido à queda do lucro com o fechamento abrupto de grandes consumidores como escolas, hotéis e restaurantes. Outras práticas feitas foram o despejo de leite e a quebra de ovos. Tal fato acontece enquanto as prateleiras dos supermercados enfrentam falta de estoque e milhões passam fome.

Prateleiras vazias em supermercado da Califórnia (Fonte: Agricultura e Recursos Naturais, Universidade de Califórnia)

Muitos capitalistas agrários optaram por destruir suas plantações do que vê-las apodrecer, pois mesmo se baixassem o preço da colheita, teriam prejuízo devido ao gasto dispendido na plantação, manutenção e transporte ser maior do que o preço social médio.

Assim, leite fresco em perfeito estado tem sido derramado por grandes capitalistas em Wisconsin e Ohio, parte desse leite era vendido para multinacionais imperialistas, como o Starbucks, que reduziu o consumo na pandemia. Valas enormes foram cavadas por um capitalista em Idaho para enterrar 453 toneladas de cebolas. No sul da Flórida, uma região que abastece grande parte oriental do USA, tratores estão passando por cima de campos de feijão e couve maduros.

A Dairy Farmers of America estima que os grandes capitalistas do campo estão despejando mais de 14 milhões de litro de leite por dia. Um único processador de frango está destruindo 750 mil ovos não chocados toda semana.

Milhares de toneladas de feijão e repolho foram destruídas no sul da Flórida e na Geórgia (Fonte: The New York Times)

Algo que agrava a destruição em escala gigantesca de legumes e vegetais é a forma com que essa comida é consumida pelos estadunidenses: como comida processada (em pizza, hambúrgueres, batatas fritas) ou quando feito para eles em restaurantes. O que geralmente é uma opção mais barata para a população pobre.

Cebolas em Idaho esperando para serem enterradas (Fonte: The New York Times)

Apesar disso, enquanto o alimento é destruído, de acordo com a instituição Feeding America, 37 milhões de americanos passam fome, sendo forçados a pular refeições, comer menos durante elas, comprar comida de baixo valor nutricional e alimentar seus filhos e não a si mesmos. 

De acordo com a mesma instituição, uma em cada seis crianças estadunidenses passam fome. Esses números foram feitos antes da crise que eclodiu esse ano, que certamente arrastou um grande número das massas para a miséria ainda maior.

A destruição dos produtos não é a toa. A lei do capitalismo em crise de superprodução exige que os capitalistas, ao produzirem mais do que as massas podem comprar, não cedam aos famintos. Isso porque quanto mais fome passam os trabalhadores maior é a quantidade de pessoas que buscam comprar os produtos, que pouco a pouco vai se esvaziando das prateleiras e volta a subir o seu preço (gerando uma “recuperação” parcial da crise). Isto é, a fome dos pobres é a condição para os capitalistas voltarem a enriquecer.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Matheus Magioli Cossa

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Matheus Magioli Cossa
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Matheus Magioli Cossa
Ana Lúcia Nunes
Matheus Magioli
Rodrigo Duarte Baptista
Vinícios Oliveira