SP: Falta de UTIs em Brasilândia escancara descaso do velho Estado com a saúde

A- A A+

Moradores do bairro da Brasilândia, zona norte de São Paulo, denunciam a falta de leitos em hospitais para internar pessoas infectadas pelo coronavírus. O bairro é um dos mais afetados pela pandemia tendo o maior número de mortes pelo coronavírus na cidade de São Paulo.

Mesmo não sendo o bairro com o maior número de infectados, a Brasilândia lidera no número de mortes. A capacidade de leitos de hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) da região já está completamente esgotada.

O hospital referência na região, o Hospital Geral Vila Penteado, no mês de abril, teve que rejeitar um paciente sofrendo de enfarto por não ter leito de Unidade Terapia Intensiva (UTI) disponível para atendê-lo.

Outro hospital, o Hospital Geral da Vila Nova Cachoeirinha está encaminhando pacientes com graves sintomas de Covid-19 para outros hospitais por estar completamente lotado e dispensa pacientes com sintomas leves da doença. Em todos hospitais da região, profissionais de saúde relatam a sobrecarga de trabalho devido aos colegas que estão sendo afastados por se contaminarem pelo coronavírus.

Prometido para ser entregue em 2016, o Hospital Geral da Brasilândia com capacidade para 305 leitos até hoje não foi entregue. O prefeito Bruno Covas anunciou no dia 28 de março que o hospital estaria pronto, em até 40 dias, com a capacidade reduzida de 180 leitos (150 de UTI mais 30 de enfermagem) para o atendimento emergencial do coronavírus. Contudo, como sempre os representantes do velho Estado tentam iludir as massas com promessas que nunca se cumprem. O hospital foi aberto em 10 de maio com pífios 20 leitos de UTI.

O total descaso com as regiões mais pobres de São Paulo fica evidente também quando analisamos a distribuição dos leitos pela cidade. As regiões centrais (Sé, Vila Mariana e Pinheiros) têm concentrado 60% da capacidade de leitos de UTI do SUS em São Paulo, mas tem apenas cerca de 9.3% da população do município. Enquanto regiões que concentram cerca de 20% da população da cidade (Parelheiros, Cidade Ademar, Campo Limpo, Anhanguera, Tremembé, Aricanduva e Lapa) não têm nenhum leito de UTI.

Os demais 16 distritos de São Paulo têm, no máximo, a capacidade de 18 leitos de UTI por 100 mil habitantes, muito abaixo da recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), de no mínimo 30 leitos para cada 100 mil habitantes, conforme informações do monopólio de imprensa UOL com base em uma pesquisa divulgada pela Rede Nossa São Paulo e dados do Datasus de fevereiro de 2020.

Sobre a responsabilidade do velho Estado diante da calamidade do sistema de saúde, nenhuma palavra de seus representantes, somente a velha resposta de sempre: repressão para o povo.

Como afirmou o governador do Estado de São Paulo, Joao Doria, para o monopólio de imprensa no dia 23 de marco: "Nós já orientamos a Polícia Militar [PM] para (…) impedir e prender promotores de bailes funk ou de qualquer outro tipo de movimento que envolva promoção de público e aglomerações nas ruas. Eles serão presos e terão as sanções da lei".  

A falta de UTI nos bairro pobres, o descaso e opressão com o povo das favelas são a evidencia de que a crise do coronavírus na periferia de São Paulo  não é culpa dos seus moradores como querem fazer crer os monopólios de imprensa e os representantes do velho Estado.


Foto: Marcos Paulo Santos Viana dos Passos/Canon College

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Fausto Arruda

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Matheus Magioli Cossa
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ana Lúcia Nunes
Rodrigo Duarte Baptista
Vinícios Oliveira

Ilustração
Taís Souza