Iraque: Povo toma as ruas contra o ‘governo’ colonial

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Dias após o novo primeiro-ministro do Iraque assumir o governo fantoche, no dia 10 de maio, protestos ocorreram nas ruas da capital do país, em Bagdá, exigindo o fim da intervenção ianque no país, assim como do sistema de exploração e opressão coloniais.

 “Manifestantes reunidos em Bagdá”] Fonte: Aljazeera, Murtadha Al-Sudani/Anadolu 

Sendo uma retomada da grande onda de protestos que começaram em outubro de 2019, a manifestação foi a mais combativa e massificada desde março deste ano, quando um toque de recolher foi imposto no país sob justificativas do coronavírus.

A praça Tahrir, de Bagdá, sem muita movimentação desde a imposição do toque de recolher, foi tomada por manifestantes gritando: O povo quer que o regime caia!, jogando pedras e coquetéis molotov contra agentes da repressão policial que os reprimiam com canhões de água e gás lacrimogêneo. 

Além da capital, ocorreram protestos em outras cidades, sendo al-Nasiriyah, cidade ao Sul do país, a mais combativa e numerosa fora da capital. Na cidade, manifestantes fecharam as ruas colocando fogo em pneus, além de jogar pedras nos agentes da repressão, que os reprimiam com gás lacrimogêneo.

“Manifestantes protestam em al-Nasiriyah”. Fonte: Aljazeera

O país, que já passa por uma profunda crise econômica, foi agravada pela crise sanitária causada pelo novo coronavírus. Sua economia pouco diversificada e assentada na exportação do petróleo (cujo preço está em queda vertiginosa devido à crise geral de superprodução do imperialismo), característica do regime colonial que lá impera, está sofrendo um debacle, potencializada com o fechamento da circulação de mercadorias no país durante a pandemia.

Mustafa Al-Kadhimi, o novo primeiro-ministro, reafirma o domínio do imperialismo ianque sobre o Iraque. Ele foi diretor do Serviço Nacional de Inteligência do Iraque, órgão sob tutela direta de agentes ianque. O serviço foi reestruturado por Al-Kadhimi de acordo com as diretrizes do USA e destinou-se sobretudo a combater o Estado Islâmico, quando este combatia as tropas ianques.

Como bom traidor nacional, Al-Kadhimi, durante a invasão ianque ao Iraque iniciada em 2003, criou e dirigiu entidades com o fim de produzir propaganda de guerra a favor dos ianques, "investigando" os "crimes de guerra" de Saddam Hussein e do partido Baath, que organizaram uma Resistência Nacional contra o invasor.

Sua ratificação como primeiro-ministro é uma afirmação do projeto colonial. Embora o “parlamento” iraquiano (que não tem nenhum poder efetivo a não ser abrigar aqueles que capitularam da resistência armada ao invasor) tenha pedido a retirada das tropas reiteradamente, a ocupação militar deve prosseguir.

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