18 de maio: 47 anos do assassinato de Ibrahim Kaypakkaya

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Ibrahim Kaypakkaya, fundador do Partido Comunista da Turquia/Marxista-Leninista (TKP/ML)

Há 47 anos, em 18 de maio de 1973, o grande dirigente comunista turco e fundador do Partido Comunista da Turquia/Marxista-Leninista (TKP/ML), Ibrahim Kaypakkaya, foi assassinado após meses de brutais torturas pelo velho Estado fascista turco, nos porões da prisão Diyarbakır.

Kaypakkaya nasceu em 1949. Na sua juventude, trabalhava como entregador de revistas políticas nos vilarejos de sua vizinhança. Será mais tarde, já na faculdade, que ele irá se aproximar do marxismo.

Nos anos 60 e 70, o mundo passava por grandes turbulências e períodos de lutas revolucionárias, sendo a mais significante a Grande Revolução Cultural Proletária (GRCP) na China. A Turquia não fugiria desse contexto e, o vento revolucionário que soprava sobre o mundo também agiria sobre o país, inspirando os trabalhadores e todo o povo da Turquia, levando a uma ascensão do movimento revolucionário no país, combatendo o revisionismo que desviava o movimento proletário da luta anteriormente.

Greves de trabalhadores, ocupações de terras e fábricas, assim como lutas estudantis se tornaram recorrentes na Turquia a partir de 1965, com cada luta travada atingindo novos e mais elevados níveis de combatividade. Cada vez mais as massas eram atraídas pela revolução, com numerosos livros revolucionários sendo traduzidos para a língua turca, assim como novos Partidos e organizações iam surgindo.

É nestas circunstâncias que Ibrahim Kaypakkaya, na fornalha da luta de classes, seria forjado equanto dirigente comunista.

Kaypakkaya seria membro do Partido Revolucionários de Trabalhadores e Camponeses da Turquia (TİİKP, sigla em turco), e membro fundador da Federação do Clube de Ideias (FKF, sigla em Turco), onde seu pensamento irá florescer, em luta contra as ideias propagadas pelos reformistas do Partido dos Trabalhadores da Turquia (TIP, sigla em turco) e outras correntes revisionistas.  

Em março de 1971, os militares, através de um golpe de Estado, assumem as rédeas do velho Estado e dão início a uma era de fascismo sobre as massas. Kaypakkaya, antes mesmo do golpe, via cada vez mais a necessidade da Guerra Popular, analisando como as condições objetivas estavam “extremamente maduras”, onde as lutas das massas de trabalhadores e camponeses estavam “crescendo como uma avalanche”.

Numa luta de duas linhas dentro do TİİKP, Kaypakkaya e seus camaradas, que formavam a linha vermelha no Comitê Regional da Anatólia Oriental, formularam críticas ao programa do Partido, tecendo críticas às posições do Partido no Grande Debate (onde Kaypakkaya defendia fervorosamente o PCCh e GRCP), a defesa da violência revolucionária, entre outros.  

Após discussões sobre a questão da luta armada e da Guerra Popular, o Comitê irá romper definitivamente com o partido revisionista, de modo que Kaypakkaya e seus camaradas forjam o heróico combatente Partido Comunista da Turquia/Marxista-Leninista, no dia 24 de abril de 1971; desfraldando o princípio de que “o poder nasce do fuzil”, dão início a Guerra Popular como único caminho para o triunfo da Revolução de Nova Democracia, ininterrupta ao Socialismo. 

Kaypakkaya, aplicando a ideologia científica e todopoderosa do proletariado, hoje o marxismo-leninismo-maoismo, às particularidades da Turquia, estabeleceu o campesinato como força principal da revolução no seu país, revolução esta de Nova Democracia, assim como a importância fundamental da questão nacional curda para o processo revolucionário, além de desmascarar a verdadeira natureza fascista do kemalismo como uma ideologia da grande burguesia turca. Ibrahim Kaypakkaya se tornará um farol aos comunistas e revolucionários da Turquia, iluminando as massas que estavam presas em meio a desorientações e ilusões. 

Como consequência, Ibrahim Kaypakkaya será visto como o revolucionário mais perigoso do país e uma grande ameaça ao regime militar-fascista que comandava a nação, tornando-se urgente a tarefa da reação de assassinar o chefe do TKP/ML. 

Dessa forma, Kaypakkaya e seus camaradas seriam atacados pelo Exército fascista, onde Kaypakkaya, após sobreviver com duros ferimentos e ter parte de seus companheiros mortos, se esconderia num vilarejo, sendo abrigado por um traidor do povo, que o entregou às forças reacionárias. 


Ibrahim Kaypakkaya capturado pelos fascistas

Transformando sua prisão numa gloriosa trincheira de combate, aguentou por quase quatro meses as mais brutais torturas, até finalmente ser assassinado, no dia 18 de maio de 1973, sem revelar segredo algum de seu Partido e de seus camaradas aos fascistas. Sua coragem segue, até hoje, entre os revolucionários e comunistas turcos, como um exemplo de dar a vida pela Revolução, e seu pensamento, verdadeiro guia revolucionário para as massas da Turquia. 

'Uma Guerra Popular mais sólida, forte e determinada foi a sua última ordem!'

Seguindo o aniversário de 47 anos de sua morte, a publicação revolucionária Partisan publicou uma declaração, afirmando que iriam “comemorar seu dirigente em todas as áreas, com nossos amigos e nosso povo, e todas as forças revolucionárias e democráticas na Europa com nossas bandeiras nas ruas, nas associações, praças, usando tudo para apoiar e lembrar nosso dirigente!”. 

Também publicaram o artigo Uma Guerra Popular mais sólida, forte e determinada foram suas últimas ordens, onde os revolucionários fazem uma análise da realidade da Turquia hoje, um balanço da história do Partido e de Kaypakkaya, além de defender o marxismo-leninismo-maoismo. 

Eles Afirmam que o pensamento de Kaypakkya “é baseado na ideologia do proletariado, o marxismo-leninismo-maoismo. Ele via a Turquia sob a luz do materialismo histórico dialético”, através do qual seu “pensamento foi forjado nas chamas furiosas da luta ideológica e na ação de transformação”. Os militantes afirmam que Kaypakkaya é um dirigente revolucionário que “mergulhou no fogo furioso da prática e começou a construir o partido e a guerra, ao dirigir o processo de construção”.

Por fim, o Politburo do Comitê Central do TKP/ML lançou uma nota em homenagem ao seu dirigente, intitulada Ibrahim Kaypakkaya é um manifesto de direção!, afirmando que Kaypakkaya construiu um “Partido combatente”, e que ele “focava no hoje para tornar o passado e o amanhã um conceito histórico”. O Partido afirma que os comunistas do TKP/ML continuam “a compreender Kaypakkaya e cercar o futuro ao construir o Partido hoje”. 

Finalizam a declaração afirmando que Ibrahim “mostrou iniciativa ao tomar a decisão de levar  as massas à salvação ao organizar o Partido com a crença no poder da Guerra Popular” e que “estamos agindo com a consciência de que o Partido, sem um caráter combatente, não pode sobreviver nas condições de nosso país”, e que “vamos agir com essa compreensão e consciência no 48º ano da fundação do Partido e no 47º ano da morte de nosso dirigente, realizando a grande reivindicação de nosso chefe desta maneira, fazendo de sua direção um guia”.

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