Catalunha: Polícia espanhola recebeu bônus milionário por reprimir movimento pró-independência

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Manifestantes catalães enfrentam a polícia de choque da Espanha do lado de fora de um local de votação no dia do referendo da independência, 01/10/2017. Foto: Susana Vera/Reuters

Oficiais da Polícia Nacional Espanhola (CNP) e funcionários civis envolvidos na megaoperação para reprimir o movimento de independência e a realização do referendo da Catalunha que ocorreu em 2017 receberam bônus de até 21 milhões de euros pelos seus feitos, de acordo com o relatório “privado e confidencial” de 464 páginas do grupo empresarial Ernst & Young.

O valor dos prêmios de bônus está incluído no indecente montante de 87 milhões de euros que o Congresso espanhol destinou para a contenção do movimento a favor da autodeterminação da Catalunha que propunha sua independência por vias legalistas. 

Em 2017, a Espanha enviou uma tropa de aproximadamente 6 mil policiais para a região autônoma catalã. Grande parte deles ficou alojada em três navios, na capital regional Barcelona e na cidade de Tarragona desde antes, durante e depois da votação do referendo independentista, cujo aluguel custou um total de 26,5 milhões de euros. 

Naquele ano, mais de 800 pessoas ficaram feridas pela repressão colonial do Estado espanhol apenas no dia da realização do referendo, o que resultou em uma onda de protestos e greves pela região. 

Desde então, segundo o jornal escocês The National, tais bônus tornaram-se “parte do pagamento regular dos destinatários”, ou seja: os agentes da repressão continuam a ser recompensados pelo uso de violência contra os cidadãos catalães. Os policiais envolvidos, então, receberam também medalhas e outros prêmios, inclusive alguns que ainda estão sob investigação na Catalunha por uso excessivo de violência durante o referendo. 

A NECESSIDADE DE AUTODETERMINAÇÃO

A frágil independência da Catalunha, pela qual o referendo de 2017 se manifestou a favor, durou apenas algumas horas, quando foi usurpada pela intervenção do governo central espanhol, então encabeçado pelo primeiro-ministro Mariano Rajoy. 

O parlamento e o governo da região foram forçados a fechar e diversos dirigentes do movimento foram presos, nove dos quais continuam presos. A exigência da libertação deles impulsiona até hoje os maiores movimentos de massas na região, como noticiado pelo AND. À época, o então governante regional, Carles Puigdemont, e outros ministros fugiram covardemente para a Bélgica três dias depois.

Após suspender a autonomia da Catalunha, o Estado espanhol convocou novas eleições para “definir o novo governo” da região, e um governo direto foi imposto, então, pelo executivo espanhol.

Em grande parte, o fracasso de tal movimento por “independência” se dá pelo fato de ser dirigido pela burguesia da Catalunha, utilizando-se do impulsionamento do nacionalismo como forma de pressionar o Estado espanhol para incrementar os recursos destinados à Catalunha. Essa burguesia catalã, em pugna com a burguesia imperialista espanhola, usa a carta da independência como chantagem, devido à sua importância econômica para o país, porém não tem, em realidade, pretensão de levá-lo a termo até as últimas consequências.

Assim como a Galícia e o País Basco, a Catalunha é uma região autônoma, cujo povo vive dominado pelo Estado espanhol, porém possui, em resposta, uma luta secular pelo seu direito de autodeterminação, que tem sido sabotada pela sua direção burguesa e traidora.

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