Chacina de Pau D’arco completa 3 anos: segue a luta pela terra

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Na madrugada de 27 de maio de 2017, acontecia na zona rural do Pará um dos maiores massacres camponeses da história do país. Algumas dezenas de camponeses ocupavam a área grilada pelos que se diziam proprietários, na Fazenda Santa Lúcia, quando dois ônibus escolares com cerca de 30 policiais civis e militares comandados pela Delegacia de Conflitos Agrários (Deca) torturaram e assassinaram os camponeses.

Uma mulher e nove homens foram covardemente assassinados: Antônio Pereira Milhomem, Bruno Henrique Pereira Gomes, Clebson Pereira Milhomem, Hércules Santos Oliveira, Jane Júlia de Oliveira, Nelson Souza Milhomem, Regivaldo Pereira da Silva, Ronaldo Pereira de Souza, Oseir Rodrigues da Silva e Wedson Pereira da Silva Milhomem.

Este evento, que expõe a maneira sanguinária com que o velho Estado, em conluio com o latifúndio, atua contra os camponeses em luta pela terra, foi sucedido pela grandiosa retomada e diversos atos de resistência daqueles trabalhadores que até hoje vivem nas terras conquistadas com suor e sangue.

O fato marcou também uma nova etapa na luta pela terra na região. Menos de um mês depois do massacre, mais de 100 famílias camponesas reocuparam as terras da fazenda Santa Lúcia, com o apoio da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) do Pará e Tocantins. 

Ainda em 2017, no mês de outubro, ocorreu na região o Encontro Camponês do Sul do Pará – Pau D’arco, onde camponeses pobres sem terra, posseiros e pequenos proprietários de terra do Sul do Pará e de Tocantins se reuniram e conclamaram a destruição do latifúndio.

O documentário Terra e Sangue: bastidores do Massacre de Pau D’Arco, que foi lançado pelo AND no mesmo ano, expôs os fatos narrados por camponeses e denunciou a chacina como crime de Estado.

No Acampamento Jane Júlia (nome dado em homenagem à presidente da associação assassinada na chacina) atualmente vivem e cultivam a terra cerca de 200 famílias. Em 2019, os camponeses do Acampamento Jane Júlia ergueram barricadas na rodovia em frente ao Fórum da cidade devido a uma  ordem de despejo emitida pelo judiciário reacionário. No ano de 2020, novamente barraram uma tentativa de expulsão durante uma audiência pública.

Impunidade e conivencia

Em dezembro de 2017, o Tribunal de Justiça do Pará concedeu habeas corpus para nove dos 17 policiais apontados como executores do crime pelo Ministério Público do Pará. Em 2019, o judiciário paraense determinou que 16 policiais devem ir a júri popular, sem uma previsão para que isso aconteça. Sobre os mandantes, a Polícia Federal, leniente, ainda não concluiu o inquérito que investiga a participação de latifundiários e “autoridades” policiais no caso.

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