México: Povo destrói sede do governo após polícia torturar trabalhador até a morte

A- A A+

Centenas de manifestantes invadiram o prédio do governo do estado de Jalisco, em Guadalajara, para protestar em repúdio ao assassinato do trabalhador Giovanni Lopez sob tortura brutal cometida pela polícia e contra o acobertamento deste crime pelo velho Estado mexicano. Fernando Carranza/ Reuters

No dia 4 de junho, centenas de manifestantes invadiram o prédio do governo do estado de Jalisco, em Guadalajara, aos gritos de Assassinos, assassinos!, para protestar em repúdio ao assassinato do trabalhador Giovanni Lopez em decorrência de brutal tortura cometida pela polícia e contra o acobertamento do bárbaro crime pelo velho Estado mexicano. Duas viaturas foram queimadas pela revolta popular e 26 manifestantes foram detidos.

A manifestação teve início com a reunião de centenas de pessoas no centro da capital do estado de Jalisco. 

Após invadirem a sede do governo, os manifestantes picharam as paredes do prédio, quebraram as janelas de escritórios e responderam às agressões da polícia arremessando pedras contra os agentes.

Os policiais atacaram o protesto lançando gás lacrimogêneo e desferindo  golpes de bastão contra os manifestantes. 

Durante o enfrentamento, que durou mais de duas horas, até mesmo os jornalistas do monopólio de imprensa relataram agressões por parte da polícia.

Dentre as faixas levantadas no protesto, algumas exibiam a denúncia: Governo assassino!

Um vídeo que circula na internet registrou o momento em que, após agredir um grupo de manifestantes sentados numa das ruas, um policial teve sua roupa incendiada.

Manifestação invade o prédio do governo do estado de Jalisco, em Guadalajara, para protestar contra a brutal tortura até a morte de um trabalhador pela polícia. Fernando Carranza/ Reuters

Giovanni Lopez foi torturado até a morte e teve seu assassinato acobertado

O assassinato de Giovanni Lopez pelas mãos dos policiais, no México, gerou profunda revolta em todo o povo. Preso por “não usar uma máscara contra o novo Coronavírus” no dia 4 de maio em um município de Jalisco, Lopez passou a noite na cadeia. Ali, os mesmos policiais o espancaram até a morte. 

A família do trabalhador denuncia que só teve notícias de Giovanni um dia depois, quando foram informados na delegacia que Lopez havia sido transferido para o Hospital Civil de Guadalajara em estado grave, onde faleceu no mesmo dia. Quando recuperaram o corpo, puderam ver que ele havia recebido vários golpes e foi atingido por tiros em uma perna.

Ninguém além da família e das “autoridades” locais e estaduais souberam o que aconteceu por quase um mês. E na primeira semana de junho, quando o governador e o promotor se referiram ao caso pela primeira vez, sob pressão do povo e da imprensa, ambos alegaram que a morte seria investigada.

Crimes do velho Estado mexicano se multiplicam 

O Índice de Desempenho do Ministério Público do Estado, elaborado pela organização "Impunidade Zero", estima que a probabilidade de um crime ser resolvido em Jalisco é de 0,6%. Este é o menor percentual em todo o país, apenas abaixo de Guerrero. Irene Tello, diretora da organização, diz: "Não me surpreendeu que tenha passado um mês e que a investigação não tenha avançado. É a norma.”

O bárbaro assassinato de Lopez se soma a vários outros casos de brutalidade cometida pelas forças de repressão no México. 

No dia 3 de maio, circulou pela internet um vídeo de policiais em Tijuana pisando no pescoço de um homem que havia sido preso por atirar pedras em carros. O homem morreu. Em 2017, em Veracruz, a polícia estadual sequestrou cinco jovens e os entregou a um grupo criminoso, que se encarregou do desaparecimento de todos. Em 2014, policiais de vários municípios de Guerrero colaboraram com um grupo criminoso para atacar estudantes da Escuela Normal de Ayotzinapa, em Iguala. O crime organizado pelos policiais e os bandidos deixou 43 jovens desaparecidos.

Os numerosos assassinatos, desaparecimentos e torturas registrados cometidos por servidores do velho Estado desde 2007 são contados às centenas. De 2007 a 2017, pelo menos 1.069 mexicanos foram vítimas de maus tratos, tortura, assassinato ou desaparecimento forçado, de acordo com dados da ouvidoria.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

LEIA TAMBÉM

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Matheus Magioli Cossa

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Matheus Magioli Cossa
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Matheus Magioli Cossa
Ana Lúcia Nunes
Matheus Magioli
Rodrigo Duarte Baptista
Vinícios Oliveira