Em busca de apaziguar movimento anticolonial, USA anuncia retirada de tropas do Iraque

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General ianque Vincent Barker, à direita, e o general iraquiano Mohammed Fadel durante a entrega do Qayyarah Airfield West das forças da coalizão liderada pelo USA às forças iraquianas, em Mosul, 26/02/2020. Foto: Thaier al-Sudani / Reuters

No dia 11 de junho, o Estados Unidos (USA) anunciou que fará uma retirada de suas tropas do Iraque nos próximos meses, no primeiro "diálogo estratégico" (como foi o chamado o processo) entre os dois países no decorrer de uma década. O anúncio se dá após diversas manifestações das massas iraquianas contra a presença estrangeira no país e contra o governo colonial colocado no poder pelo próprio imperialismo ianque, bem como os ataques recorrentes contra as bases ianques no Iraque.

Há, hoje, aproximadamente 5,2 mil soldados ianques no país. Eles foram enviados como parte da Operação "Resolução Inerente", a intervenção militar de cunho colonial encabeçada pelo então presidente ianque Barack Obama, que foi lançada em junho de 2014. Desde então, o USA injetou mais de 5 bilhões de dólares no governo títere iraquiano.

Mais de 6 mil efetivos ianques foram enviados para a Síria e o Iraque, então, junto de tropas de outros países que participaram da coalizão militar, como Alemanha, França, Canadá e Austrália, sob o suposto pretexto de "combater o 'Estado Islâmico'", trazendo como uma das consequências o aprofundamento da ocupação militar ianque na região do Oriente Médio Ampliado. 

O resultado da primeira sessão das conversações representou, no entanto, que elas aparentam ser apenas uma jogada populista para pôr panos quentes sobre o clamor popular pelo fim da ocupação colonial, e que não demonstram uma verdadeira intenção de mudança no status quo. Isso porque o prazo final para a retirada das tropas está previsto para acontecer muito aquém do esperado.

POVO IRAQUIANO EXIGE FIM DA OCUPAÇÃO IMPERIALISTA 

No decorrer do último ano, a mobilização popular no país a favor da retirada total das tropas ianques do Iraque incendiou o país, com diversas manifestações contra o governo fantoche iraquiano tomando as ruas. No dia 31 de dezembro, centenas de manifestantes invadiram e incendiaram o Complexo da Embaixada ianque no país, em um protesto de repúdio aos bombardeios lançados pelo imperialismo ianque dias antes que haviam matado e ferido dezenas de iraquianos. 

Leia mais: Massas invadem e ateiam fogo na embaixada ianque no Iraque 

Além disso, soma-se ao cenário a intensa campanha de ataques com foguetes lançada contra bases militares e instalações ligadas ao imperialismo ianque, onde tropas do USA estavam estacionadas no Iraque, em especial a chamada Zona Verde, na capital Bagdá, onde fica a Embaixada ianque no país. Recentemente, no dia 10 de junho, foi registrado mais um ataque contra a Zona Verde, em que dois foguetes Katyusha explodiram dentro do complexo militar. 

As ações contra posições militares ianques no Iraque se multiplicaram após o USA assassinar o general Qassem Soleimani, comandante de elite da Força Quds do Irã, general Qassem Soleimani, e o vice do Hashd al-Shaabi, Abu Mahdi al-Muhandis, no início do ano, em Bagdá. Desde então, em resposta a todos esses fatores, a coalizão militar liderada pelo USA já abandonou seis de suas bases e consolidou sua presença em apenas três. 

Esse flagrante desrespeito à soberania iraquiana pelo USA gerou uma grande onda de sentimento contra a ocupação ianque no país, com enormes mobilizações de massas em que a palavra de ordem era Morte ao USA! Tal desdobramento conduziu, dias depois do ataque, ao parlamento fantoche do país a votar a favor da retirada total do país de todas as tropas estrangeiras, o que não foi cumprido pelo imperialismo ianque e seus lacaios. 

NEGOCIAÇÕES REMETEM À INVASÃO DE 2003

Os oficiais presentes na reunião de negociação enfatizaram que estas estão se pautando nos acordos do Acordo-Quadro Estratégico (SFA) de 2008 e no Acordo de Status das Forças (SOFA) de 2009, que estabeleceram que, mesmo com o fim da guerra de agressão do imperialismo ianque contra o Iraque iniciada em 2003, o USA continuaria a ter forte presença no país por meio de "cooperação internacional". À época, isso já foi visto imediatamente como forma de prolongar e legitimar a ocupação ianque no país. 

O recém-nomeado primeiro-ministro iraquiano, Mustafa al-Kadhimi, afirmou que "Essas [conversas] são uma continuação do diálogo iniciado em 2008", convenientemente ignorando o fato de que o acordo-quadro inclusive prescreveu em 2011, que havia sido estabelecido como prazo máximo para o fim da ocupação estrangeira no país. 

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