AM: Precarização da educação em Manaus avança com demissões e problemas salariais

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Estudantes e professores denunciaram ao Comitê de apoio ao AND de Manaus que foram surpreendidos, no início de junho, em meio à pandemia, com um comunicado da Secretaria Municipal de Educação de Manaus (Semed) no qual informa a dispensa dos estagiários bolsistas de todas as escolas de Manaus, de acordo com os professores cerca de 1000 estagiários foram dispensados.

Os professores denunciam que essa situação agrava mais ainda as já precárias condições de trabalho nas escolas, além de prejudicar diretamente os alunos em seu aprendizado. A prefeitura alega que a dispensa dos estagiários ocorreu por conta da falta de recursos devido à pandemia da Covid-19 e não há previsão para que outros estagiários sejam contratados.

Professores com problemas salariais há três meses

Desde a segunda quinzena de abril os professores da rede pública de Manaus estão se mobilizando e denunciando o não pagamento da carga dobrada, situação na qual os professores assumem mais de uma turma.

Ainda em abril a Semed informou que o pagamento seria realizado até o dia 11 de maio, no entanto, na data marcada apenas um pequeno grupo recebeu a parte restante dos salários de fevereiro. Desde então professores e pedagogos iniciaram campanha denunciando a situação em jornais locais e por meio de seus sindicatos.

Semed comunica pagamento do restante dos salários dos professores

Em resposta, a Semed aumentou a cobrança aos professores e pedagogos para continuarem trabalhando a distância. Alguns denunciaram ao AND que podem até mesmo ser punidos caso não realizem as ações determinadas.

Em meio à pandemia, prefeitura aumenta a cobrança de ações aos professores

Alunos também são atingidos

A prefeitura anunciou apenas no dia 8 de junho o início do pagamento de um auxílio no valor de R$ 50 para cerca de 58 mil alunos O auxílio será destinado apenas para estudantes que já participam do programa Bolsa Família.

Serão destinados cerca de R$ 2,9 milhões para tal programa, e o cadastro será realizado apenas por meio de aplicativo de celular. Em maio foi anunciada pela prefeitura a entrega de kits com alimentos como banana, pimentão, macaxeira, laranja, abóbora, entre outras frutas, hortaliças e legumes. Entretanto houve apenas a distribuição dos alimentos que já tinham sido adquiridos antes da pandemia, conforme foto.

As referida ações da Semed iniciam cerca de três meses após a notificação dos primeiros casos de Covid-19 em Manaus. Nos meses de abril e maio houve colapso do SUS na cidade; apesar da grave situação, os alimentos só estão chegando agora. Associado a essa situação chama atenção o fato do cadastro ser realizado apenas por meio de aplicativos, indicando assim a negligência da prefeitura com as massas.

A maioria das famílias não possuem celular adequado e acesso à internet para realização do referido cadastro, muitos podem ficar sem receber. Esse contexto demonstra as precárias condições de isolamento social que as massas estão sendo submetidas em meio a pandemia.

Em resposta, professores se organizam

Apesar da pandemia, falta de salários, dispensa de estagiários e falta de ajuda financeira ao alunos, a Semed encaminhou, em junho, por meio dos diretores das escolas, a minuta da Política Municipal de Alfabetização e junto a ela uma “Pesquisa Institucional” que buscava colher a apreciação feita pelos professores com o prazo de apenas uma semana.

Os trabalhadores da educação denunciam que a política foi elaborada sem nenhum debate com professores, sindicatos, pesquisadores da educação e muito menos com a comunidade escolar. Em resposta os professores iniciaram outra campanha, também com intensa mobilização contra tal proposta. Os trabalhadores afirmam que ela está intimamente ligada aos encaminhamentos reacionários de Bolsonaro e Weintraub para a educação.

Para barrar a referida política os professores em conjunto com a comunidade e demais pesquisadores da educação construíram uma Carta Aberta. Foram realizadas análises ponto a ponto dos artigos da minuta da política municipal de alfabetização, destacando o caráter reacionário e anticientífico da política. Além disso apontam uma ação antidemocrática do prefeito em tentar impor uma apreciação acelerada, no meio de uma pandemia e sem debates com a comunidade escolar.

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