Resistência Nacional palestina na Faixa de Gaza se levanta contra roubo de territórios e agressões de Israel

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Palestinos protestam em Rafah, na Faixa de Gaza, contra projeto colonialista de Israel, 11/06/2020. Foto: Getty Images

Desde que Israel anunciou seu projeto para anexar parte do território palestino da Cisjordânia ocupada pelos sionistas, os movimentos de Resistência Nacional palestinos têm exigido que todos os órgãos de governo palestinos cortem suas relações com Israel. Apesar das restrições ao coronavírus, manifestações e confrontos de palestinos com as forças da ocupação vêm eclodindo com força na Cisjordânia, e milhares de pessoas foram às ruas em Tel Aviv, em Israel. Nas últimas semanas, a Faixa de Gaza também tem se levantado para condenar a anexação.

No dia 15 de maio, Salah al-Bardawil, oficial do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que governa a Faixa de Gaza, conclamou em uma coletiva de imprensa que "o projeto de anexação seja confrontado com resistência em todas as formas", e declarou que "a unidade palestina é a base da força nacional através da qual a anexação [sionista] pode ser combatida e frustrada".

O vice-chefe político do Hamas, Saleh al-Arouri, afirmou ao canal de televisão palestino al-Resalah  que “ações em massa” estavam sendo planejadas por toda a Palestina. "Não podemos excluir a possibilidade de que, na esteira de agressões israelense, as questões possam chegar a um ponto de escalada no confronto, o que pode levar à escalada militar", alertou Arouri.

Na noite desse mesmo dia, o Exército israelense deu início a uma ofensiva com bombardeios contra terras agrícolas e prédios nas cidades de Rafah e Khan Younis, na Faixa de Gaza. 

Depois de mais de um mês sem responder militarmente às agressões sionistas, a Resistência Nacional em Gaza voltou a disparar foguetes contra o sul de Israel, atingindo a região de Eshkol, segundo informes das Forças de Defesa de Israel (IDF). Os foguetes palestinos levaram ao acionamento das sirenes de emergência israelenses localizadas ao longo da cerca de apartheid que enclausura a Faixa de Gaza. 

Alguns dias antes, em 11/06, uma manifestação reuniu centenas de pessoas em Rafah para protestar contra a anexação dos territórios da Cisjordânia ocupados e colonizados por Israel, onde o sionismo estabeleceu nas últimas décadas milhares de assentamentos criminosos para sua população judia morar. 

Os manifestantes se reuniram embaixo de fotos de importantes militantes da Resistência Nacional palestina e de um míssil Qassam, arma de fabricação caseira elaborada pelo próprio Hamas e que é utilizado contra Israel. Também levaram cartazes em repúdio ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e de Donald Trump. 

Explosão após mísseis de Israel detonarem contra prédios em Rafah, na Faixa de Gaza, em 15/05/2020

Já nos dias 12 e 13 de junho, militantes da Resistência Nacional palestina lançaram balões incendiários através da fronteira de Gaza para dentro de Israel, e pelo menos quatro incêndios foram reportados. A prática de lançar dispositivos incendiários e explosivos em Israel usando pipas e balões se popularizou em 2018. A maioria deles atinge o solo em um raio próximo à fronteira de Gaza, e sua maior consequência é o prejuízo que trazem aos sionistas após destruírem terras e plantações, mas nunca foi relatado que alguém tivesse se machucado.

No dia 14/06, ocorreram protestos que denunciaram a situação dos presos políticos palestinos nas cadeias israelenses, em que os manifestantes ficaram na frente dos escritórios da Cruz Vermelha e ergueram faixas e fotos de palestinos encarcerados nas masmorras de Israel. Além de exigir a libertação imediata dos presos políticos, eles também denunciaram os desrespeitos infringidos por Israel aos direitos dos presos, que são torturados e submetidos a condições de cárcere degradantes.

Resistência Nacional palestina utiliza balões incendiários para atingir o território israelense através da fronteira com a Faixa de Gaza, no dia 12 de junho. Foto: Banco de Dados AND

Protesto em Gaza de apoio aos presos políticos palestinos encarcerados por Israel, 14/06/2020. Foto: Mohammed Asad / Memo

ESCALADA DE AGRESSÕES DE ISRAEL À GAZA EXIGE RESPOSTA 

Nas últimas semanas, foram reportados múltiplos ataques das forças sionistas contra a Faixa de Gaza, principalmente de incursões terrestres feitas por tratores e escavadeiras que invadiram a fronteira do território palestino e destruíram terras e plantações.

No dia 8/06, o jornal palestino Al-Quds informou que veículos militares e três escavadeiras com insígnias do Estado sionista invadiram Gaza e começaram a realizar uma obra de nivelamento, arrancando o que estava plantado no solo, no distrito de Abu Safiya, em Jabalia. 

No dia 10/06, tropas israelenses invadiram Gaza pela fronteira norte e destruíram terras palestinas perto na cidade de Beit Lahiya. Moradores da região denunciaram que vários veículos blindados de Israel, incluindo um trator, invadiram terras adjacentes à cerca que divide o território palestino, nas proximidades da cidade de Beit Lahia. 

Eles contaram que os veículos militares avançaram sobre dezenas de metros adentro das terras palestinas e demoliram construções mais próximas à cerca. Além disso, os camponeses da região foram forçados a deixar suas terras no início da manhã por causa da invasão.

 No mesmo dia, na costa norte de Gaza, navios da marinha israelense atacaram vários barcos de pesca palestinos que estavam trabalhando no mar Mediterrâneo, principalmente no distrito de Sudaniya. 

Os pescadores denunciaram que estavam dentro de águas palestinas quando a marinha sionista começou a perseguí-los e os forçou a voltar à costa sem conseguir pescar o que haviam previsto para sustentar suas famílias. 

Cotidianamente, os sionistas alteram de forma unilateral a zona liberada para pesca para os moradores de Gaza, e costumam atirar arbitrariamente com armas de fogo contra os barcos, perseguí-los e confiscar seus barcos e equipamento de trabalho, em um tipo de agressão sádica contra o povo palestino. Há, em Gaza, cerca de 3 mil pescadores, ao que a pesca não é só uma importante fonte de renda, mas também de nutrição para toda a população do território costeiro.

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