PA: OSS em Belém recebe milhões, promove quarteirizações e médicos denunciam que estão sem salários desde abril

O Sindicato dos Médicos do Pará divulgou por meio de nota denúncias de cerca de 34 médicos que estão sem salários desde abril. Destes, 15 trabalharam no Hospital de Campanha de Belém para Covid-19 e outros trabalharam no Hospital Abelardo Santos que também funciona como Hospital de Campanha. 

O Hospital Abelardo Santos, localizado no distrito de Icoaraci em Belém, foi entregue para a Organização Social de Saúde (OSS) Associação da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Pacaembu de São Paulo em 2018, antes da sua inauguração. No final de 2019 a OSS realizou a demissão em massa de cerca de 300 trabalhadores da saúde, conforme noticiou o AND. Com o aumento da notificação dos casos de Covid-19 em Belém, Nordeste paraense e Ilha de Marajó a unidade de saúde foi transformada em hospital de campanha.

Apesar da demissão em massa, denúncias de piora no atendimento e condições precárias de trabalho o Hospital de Campanha da Covid-19 de Belém, localizado no Hangar, um centro de convenções, foi entregue para a OSS Associação da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Pacaembu de São Paulo que receberá R$ 14,7 milhões pelo prazo de 120 dias, pagamento referente apenas ao Hospital de Campanha, conforme denunciou o AND.

Os trabalhadores da saúde denunciam que a OSS quarteirizou a contratação de médicos para a empresa Medplantões. Algo que já tinha sido realizado na construção do Hospital de Campanha, promovido pela empresa Progen, ambas são oriundas de São Paulo, mesmo Estado da OSS.

O Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa) denuncia também o avanço da quarteirização nos hospitais paraenses, um processo que precariza ainda mais as condições dos trabalhadores da saúde. Em outro trecho da nota o sindicato denuncia que a empresa contratada pela OSS é conhecida por não pagar seus trabalhadores.

Uma trabalhadora da saúde que preferiu não se identificar denuncia que os trabalhadores não sabiam quem pagaria seus salários, além disso, era comum nos plantões a falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) e medicamentos diversos. “Quando entramos, no início, não nos falavam qual era a empresa que estava contratando. Acho que a maioria entendeu que era a própria Sespa. O máximo de informação que recebi no início foi que havia uma empresa, mas que ela apenas estaria lá para repasse, pois o governo estava resolvendo tudo. Não tinha nem material pra gente trabalhar direito. Medicações importantes, material para intubação. Cada plantão era um verdadeiro inferno”.

Uma das lideranças sindicais Waldir Cardoso denuncia que essa situação é um desrespeito com os trabalhadores. “É inadmissível que chamem médicos para arriscar a vida em plena pandemia, não ofereçam condições de trabalho e ainda não paguem o que lhes é devido. Um desrespeito, para não dizer coisa pior”.

Outra liderança sindical, Wilson Machado, afirma que essa situação é vital ao trabalhador. “Este é um problema urgentíssimo para ser resolvido, já que trata-se de pagamento de honorários/salários, portanto vital para o trabalhador médico”

Hospital de campanha de Belém, no Pará. Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

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