Ocupação executa jovem palestino à caminho do casamento da irmã

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Ahmed Erekat, 27 anos, foi assassinado por forças israelenses em um posto de controle militar israelense, no dia 23/06. Foto: Reprodução / Redes Sociais

No dia 23 de junho, as forças israelenses executaram um jovem palestino em um posto de controle no norte de Belém, na Cisjordânia. Após atirarem múltiplas vezes contra o carro em que estava Ahmed Mustafa Erekat, de 27 anos, os soldados israelenses deixaram-no sangrando no chão por mais de hora e meia, sem receber assistência médica, e Ahmed acabou morrendo no local. 

Ahmed tinha alugado um carro para buscar sua mãe e irmãs em um salão de beleza em Belém, para levá-las ao casamento de sua irmã que seria naquela mesma noite. O casamento do próprio Ahmed estava marcado para acontecer em breve; segundo seu pai, teria acontecido em maio, mas fora adiado por causa do coronavírus. 

 Como de praxe, a ocupação tentou acobertar seu crime alegando que Ahmad tinha tentado atropelar um soldado no posto de controle, exatamente como no caso de Fadi Samara, morto por soldados em um posto de controle de Ramallah, em 29 de maio. "Acreditamos que, se algo aconteceu, deve ter sido um acidente de carro ou perda de controle sobre o veículo. Como sempre, a polícia é rápida em puxar o gatilho", disse um parente de Ahmed, enfatizando que ele estava ajudando nos preparativos para o casamento de sua irmã.

Vídeos que circulam na internet mostram os agentes da ocupação cobrindo o corpo de Ahmed, que estava caído no chão ao lado de seu carro. Testemunhas que estavam presentes no posto militar contam que o Exército genocida inclusive impediu que uma ambulância chegasse levasse Ahmed. 

Uma procissão aconteceu pelas ruas do bairro de Abu Dis, em Jerusalém Oriental, até a casa onde vivia Ahmed, em memória dele e em protesto ao seu assassinato. As pessoas presentes entoaram músicas e cantos contra a ocupação e de luto, como "Ó mãe do mártir, eu gostaria que fosse minha mãe em seu lugar!". 

A prima de Ahmed, a escritora Dalal Erekat, escreveu que quando seu tio, o pai do jovem, chegou ao posto de controle, ainda encontrou seu filho se contorcendo no chão. "Ele chamou os soldados, implorou, gritou por eles, mas eles não ofereceram piedade. Eles ficaram parados enquanto o sangue de Ahmed o deixava", conta ela.

Dalal disse também que "Ahmed não é o primeiro membro que a família Erekat perdeu com a ocupação de Israel, e temo que ele não seja o último mártir dentre o povo palestino". 

"Na Palestina Ocupada, não há direito à vida, direito à alegria, nem direito de dizer adeus. Os jovens palestinos são apenas números, não indivíduos, e o corpo de Ahmed agora se juntou a essa fria auditoria", denunciou a jovem prima de Ahmed.

Vídeos mostram a morte de Ahmed e negligência das forças da ocupação em ajudá-lo:  

https://twitter.com/falasteen47/status/1275460644146491394

 

Ahmed Erekat ao lado de sua irmã, Iman, que ia se casar na noite do dia em que Ahmed foi assassinado. Foto: Reprodução / Redes Sociais

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