Sem provas, Israel tenta incriminar palestino por atirar pedra que matou soldado sionista

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Tropas sionistas mobilizadas para caçar o atirador da pedra que matou um soldado da ocupação, no dia seguinte à morte dele, na aldeia palestina de Yabad. 13/05/2020

No dia 25 de junho, o Estado sionista de Israel indiciou oficialmente o senhor palestino de 49 anos, Nazmi Abu Bakr, por atirar uma pedra contra as forças da ocupação que acabou atingindo e matando um soldado israelense em resistência a uma agressão militar sionista. O caso ocorreu em maio, durante uma incursão ilegal das tropas sionistas na aldeia de Yabad, na Cisjordânia ocupada, para caçar e prender jovens palestinos que haviam participado de manifestações contra a ocupação colonial. 

Leia mais: Sargento sionista é morto durante operação de repressão contra aldeia na Palestina 

O serviço de inteligência genocida Shin Bet, que "investiga" a morte do soldado da ocupação, afirmou em junho que Nazmi teria confessado ser o responsável por atirar a pedra, após passar semanas em cárcere. No entanto, em sua primeira audiência no tribunal militar de Israel, Nazmi, acusado de "assassinato deliberado", negou veementemente ter atirado a pedra e negou também que tenha confessado. 

O senhor palestino, revoltado, declarou: "O que está sendo acusado de mim não é verdade, eu não fiz isso. Quem escreveu isso? Eu contei tudo aos investigadores. Como eles escreveram uma coisa dessas?".

O palestino Nazmi, de 49 anos, acusado por Israel sem provas de atirar pedra que matou um soldado israelense. 

A promotoria militar alega que Nazmi, que foi preso à época junto com outras 33 pessoas que moram no prédio de onde foi atirada a pedra ou nos edifícios adjacentes, intencionalmente jogou o tijolo na direção das vozes dos soldados. No entanto, os investigadores israelenses afirmam que há uma grande suspeita de que ele estaria protegendo outro membro de sua família. 

O fato é que não há provas diretas que incriminem Nazmi, além de meros fatores circunstanciais, como o fato de viver no prédio de onde partiu a pedra, mas que em conjunto não representam uma acusação sólida, ademais de um punitivismo cego do sionismo que não se importa com quem seja atingido, desde que seja um palestino. 

Nem sequer a sua suposta confissão pode ser empregada como prova direta, uma vez que 95% dos palestinos detidos e presos por Israel são submetidos à tortura, desde o momento em que foram presos, durante todo o interrogatório e também na prisão, de acordo com o relatório de 26/06 publicado pela Sociedade de Prisioneiros Palestinos (PPS), por ocasião do Dia Internacional de Apoio às Vítimas de Tortura. Dessa forma, qualquer "confissão", sem estar atrelada a provas concretas, é entendida apenas como produto da tortura sofrida pelos prisioneiros.

Por outro lado, é comum que os palestinos, sobretudo os jovens, reajam com pedras e outros meios rudimentares contra as campanhas de guerra genocidas movidas pelo Exército sionista, um dos maiores poderios militares. As leis não punem os vários assassinatos das operações genocidas dos sionistas, porém quando os palestinos impõem pequenas derrotas, logo são julgados como criminosos.

APARTHEID: PUNIÇÕES DESIGUAIS PARA ISRAELENSES E PALESTINOS 

No início do mês, em 11/06, forças da ocupação começaram a ir à casa de Nazmi, em Yabad, para organizar e preparar a demolição do prédio inteiro. As demolições de casas de palestinos são uma das diversas políticas sádicas que Israel adota como forma de punição injusta contra palestinos que se revoltam contra o colonialismo sionista. 

As demolições são frequentemente realizadas antes de sequer haver condenação do réu, e, como no caso de Nazmi, deixam dezenas de outras famílias não envolvidas sem teto. 

Vale ressaltar também que, em 2015, a pena de prisão para palestinos que atirarem simples pedras contra soldados e símbolos da ocupação israelense foi aumentada para até 20 anos de cárcere. Atirar pedras com as mãos, fundas ou estilingues é uma forma utilizada pela Resistência palestina historicamente, por jovens que não possuem acesso a armas mais sofisticadas. 

Outra questão levantada pelo caso é que o soldado morto, Ben Yigal, promovido postumamente para a primeira classe de sargento, é o primeiro soldado do Exército israelense morto em ação em 2020. Em contrapartida, mais de 20 palestinos foram assassinados pelas forças militares da ocupação nesse meio tempo, ao que 1.536 foram feridos no total, segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários. 

Ben Ygal foi ferido pela pedra. Ele recebeu tratamento no local e foi levado de helicóptero para o Rambam Medical Center em Haifa, onde foi declarado morto. Um dia depois de sua morte, as forças da ocupação assassinaram Zaid Fadl Qaisia, um adolescente de 15 anos, e alvejaram outros quatro jovens durante uma incursão militar no campo de refugiados de Al-Fawwar, em Hebron, somando mais um aos crimes de genocídio da ocupação israelense. 

Em uma mão, manifestante empunha bandeira palestina, enquanto na outra usa uma funda para arremessar pedras contra as forças de Israel, durante manifestação da Grande Marcha do Retorno, na Faixa de Gaza. Mustafa Hassona / Getty Images

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