Amazônia: Trabalhadores realizam atos denunciando as precárias condições de trabalho dos aplicativos.

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No dia 01 de Julho trabalhadores que atuam como entregadores em diversos aplicativos realizaram um ato nacional cobrando aumento do pagamento das taxas, fim dos desligamentos desnecessários, além de melhores condições de trabalho em meio a pandemia, conforme noticiou o AND entregadores de aplicativos preparam grande paralisacao em todo o pais. Na Amazônia também ocorreram atos, denunciando as condições precárias dos trabalhadores.

Em Rio Branco - AC trabalhadores realizam carreata.

Entregadores de Rio Branco fizeram passeatas e interditaram vias em protesto por melhores condições de trabalho. Foto: Banco de Dados AND

Na manhã do dia 01 de Julho diversos trabalhadores se reuniram na Travessa da Catedral, no Centro. Em carreata e realizando buzinaço percorreram várias ruas até a Gameleira, no Centro. Algumas vias foram interditadas temporariamente, dentre elas a Avenida Marechal Deodoro, uma das principais avenidas de Rio Branco, em outras ruas os trabalhadores organizaram barricadas com suas mochilas.

Um dos trabalhadores, Alisson Rodrigues, denuncia que a distância percorrida muitas vezes não paga nem o combustível e muitos só tem essa renda, os trabalhadores pretendem prolongar a paralisação por mais dois dias. “A gente percorre 3 km por R$ 4 a R$ 5 e isso não paga nem combustível, muito menos manutenção da moto. Além disso, a gente quer respeito. Eu mesmo já me envolvi em três acidente com motoristas alcoolizados, muitas vezes as pessoas não respeitam. Muitos, como eu, só contam com isso. Minha renda é para aluguel, faculdade e ainda ajudar minha mãe e tem mês que não dá. A gente quer valorização e também acessórios de segurança”

Outro trabalhador, Jackson, denuncia que a maioria trabalha cerca de 11h por dia para conseguir o mínimo. “Nossa guerra não é contra o dono de restaurante, mas pra melhoraria dos aplicativos. A gente percorrer um percurso muito grande e as vezes nem compensa. Além disso, estamos a mercê do crime e do assalto. A nossa luta é contra os aplicativos. Temos aqui 50% paralisado e essa ação está ocorrendo em vários pontos da cidade e do país. São em torno de 400 motocicletas paradas. Temos que trabalhar 11h por dia para conseguimos nos sustentar. Nós queremos agradecer a população pelo carinho que temos recebido. Estamos aqui em busca de melhorias”

Enquanto Marcos Almeida, afirma que alguns chegam a trabalhar até 20 horas e relata que se adoecer não receberá nenhum apoio, assim como sua família. “Nós trabalhamos em torno de 18 a 20 horas por dia para conseguir R$ 200 no máximo, aí arcamos com comida, gasolina , máscara e álcool gel. Nós não somos amparado por essas redes. Eu trabalho na Uber Eats, Bee, Much. Sendo que Bee e Much são quem nos acompanha daqui mesmo. Os donos são daqui e eles distribuíram máscaras e álcool gel. “Estou a alguns dias sem poder ver meus pais porque são do grupo de risco e me pergunto todo dia se vou pegar esse vírus. Se eu pegar esse vírus, não sei o que vai ser de mim, porque minha renda depende totalmente dos Delivery, e se eu ficar doente nada vai me amparar, nenhum auxílio, nenhum direito trabalhistas aí vou passar fome”

Entregadores de Rio Branco fecharam via em protesto. Foto: Banco de Dados AND

Em Belém – PA trabalhadores da região metropolitana realizam carreata nos bairros centrais.

Trabalhadores também protestaram, em Belém. Foto: Banco de Dados AND

Durante a manhã do dia 01 de julho diversos trabalhadores se reuniram em vários pontos de Belém, um grupo estava na Avenida Visconde de Souza Franco, no Reduto, uma das principais vias da capital paraense, outros grupos se concentraram no Umarizal, Pedreira e Castanheira.

Realizando buzinaço por várias ruas seguiram até o Palácio dos Despachos, uma das sedes do Governo do Pará, o ato foi encerrado por volta das 14h. Durante o ato a Polícia interveio, porém os trabalhadores se dividiram em pequenos grupos e continuaram a carreata pelas ruas de Belém.

Uma das lideranças da Federação dos Mototaxistas e Motoboys do Estado do Pará (Fenamoto),  Alessandro Félix, denuncia que os trabalhadores recebem cada vez menos pelas entregas. “Eles  querem pagar entre R$ 2 ou R$ 3 por entrega. Nós queremos que esse valor seja pelo menos R$ 5. A gente baixa o aplicativo e vai trabalhar. O problema é que eles baixaram o valor das corridas. Agora nós estamos quase que pagando pra trabalhar, já que temos que arcar com os custos das motos e bicicletas"

Enquanto, Carlos Siqueira, denuncia que apenas uma parte do trecho é pago. "Nós queremos que mude, principalmente a questão da taxa de entrega. Essas taxas de entrega tão sendo ridícula, porque além do mais nenhum aplicativo dá a nós um direito. Isso é uma vergonha. A distância é uma vergonha. Se nós vamos fazer uma entrega a 5,5 km de distância no valor de R$ 4,50 nós temos que voltar 5,5 km de graça, então é uma das reclamações que nós temos aqui em todos os aplicativos e nós queremos que isso seja reparado. Por que o que nós queremos é tanto proteger a família como a gente também ter nossos ganhos"

Em Boa Vista – RR trabalhadores também denunciam condições precárias.

Em Boa Vista – RR os trabalhadores se concentraram em frente ao Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazaré, no bairro São Pedro. Apesar do ato mais breve eles também denunciaram a ilusão do empreendedorismo.

Uma das trabalhadoras que preferiu não se identificar denuncia as altas taxas cobradas pelo aplicativo aos entregadores. “Os aplicativos descontam 20% em cima da taxa que é dos entregadores, ao invés de cobrar diretamente do cliente. Nós é que estamos ali nos arriscando no dia-a-dia, no trânsito para prestar um bom serviço, e nesse momento de pandemia esse trabalho se tornou essencial”

Na Amazônia situação é mais grave, taxa de informalidade é a mais alta do país.

Em fevereiro de 2020, antes da pandemia de Covid – 19, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2019.

A pesquisa apontou que a soma dos trabalhadores sem carteira, trabalhadores domésticos sem carteira, empregador sem CNPJ, conta própria sem CNPJ e trabalhador familiar auxiliar alcançou seu nível mais elevado desde 2016, constatando mais uma vez as consequências nefastas para os trabalhadores da contra – reforma trabalhista.

O Pará possui a maior taxa de informalidade com 63% da população, enquanto o Tocantins com a menor taxa possui 48%. Todos os Estados da Amazônia estão acima da média nacional de 41%, conforme denunciou o AND apos reforma trabalhista ibge constata desemprego avanco do trabalho informal na amazonia     

 

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