Argélia conquista retorno de crânios de 24 combatentes anticoloniais roubados pela França

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Pixação “Glória aos nossos mártires” em muro no Casbah, Algiers, em 1962. Foto: Philip Jones Griffiths / Magnum Photos

No dia 2 de junho, a Argélia anunciou que conquistou, finalmente, a devolução dos restos mortais de 24 combatentes anticoloniais que foram assassinados e roubados pelas forças coloniais francesas, 58 anos após o fim da guerra de libertação nacional argelina, que encerrou os 132 anos de sua ocupação pela França.

Em uma cerimônia militar, o presidente argelino Tebboune anunciou que “dentro de algumas horas os aviões militares argelinos voarão da França com os restos mortais de 24 [membros] da resistência popular”, que tiveram seu direito de serem enterrados negado por mais de 170 anos.

Tebboune indicou que, entre eles, estão os restos de Sheikh Bouzian, membro da Resistência Nacional argelina que foi capturado, executado e decapitado pelos franceses em 1849, no cerco à vila de Zaatcha que matou todos os cerca de mil árabes que a defenderam da invasão francesa. Os outros crânios também pertencem a combatentes desse mesmo período, das décadas de 1840 e 1850.

No século XIX, os crânios de quase 40 combatentes argelinos foram roubados pela França, levados como troféus e expostos no Museu Nacional de História Natural de Paris como espécimes coloniais. No decorrer de décadas, houve intensas campanhas encabeçadas por historiadores e outros intelectuais em busca da devolução desses restos mortais à Argélia. 

O pedido oficial pelo retorno dos crânios dos combatentes foi protocolado pela Argélia à França em 2017. Até hoje, o imperialismo francês se recusa a assumir responsabilidade pelos seus crimes cometidos durante os anos de ocupação colonial que impôs à nação argelina, abatendo seu povo com genocídio e profunda exploração, assim como com a destruição e perseguição à sua cultura e costumes. 

A Argélia conquistou a independência oficial da França em 1962, após uma guerra de Resistência Nacional que durou quase oito anos, iniciada em 1954 pela Frente de Libertação Nacional (FLN), no episódio conhecido como Toussaint Rouge (Dia de Todos os Santos Vermelho). No entanto, desde o início de sua colonização pela França, o povo argelino sempre empregou formas de resistência diversas.

Durante seu período de dominação colonial sobre a Argélia, a França foi responsável por saquear terras e recursos argelinos, realizar testes nucleares, torturar e assassinar mais de 1,5 milhão de argelinos, deixando centenas de milhares feridos, desaparecidos ou forçados a deixar o país. Em 2017, a Liga Argelina de Defesa dos Direitos Humanos estimou que os números de vítimas da colonização francesa chegam a mais de 10 milhões.

Um episódio marcante da história de violências coloniais perpetradas contra a Argélia foi o Massacre de Sétif, quando, em oito de maio de 1945 milhares de argelinos foram marchar nas ruas para comemorar a derrota do fascismo na Segunda Guerra Mundial e para exigir a sua independência. As forças francesas, então, abriram fogo contra os manifestantes e assassinaram centenas de pessoas. Depois disso, uma intensa onda de repressão a grupos anti-imperialistas e nacionalistas se desencadeou, resultando em cerca de 45 mil mortes.

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